sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

No I won't be afraid... just as long as you stand by me


"Essa música diz que não importa quem você seja, não importa para onde você for na sua vida... você vai precisar de alguém que fique com você".

When the night has come
And the land is dark
And the moon is the only light we'll see
No I won't be afraid, No I won't be afraid
Just as long as you stand, stand by me

So darling, darling
Stand by me, oh, stand by me
Oh stand, stand by me,
Stand by me

If the sky that we look upon
Should tumble and fall
Or the mountains should crumble to the sea
I won't cry, I won't cry
No I won't shed a tear
Just as long as you stand, stand by me

Whenever you're in trouble, won't you stand by me
Oh stand by me,
oh won't you stand now?
stand by me

Quando a noite tiver chegado
E a terra estiver escura,
E a lua for a única luz que veremos,
Não, eu não terei medo. Não, eu não terei medo
Desde que você fique. Fique comigo

Então querida, querida,
Fique comigo. Oh, fique comigo,
Oh, fique. Fique comigo,
Fique comigo...

Se o céu que vemos lá em cima
Desabar e cair
Ou as montanhas desmoronarem no mar
Eu não chorarei, eu não chorarei
Não, eu não derramarei uma lágrima,
Desde que você fique. Fique comigo

Quando você estiver com problemas, você não contará comigo?
Oh, conte comigo
Oh, você não ficará agora?
Conte comigo

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cartas do P.e Aldo 133

Asunción, 27 de janeiro de 2010.

Caros amigos,
Quantas vezes Giussani nos repetiu que o Movimento é uma amizade, uma companhia guiada ao destino... e assim Carrón define também: “rostos tendidos ao Infinito”. A graça de experimentar todo dia esta verdade está na origem de um Acontecimento que nunca havia ocorrido antes na América Latina: 900 pessoas do Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Equador se encontraram para compartilhar juntos um gesto simples como são as férias de verão. A tarefa de descrevê-las vou deixar a outros, porém, cabe a mim o desejo de compartilhar com vocês algumas coisas:
1. Na origem deste fato que derrubou todas as fronteiras do continente foi o levar a sério a amizade, as provocações de Carrón. Deste trabalho desabrochou uma amizade operativa, concreta, apaixonada, entre alguns de nós: Marcos, Cleuza, Julián de la Morena, eu e outros. Quando Carrón, em outubro de 2008, nos disse que precisábamos olhar para algumas pessoas e lugares, Marcos e Cleuza foram os primeiros a pegar o avião e vir até aquí, surpreendendo-me porque eu não me havia dado conta ainda do que estava acontecendo. Desde aquele dia – 17 de novembro de 2008 – o olhar, para mim, cruzou com Marcos e Cleuza (Julián de la Morena já era um velho conhecido e amigo)... também eles definidos por aquele “Tu” que nos faz em cada momento. É isso: tudo partiu de uma dramaticidade que, em cada instante, nos faz vibrar com uma febre de vida que se tornou um imã que nos permite nos vermos a cada 15 dias. Para fazer o quê? Para contarmos uns para os outros como estamos seguindo a Carrón, os passos que estamos fazendo, as dificuldades que encontramos, as perguntas que a Escola de Comunidade suscita em nós. Uma amizade como a dos apóstolos com Jesus. Vocês sabem que comoção é estar juntos “olhando Jesus no rosto”, sem nunca tirar o olhar dEle?! Percorremos milhares de quilômetros para olhar juntos no rosto de Jesus, para poder dizer-Lhe pessoalmente “Tu, ó meu Cristo”. Trata-se de entrar, cada dia mais, em uma intimidade com Ele, da qual nasceram as férias em Iguaçu, da qual nasce aquele ímpeto que nos leva do México à Argentina, chamados por outros amigos desejosos de dizer “Tu” a Jesus.
2. E, assim, um dia, com Julián de la Morena, nos dissemos: “Por que não propomos o que acontece conosco – esta familiaridade com Deus e tudo o que vivemos – para o continente? Nunca podíamos esperar 900 pessoas... sem contar aquelas que, de cada país, quiseram vir, mas não puderam por causa da distância e do custo. Somos um grupo de amigos que dizem aos outros: “Vinde e vede”; como, naquele dia, no rio Jordão, um grupinho de amigos desejosos de compartilhar o significado do “olhar Jesus no rosto”, dizer-Lhe “Tu, ó meu Cristo”. E assim aconteceu o milagre.
3. O milagre de fazer juntos o percurso do conhecimento, da fé, trabalhando sobre a mensagem de Natal de Carrón. Trabalhar significa verificar também dentro da confusão (não faltavam nunca... e, depois, estávamos na América Latina!) o que significa fazer experiência, prestar contas com a realidade (900 pessoas... 40º, clima tropical, com o ar condicionado que mal funcionava), olhar a nossa humanidade com simpatia, saborear a beleza da liberdade etc. É um trabalho, não algo confeccionado. Provocações contínuas e não respostas imediatas e baratas. Tratava-se de fazer o percurso em primeira pessoa, em cada coisa. Gestos essenciais e o cotidiano continuamente verificado com o coração.
4. A maravilha com a qual cada um voltou para casa: “Finalmente o nosso coração vibrou como há vinte anos, quando dom Giussani vinha à América Latina. Aquele que era, para nós, um velho desejo, um sonho, tornou-se realidade”. Não mais latino-americano como coração, como identidade, mas Ele. Quem poderia imaginar colocar os argentinos junto com o resto??? Só um Acontecimento que nos arrastou a todos. Hoje, o continente é uma febre de vida... São homens que se deslocam... tornamo-nos como os pastores, como os Magos naquele dia. De fato, as cascatas do Iguaçu, belíssimas, foram como que uma gota d’água se comparadas com tudo o que aconteceu. Voltamos para casa certos de que podemos finalmente tratar o Mistério como um “Tu” e, por isso, não mais pequenas ilhas, mas uma grande companhia com os olhos escancarados para o Infinito. Pessoalmente, fiquei comovido, porque “toco com a mão”, a cada dia, o fato que, quando o coração é de Cristo, a vida ressurge. E bastam quatro amigos apaixonados por Jesus para que aconteça um “terremoto”, mas um terremoto que vira de cabeça para baixo a vida, como aquele dia, nas margens do Jordão, quando João e André encontraram Jesus. E, além do mais, a novidade, graças a Carrón, de experimentar que o Movimento não é um “club” que faz gestos, iniciativas, obedece a um chefe, mas a liberdade do “eu” que, tocada e comovida por uma ternura, por um olhar, começa a olhar no rosto o Mistério. Assim, agora vejo realizado o meu desejo: também os meus doentes de AIDS, homossexuais ou travestis, os meus velhinhos e as crianças são movimiento. Não somos mais apenas eu e eles. “Agora – me dizem –, o que você vive é possível também para nós, que não podemos participar de nenhum gesto, que não podemos pagar o dízimo, que não podemos nunca tirar férias... Também para nós que fizemos muita porcaria, para nós cujo fim é próximo”. Meu Deus, precisei esperar quase 40 anos para entender, graças a Carrón, que este é o Movimento, como sempre Giussani (com o seu olhar aberto a 360º e o seu abraço) nos educou a vivê-lo. Vocês entendem que, talvez, tenhamos feito do Movimento um club? Agora – que belo! – os 100 mil de Marcos e Cleuza, as minhas crianças, os meus doentes, os meus mendigos, os meus moribundos finalmente descobrimos ser um corpo vivo, um Movimento! Não apenas, mas os políticos, o Vice-Presidente (agora, da família), centenas de pessoas ricas e pobres, os “Zaqueus”, as prostitutas (como no tempo de Jesus), são uma grande família comovida e que diz: “Mas, aquilo que Carrón escreve e diz é o que o nosso coração desejava e buscava”. Por isso, trago dentro de mim a certeza que, se uma obra, um hospital (por exemplo) não existe para nutrir o coração do homem, é melhor fechá-lo, porque o fim do hospital é que o homem possa dizer “Tu, ó Cristo”. E isto depende de mim, porque a graça opera sempre. Mas, se para mim – médico, padre, enfermeiro ou quem quer que eu seja – a familiaridade com Cristo é morna (e isto é possível ver), por que fazer um hospital? Para iludir as pessoas, postergando a morte alguns anos. Um hospital serve apenas se um homem que trabalha nele ou está internado nele tem a graça de poder dizer “Tu, ó meu Cristo”. No meu hospital chega de tudo. Agora, há um homem N.N. (nomen nescio = nome desconhecido; ndt), mas também a ele foi dada a graça de dizer “Tu, ó meu Cristo”. Não fala, tem os olhos perdidos no vazio e, assim, conferi-lhe o batismo sob condição. Mas, depois, tem os que se casam, os que recebem os sacramentos, quem volta para a fé católica. Há uma bela doutora menonita (adepta do Menonismo, doutrina anabatista fundada por Meno Simonis, no século XVI; ndt), de nome Angélica, que está participando da Missa. Ou seja, tudo é estruturado para que a liberdade diga “Tu, ó meu Cristo”. Milagre do diretor de saúde: “O Santíssimo Sacramento exposto trabalha 24 horas por dia”. É apenas uma questão de fé, mas de um fé que nos leve a dizer a uma árvore “arranca-te daí e planta-te no mar”. É tudo uma questão de fé, um grãozinho de fé, como disse Jesus no Evangelho. Pensem que Cleuza se comprometeu a falar de Jesus a pelo menos 10 pessoas por dia. Tentemos também nós.
Padre Aldo

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Cartas do P.e Aldo 132

Asunción, 26 de janeiro de 2010.

Caros amigos,
Sou, cada dia, mais comovido e grato porque “toco com as mãos” o significado das palavras de Carrón, quando diz que basta dizer “sim” ao Mistério, basta “olhar no rosto a Jesus”.
É tarde, enquanto lhes escrevo, mas não posso não comunicar aos amigos que o meu “sim” a Cristo me enche de letícia. Estou cheio de letícia, no meio da escuridão que frequentemente me envolve e na qual a minha emoção distraída é absorvida por aquele “Tu que me fazes”. Que ternura olhar para a própria humanidade com os olhos daquele Tu que é infinitamente mais potente do que a minha imaginação, que os meus fantasmas, que as minhas condições de saúde. “Tu, ó meu Deus”. Tu, ó meu Cristo,que me dás tudo, tudo o que vivo é para a Tua glória. Como um homem pode duvidar da Sua Presença? Todas A gritam.
Esta noite, na pizzaria, enquanto comia com Sérgio Franco, um amigo que leva para frente a obra de Deus que é o novo hospital, vi dois amigos na mesa da frente. Algumas piadas e, depois, rindo, digo a eles: “A Providência tem necessidade das nossas mãos e da nossa carteira...!”. E eles riram. Estava saindo da pizzaria, quando eles me chamaram e me disseram: “Padre, compramos uma Mercedes-Benz conversível de duas portas, rodamos 300 km, mas, para nós, altos e gordos, ela se mostrou muito incômoda. Decidimos dá-la de presente para você, para que faça um sorteio e use o dinheiro arrecadado para o novo hospital. Na próxima terça-feira, a traremos para o senhor”.
Os amigos não acreditavam no que estavam escutando... mesmo porque, vindo aqui, frequentemente escutam continuamente como a Providência opera. Não poderia mais viver se não fosse para gritar a todos que o problema é apenas um: dizer “sim” a Cristo. Uma obra ou nasce desse “sim” radical a Cristo ou não nasce e, se nasce sem esta consciência, a pessoa pode ser o “bocconiano” mais famoso que exista, mas não consegue avançar, não cresce. Vocês sabem como me dói quando ouço falarem de economia, entre nós, como se Cristo não tivesse nada que ver com ela. Fazem projetos, mas não nascem da comoção por dizer “Tu, ó meu Deus”. Por isso, falem os projetos e nós junto. Tudo é para a glória de Cristo ou é inútil. Constrói-se apenas se se está apaixonado por Deus.
Conto-lhes um fato: na paróquia, existem algumas pequenas empresas criadas pelos jovens, educados, dia após dia, a olhar para Cristo, única resposta à sua necessidade humana e também econômica. A pizzaria é gerida por 4 moças, que no passado estavam em condições humanas terríveis e pensavam em ir para a Espanha. O amor a Deus, sustentado por nós, fez com que criassem uma sociedade para gerir a pizzaria. Não foi fácil, mas a educação, essencial, que está na raiz da economia e que é a Divina Providência, deu frutos impressionantes. No ano de 2009 a pizzaria rendeu 600 milhões de guaranis, uma cifra astronômica para este país. E, como o Senhor da pizzaria, bem como todas as obras profit e as de caridade, é a Divina Providência, é também Ela que ditou o modo com o qual se administra o dinheiro. E se administra assim: daquilo que, a cada mês, se lucra, uma parte é para o salário (muito bom) das gerentes (que são aquelas 4 moças que trabalham), uma parte é usada para pagar todas as despesas etc. Do líquido, 40% é para elas e 60% é para a clínica. Assim, este ano, elas deram para a clínica a quantia de 120 milhões de guaranis. E o mesmo acontece com as outras obras, ainda que em escala menor. Dizer “sim” a Deus, olhar Deus no rosto, é também gerir assim uma empresa. Mas isto não seria possível sem a Escola de Comunidade semanal que faço com elas na pizzaria. Outro dia, na Escola de Comunidade, pedi o menu. Olhei para ele e lhes disse: “O ‘sim’ de vocês a Deus é frágil, porque vejo que está faltando a lista dos doces, e é insuficiente a lista de vinhos e cervejas etc.”. Olhar Deus no rosto é a possibilidade para olhar a realidade em 360º.
Enfim, um último exemplo. Na reunião com os médicos do hospital, eu lhes disse: “Mas, para que serve um hospital, visto que estamos terminando de construir o novo com 48 leitos? Para uma coisa apenas: para que vocês e os nossos doentes terminais possam dizer ‘eu sou Tu que me fazes’, possam e possamos entrar em uma familiaridade total com Deus. Mas, se um médico não ajuda o homem a descobrir que ele é relação com o Mistério, por que se tornou médico? Sem esta posição, enganamos o homem, iludindo-o de que viverá 10, 20, 30, 50 anos mais... e depois? Para que serve adiar em alguns anos a morte, se depois não há nada? Não encontram o rosto do Mistério? Eis a questão: ou o novo hospital serve, como este, para que nós e os nossos doentes possam dizer ‘Tu, ó meu Cristo’, ou é melhor que fique como está, ou seja, em construção, sem que se termine a obra. Nós estamos junto com os nossos doentes apenas para ajudá-los a olhar no rosto a Jesus. Se não fosse por isso, seríamos sádicos miseráveis... por que todos os nossos cuidados paliativos? Amigos, aqui, ou somos desejosos, tendidos ao Mistério, ou é melhor fechar, porque o que me interessa é que todos possam dizer, sãos ou doentes, ‘para mim, viver é Cristo’. Agradeço a vocês, porque vejo nos seus olhos (os pacientes testemunham isso) uma familiaridade com Cristo”.
Talvez eu os tenha cansado, amigos, mas não poderia não lhes contar a alegria do meu pobre “sim” cotidiano a Cristo. E me surpreendo até as lágrimas ver o que Deus fez e está fazendo com este asno, com este pobre homem, que tem necessidade também de alguns medicamentos para conseguir repousar, com este ‘ninguém’ que Deus escolheu para mostrar a Sua misericórdia e a Sua Providência.
Confio-me às orações de todos vocês, para que Jesus me faça totalmente Seu. Desejo, grito apenas por isso. E digam a Nossa Senhora que nos dê uma mão para que o meu olhar esteja todo ali: “Tu, meu Deus”. Eu rezo por vocês, para que possam saborear a doçura de Jesus e possam comunicá-la a todos. “Jesus dulcis memoria”: que beleza, tudo está contido aqui.
Padre Aldo.

P.S.: hoje, chegou o pessoal da Mercedes-Benz e me disse: “Padre, lhe dou um cheque de 58 mil dólares... e, assim, lhe tiro a dor de cabeça do sorteio”. Amigos, a crise econômica é a crise da razão e da fé. Enfim, para quem quiser saber o valor do câmbio dólar/guarani é: 1 dólar vale 4.600 guaranis. E, enquanto isso, a clínica segue o seu paciente caminho, porque Deus sabe que eu tenho 63 anos e não corro mais como há 20 anos. Mas é espetacular que, dia após dia, Ele me dá o necessário.

Cartas do P.e Aldo 131




Asunción, 23 de janeiro de 2010.

Caros amigos,
desculpem-me se encho... porém, quando cada instante, cada circunstância nos faz ver a ternura de Deus, não conseguimos não contar para todos. Hoje, tive o encontro de Escola de Comunidade com a mãe das minhas crianças e os colaboradores. Escutar o testemunho de Cristina (a mãe da Casinha de Belém) me comoveu:
“Padre, quando vêm nos visitar, todos ficam impressionados com a beleza do jardim, cheio de flores, canteiros, folhas verdes tropicais. Mas a coisa que mais chama a atenção é que todos se perguntam: mas como é possível esta ordem, esta beleza com 30 crianças de 2 a 14 anos, que brincam, correm, fazem tanta bagunça? Vocês têm um jardineiro? E eu respondo que não apenas não temos um jardineiro, como que as 30 crianças são os protagonistas, vendo como nós, os adultos, vivemos. As crianças (estamos nas férias de verão), toda manhã, se dedicam ao trabalho: tem quem limpa, quem recolhe o lixo, que lava os pratos, quem ajuda na cozinha... e todos arrumam suas próprias camas, mantêm em ordem seus quartos, se vestem direito. Eu venho do interior e, para mim, educar quer dizer viver a realidade, em todas as suas dimensões. Por isso, levamos as crianças, por três dias, para um passeio no campo, onde elas ficaram loucas de alegria com a possibilidade de nadar no laguinho, de se jogar na lama, de tomar chuva, ordenhar as vacas, dormir no chão, comer o que havia etc. Só assim as crianças aprendem o que é a vida: se as ajudamos a viver. Depois, terminados os trabalhos cotidianos, tem a piscina, o futebol, as brincadeiras, o momento de estarmos juntos no almoço e no jantar, de limpar a mesa, de colocar as cadeiras no lugar”.
Nelsi, a secretária da Casinha de Belém, disse: “Até mesmo a dor é uma graça”. Olhe as fotos (que estou mandando) dos dois irmãos, A. e C., quando chegaram. Olhem como estão agora: vítimas de todo tipo de violência, que nem mesmo a pior fantasia pode imaginar, passados alguns meses conosco, que somos constantemente lembrados de que somos relação com o Mistério, eles já vivem assim.
Terminado o encontro, voltei para a paróquia, levando comigo Camila (uma criança linda, doente de AIDS, filha de Fabiana, a garota morta na clínica com a mesma doença, aos 19 anos de idade)... e há duas horas que está sorrindo, brincando com uma bolinha, assentada ao meu lado. É linda: o olhar é mesmo a ternura de Deus, o abraço de Jesus. De vez em quando, trago comigo algumas crianças para ficarem onde estou... eu trabalho, escrevo e eles ficam quietos na cadeira ou no chão. Que bela a graça de uma paternidade que revive em cada instante a certeza de que eu sou feito neste momento, como Camila, de dois anos, que está aqui, há duas horas, rindo ao meu lado, brincando com uma bolinha.
Com isto, quero dizer que é apenas uma pertença a nos educar. Olhando para essas crianças, cada dia, felizes (e lembro que a maioria delas foi violentada por parentes), agradeço, comovido, o chamado de atenção cotidiano de Carrón a levar a sério o humano, condição necessária para dizer “sim, Tu” a Cristo. Entendo o quanto é verdade que não se trata de uma questão de coragem, de genialidade, mas se trata de uma questão de dizer “sim” a Cristo. Como eu gostaria que nenhum de vocês, meus queridos amigos, vivesse sem esta certeza. Educar, estar com os velhos, com os moribundos, olhar para as cascatas de Iguaçu, ou para um beija-flor, ou para um pôr-do-sol, é a mesma coisa se o “sim” a Cristo é total.
Como eu gostaria que cada um de vocês fosse como as cascatas de Iguaçu, anualmente tranbordando de água... ou seja, vivendo com a mesma intensidade, uma intimidade transbordante de ternura por Jesus, para anunciá-Lo a todos, porque todos têm necessidade de Jesus. Como disse Cleuza: “devemos ter a coragem de dizer a todos o nome de Jesus”. Pronunciar, com os olhos comovidos, o nome de Jesus.
Padre Aldo

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Cartas do P.e Aldo 130




Asunción, 21 de janeiro de 2010.

Caros amigos,
Obrigado pela gratuidade de vocês.
Como podem ver, a clínica caminha. As fotos são de alguns lugares da pediatria. Obviamente, o caminho ainda é longo e, como sempre, a Providência vence sobre a longa distância. Quando Deus quer manifestar a Sua glória, o faz e o faz como quer.
Por isso, vivo cada dia suspenso na certeza de que Ele me conduz pela mão. Se vivo “suspenso” é porque, como uma sentinela, sou chamado a me mover a cada sobresalto da realidade.
Há anos vivo suspenso, atento aos mínimos acenos do meu senhor... e olhem o que Ele coloca em pé, e em que bagunça coloca este pobre homem que vive sempre no imprevisto. Como bom montanhês, porém, digo que é bonito viver suspenso, atento aos mínimos acenos do Mistério que, para mim, é mais certo e seguro do que os cumes das minhas Dolomitas (cadeias montanhosas dos Alpes, no norte da Itália; ndt). Lembro-me das escaladas... mal era suspenso no vazio e, às vezes, me vinham vertigens... hoje, estou suspenso na granítica certeza de que Ele conduz a minha vida, de forma que, como uma criança nos braços da mãe, me deixo ninar por Ele que me faz hora após hora. É mesmo bonito... mesmo porque, olhem que frutos Ele me faz saborear.
Ciao.
Padre Aldo

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A nossa vida pertence a Outro


"A nossa vida pertence a um Outro. A inevitabilidade [daquilo que acontece] é como o sinônimo mais esclarecedor deste não pertencer das coisas a nós, e principalmente não pertence a nós aquilo de que tudo deriva: a nossa vida pertence a um Outro.
Neste sentido se entende por que a vida do homem é dramática: se não pertencesse a um Outro seria trágica. A tragédia é quando uma construção desmorona e todas as pedras e os pedaços de mármore e os pedaços de parede desabam. E tudo na vida se torna nada, é fadado a se tornar nada porque daquilo que vivemos no passado, daquilo que vivemos há uma hora, há cinco minutos, não existe mais nada de formado, nada de construído. E isso é trágico. A tragédia é o nada como meta, o nada, o nada daquilo que existe.
No entanto, se tudo pertence a um Outro, então a vida do homem é dramática, não trágica. Reconheço que te pertenço, reconheço que o tempo não foi meu, não me pertencia, como até hoje não me pertence, não me pertence. Podes tomar a minha vida, aceito que não me pertença, reconheço que não me pertence, aceito que não me pertença.
Aquilo que possui o nosso tempo morreu por nós, apresenta-se aos nossos olhos e ao nosso coração como o lugar onde o nosso destino é amado, onde é amada a nossa felicidade, tanto que Aquele que possui o tempo morre para o nosso tempo. O Senhor, Aquele ao qual pertence o tempo, é bom."
(GIUSSANI, Luigi. É possível viver assim?)
"O nosso pensamento, nestes dias, dirige-se às queridas povoações do Haiti e se torna fervorosa a oração. Sigo e encorajo o esforço das numerosas organizações de caridade, que estão assumindo as imensas necessidades do país. Rezo pelos feridos, pelos desabrigados e por aqueles que tragicamente perderam a vida."
(Bento XVI, Angelus, 17 de janeiro de 2010)
É a certeza desta pertença que sustenta a nossa esperança e nos faz sentir como nosso o drama dos irmãos do Haiti.
Acolhendo o apelo do Papa, sustentamos a coleta de fundos proposta pela Fundação AVSI para intervir em favor da população e enfrentar a grave emergência humanitária, que se criou na ilha. AVSI está presente no Haiti desde 1999 com alguns projetos que sustentam e apóiam a realidade local.
Para sustentar as atividades da AVSI no Haiti, a conta corrente local para depósitos é:
Banco do Brasil
Agência: 3495-9
Conta-21258-X
Fundação AVSI
CNPJ: 04.186.644/0001-77

A CESAL – organismo espanhol de voluntariado vinculado à AVSI, presente no Haiti com alguns projetos – também está promovendo uma coleta de fundos; para informações pode ser consultado o site www.cesal.org.
Movimento Comunhão e Libertação

sábado, 16 de janeiro de 2010

Cartas do P.e Aldo 129


Asunción, 13 de janeiro de 2010.

Caros amigos,
Esta é a minha Escola de Comunidade com os doentes terminais. Cada quarta-feira, das 11h ao meio-dia. Hoje, foi comovente o testemunho de Ilda, 35 anos, doente de câncer.
Marcos, um rapazinho também com câncer e com uma história de arrepiar nas costas – tanto que sinto calafrios toda vez que me lembro (aos 5 anos já estava na rua, por onde vagabundeou até o dia em que o câncer tomou conta dele, o que nem a polícia havia conseguido até então...!), – disse: “o câncer mudou a minha vida porque me obrigou a vir até aqui, onde encontrei a CASA [ele nunca teve uma casa] de Deus. Estou contente porque esta é a CASA de Deus. Estou feliz porque Jesus me trouxe até aqui. Eu vivia na rua, fui preso três vezes. Um dia, pulei do terceiro andar do hospital onde estava internado, porque estava sendo procurado pela polícia, e consegui escapar, sem nenhum ferimento... participei de tentativas de homicídio, assaltei, feri... experimentei todo tipo de drogas etc. Mas, agora, Jesus me conduziu até aqui e, enquanto que nos primeiros dias eu queria ir embora, agora estou feliz. Aqui, fiz a primeira comunhão e a crisma [lembram-se da foto que enviei há algumas semanas?]. Esta é a CASA de Deus e, por isso, estou feliz. A diferença entre esta CASA de Deus, a prisão, os hospitais onde estive, é que aqui Jesus está presente”.
Que comoção esta insistência sobre a “casa de Deus” que o mudou. Lembra-me o Christe cunctorum, porque Marcos se salvou apenas estando na Casa de Deus, como ele chama a clínica.
Irma retomou o que Marcos disse e completou: “Não apenas é a CASA de Deus porque Ele está presente, mas também porque somos educados a viver cada detalhe, cada instante, como graça, a valorizar cada coisa e nos querermos bem. Por exemplo, aqui eu aprendi a valorizar um copo de água, a amizade dos meus amigos doentes, aqui eu reencontrei o gosto pelo bordado, pelo trabalho. Assim, a minha fantasia foi é educada a não fantasiar: o tempo que me resta livre é para viver a gravidade da minha doença.
Vejo as companheiras morrerem, sofro, porém, depois, chegam outras e aquelas que estão mortas continuam a viver nas novas que ocupam seus leitos. Trabalho com alegria. Isto me ajuda a viver bem a realidade, a minha realidade. Se fosse diferente, eu viveria chorando e me rebelando, o que é muito feio.
Viver a realidade... a minha realidade agora é esta: estou doente e, por isso, me sinto útil. Viver cada instante e ver como é bonito viver, valorizar cada instante da vida. É somente por Deus que continuo, vivo... e, por isso, rezo, peço para aprender a ver a positividade de tudo”.
Padre Aldo

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Cartas do P.e Aldo 128




Asunción, 11 de janeiro de 2010.

Caros amigos,
Voltei para casa, depois de uma semana de férias com 900 pessoas, entre adultos e crianças do Brasil, da Argentina, do Paraguai e duas (Padre Alberto e Stefania) vindas do Equador. Foi a primeira vez, desde que existe o Movimento na América Latina, que tanta gente de países diferentes se reúne em torno de um fato: a amizade de alguns amigos que, com afeto e simplicidade e decisão, levaram a sério o que significa seguir a Carrón, fazendo um trabalho na Escola de Comunidade. A proposta que, por um ano, foi o trabalho fascinante de um grupinho, em companhia de Julián de la Morena, se tornou uma proposta para todos. Uma proposta tão bonita que foi o suficiente o boca-a-boca para que a liberdade de 900 pessoas dissesse “sim”. As férias foram a possibilidade concreta de refazer a cada dia o percurso. Partindo do humano imerso na realidade, guiados por este grupinho de amigos, cada um pôde tocar com a mão o que quer dizer “Tu, ó meu Cristo”. Gestos simples, adequados a todos, em um clima tropical que bastava se mover para suar, tendo presente as exigências de todos, ajudaram a viver olhando Jesus no rosto. Os chamados de atenção essenciais, precisos de Julian de la Morena, a companhia de Marcos e Cleuza, nos permitiram não dar nada por óbvio, mas fazer um trabalho. Aquele trabalho ao qual não estávamos habituados e educados e para o qual Carrón é um guia no modo de fazer Escola de Comunidade. O coração das férias foi o conteúdo da mensagem de Natal de Carrón. Não houve testemunhos, mas o ir a fundo, o buscar as razões, assimilá-las, as razões daquilo que as testemunhas presentes entre nós nos faziam vibrar em nós. Não conseguíamos acreditar em nossos olhos que viam concretamente, vivo na Foz do Iguaçú – que “se tornou Belém”, como nos disse Padre Alberto – “a Presença de Jesus”. Voltamos para casa como os pastores, os magos, com o coração transbordando de letícia, porque, de fato, é possível assim. É possível olhar o humano que existe em nós, como caminho para Jesus, como condição para deixar-se olhar por Ele. Desde sempre se fala de unidade Latino-americana, mas somente nestes dias aconteceu um fato novo, imprevisto, não imaginado: a unidade concreta de povos diversos (pensem no abismo com a Argentina...!) floresceu em torno de um Acontecimento, o “sim” de um pequeníssimo grupo de amigos que, há um ano, se encontram juntos em São Paulo, a cada 15 dias para trabalhar a Escola de Comunidade. Todo é tão simples, como era para os primeiros que O seguiam. O ponto é levá-Lo a sério, segui-Lo na modalidade na qual se apresenta.
Amigos, que belo é partir da própria humanidade e poder dizer “Tu, ó meu Cristo”.
De volta a casa, com o coração cheio daquela Beleza, depois de dez minutos, duas pessoas morreram na clínica. Ainda uma vez aquela beleza – “Tu, ó meu Cristo” – vence o cansaço e me permite estar em companhia dos meus enfermeiros, brindar com todo o afeto que vem de Cristo a assistência necessária para que tudo manifeste a Sua Glória. Frequentemente me perguntam: “você não se cansa nunca?”. E eu respondo: o cansaço caminha com a razão que – sim ou sim – nos compromete com a realidade, de forma que acontece de dormirmos uma hora a mais e, logo em seguida, estarmos acordados como um grilo. Pelo contrário, quando não é a razão que nos guia, quando não é o coração encarnado na realidade, é a fantasia, a imaginação, os nossos esquemas a se meterem a chefes e a consequência é o estresse, que mesmo se formos a Punta del Este ou para a Sardenha seremos derrotados. Quanto mais o coração trabalha, tanto mais repousa, quanto menos trabalha, tanto mais nos estressamos. Assim, foi para cama contente e, no dia seguinte, na clínica, foi uma festa, porque um doente terminal celebrou o seu matrimônio. Que alegria que se disseram a coisa mais bonita que pode dizer o coração: “Prometo amar-te e ser-te fiel para sempre”. Aquele “para sempre” dito pelos meus doentes terminais nos diz a verdade mais bela de uma relação: o amor é ou não é, e se é não tem data de validade. Divorcia-se quem nunca se casou (diria Chesterton), quem nunca amou. Mesmo aqui o problema é a vida e o seu significado, mesmo aqui trata-se de fazer um caminho como para mim, para os meus doentes, para os 900 amigos das férias. Fazer uma experiência que nos permita dizer Tu ao Mistério. E, como para mim, para os meus doentes, para os imprevistos às vezes desagradáveis que caracterizaram as férias de 900 pessoas, tudo faz parte daquela trabalho que nos pede Carrón, para podermos chegar a dizer “Tu” a Cristo.
É um caminho como o caminho de Santiago e de Lourdes (vejam as fotos) que, graças ao câncer, sentiram a urgência de uma definitividade no seu amor, conscientes dos meses que lhes restam, que aquilo que os une com o sacramento é eterno; assim como o coração de um garoto que se apaixona diz a sua namorada: “Amo-te para sempre”, “Sou teu para sempre”. Sejamos sinceros: não há nada mais belo do que aquele “sempre”, porque o coração é feito para o “sempre”, para a “eternidade”.
Padre Aldo

domingo, 3 de janeiro de 2010

Mises e a família


O escritor, poeta e filósofo G.K. Chesterton dizia que a família era uma instituição anarquista. Com isso, ele queria dizer que não é necessário nenhum decreto do estado para que ela venha a existir. Sua existência flui naturalmente de realidades constantes na natureza do homem, sua forma sendo aperfeiçoada pelo desenvolvimento de normas sexuais e pelo avanço da civilização.
Essa observação é consistente com a brilhante discussão sobre a família feita por Ludwig von Mises em sua magistral obra Socialism, publicada em 1922. Por que Mises abordou a família e o casamento em livro de economia que refutava o socialismo? Ele entendeu - ao contrário de muitos economistas de hoje - que os oponentes da sociedade livre e voluntária têm um projeto amplo que geralmente começa com um ataque a essa instituição que é a mais crucial de qualquer sociedade.
"Propostas para transformar as relações entre os sexos há muito vêm de mãos dadas com planos para a socialização dos meios de produção", observa Mises. "O casamento deve desaparecer junto com a propriedade privada... O socialismo promete não apenas o bem-estar - riqueza para todos -, mas também a felicidade universal no amor."
Mises observou que o livro de August Bebel (alemão fundador do Partido da Social Democracia Alemã) Woman Under Socialism, um canto de glória ao amor livre publicado em 1892, foi o tratado esquerdista mais lido de sua época. Esse elo entre socialismo e promiscuidade tinha uma proposta tática. Se você não acreditasse no engodo de uma terra prometida onde a prosperidade surgiria magicamente, então você ao menos podia ter a esperança de que haveria uma libertação da maturidade e da responsabilidade sexual.
Os socialistas propunham um mundo no qual não haveria impedimentos sociais ao ilimitado prazer pessoal, com a família e a monogamia sendo os primeiros obstáculos a serem derrubados. Esse plano funcionaria? Sem chance, disse Mises: o programa socialista para o amor livre é tão impossível quanto o programa para a economia. Ambos vão contra as restrições inerentes ao mundo real.
A família, assim como a estrutura da economia de mercado, não é um produto de políticas; é um produto da associação voluntária, tornada necessária por realidades biológicas e sociais. O capitalismo reforçou o casamento e a família porque é um arranjo que depende do consentimento e do voluntarismo em todas as relações sociais.
Assim, tanto a família quanto o capitalismo compartilham as mesmas fundações institucionais e éticas. Ao tentar abolir essas fundações, os socialistas iriam substituir uma sociedade baseada nos contratos por uma baseada na violência. O resultado seria o total colapso social.
Quando os social-democratas Sidney e Beatrice Webb viajaram para a União Soviética, uma década após o lançamento do livro de Mises, eles relataram uma realidade diferente. Eles encontraram mulheres liberadas do jugo da família e do casamento, vivendo vidas felizes e realizadas. Era uma fantasia tão grande - na realidade, uma fantasia sangrenta - quanto suas alegações de que a sociedade soviética estava se tornando a mais próspera da história.
Atualmente, nenhum intelectual mentalmente são defende o total socialismo econômico; mas uma versão diluída do programa socialista para a família é a força-motriz de várias das políticas sociais mais afamadas mundo afora. Essa agenda anda de mãos dadas com a restrição da economia de mercado em outras áreas.
Não é coincidência alguma que a ascensão do amor livre tenha acompanhado a ascensão e o completo desenvolvimento do estado assistencialista. A ideia da emancipação da necessidade de trabalhar (e de poupar e de investir) e da emancipação de nossa natureza sexual tem origem em um mesmo impulso ideológico: superar as realidades estabelecidas da natureza. Como resultado, a família sofreu - exatamente como Mises previu que aconteceria.
Embora os defensores da família e os proponentes do capitalismo devessem estar unidos em um único programa político visando a esmagar o estado intervencionista, eles tipicamente não estão. Os defensores da família, mesmo os conservadores, frequentemente condenam o capitalismo financeiro como uma força alienadora, e defendem políticas irrefletidas como tarifas, monopólios sindicais e programas de renda mínima para pessoas casadas.
Ao mesmo tempo, os adeptos da livre iniciativa demonstram pouco interesse em relação às genuínas preocupações dos defensores da família. E ambos não parecem interessados nos ataques radicais à liberdade e à família que políticas governamentais como leis do trabalho infantil, escola pública, seguridade social, altos impostos e medicina socializada representam. Na visão de Mises, essa cisão é deletéria.
"Não é nenhum acidente que a proposta de se tratar homens e mulheres como sendo radicalmente iguais, de ter o estado regulando as relações sexuais, de colocar crianças em creches públicas e garantir que filhos e pais permaneçam quase que desconhecidos uns para os outros tenha se originado com Platão", que em nada se importava com a liberdade.
Também não é nenhum acidente que essas mesmas propostas hoje em dia sejam defendidas por pessoas que não têm a mínima consideração pela família e pelas leis econômicas.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Te Deum



Te Deum laudamus: te Dominum confitemur.
Te æternum Patrem omnis terra veneratur.
Tibi omnes Angeli, tibi Cæli, et universæ Potestates: Tibi Cherubim et Seraphim incessabili voce proclamant: Sanctus, Sanctus, Sanctus Dominus Deus Sabaoth.
Pleni sunt cæli et terra majestatis gloriæ tuæ.
Te gloriosus Apostolorum chorus, Te Prophetarum laudabilis numerus, Te Martyrum candidatus laudat exercitus.
Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia, Patrem immensæ majestatis: Venerandum tuum verum et unicum Filium: Sanctum quoque Paraclitum Spiritum. Tu Rex gloriæ, Christe.
Tu Patris sempiternus es Filius, Tu, ad liberandum suscepturus hominem, non horruisti Virginis uterum.
Tu, devicto mortis aculeo, aperuisti credentibus regna cælorum. Tu ad dexteram, Dei sedes, in gloria Patris. Iudex crederis esse venturus.
Te ergo quæsumus, tuis famulis subveni, quos pretioso sanguine redemisti.
Æterna fac cum Sanctis tuis in gloria munerari.
Salvum fac populum tuum, Domine, et benedic hereditati tuæ.
Et rege eos, et extolle illos usque in æternum.
Per singulos dies benedicimus te; Et laudamus Nomen tuum in sæculum, et in sæculum sæculi.
Dignare, Domine, die isto sine peccato nos custodire.
Miserere nostri domine, miserere nostri.
Fiat misericordia tua, Domine, super nos, quemadmodum speravimus in te.
In te, Domine, speravi: non confundar in æternum.


Nós Vos louvamos, ó Deus,
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora,
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus
e todas as Potestades,
os Querubins e os Serafins
Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo,
Senhor Deus do Universo,
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos,
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade,
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória,
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes
a condição humana no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte
e abristes as portas do céu.
Vós estais sentado à direita de Deus,
na glória do Pai,
e de novo haveis de vir para julgar
os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor,
que remistes com vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória,
na assembleia dos vossos Santos.
Salvai o vosso povo, Senhor,
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos
e conduzi-o às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós,
Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia,
Porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus,
não serei confundido eternamente.

Angelus do dia 1o de Janeiro de 2010


Hoje, o Senhor nos permite iniciar um novo ano no Seu Nome e sob o olhar de Maria Santíssima, de quem celebramos a Solenidade da Divina Maternidade. Estou feliz de vos encontrar neste primeiro Angelus de 2010. Dirijo-me a vós, reunidos na Praça São Pedro, e também a todos os que se unem à nossa oração através do rádio e da televisão: desejo a todos vós que o ano apenas começado seja um tempo no qual, com a ajuda do Senhor, possamos ir ao encontro de Cristo e da vontade de Deus, e assim também melhorar a nossa casa comum que é o mundo.
Um objetivo compartilhado com todos, condição indispensável para a paz, é administrar com justiça e sabedoria os recursos naturais da Terra. “Se quiserdes cultivar a paz, custodiai a criação”: a este tema de grande atualidade dediquei a minha mensagem pelo 43º Dia Mundial da Paz. Enquanto a mensagem era publicada, os Chefes de Estado e de Governo estavam reunidos em Copenhagen no encontro sobre o clima, onde emergiu ainda uma vez a urgência de medidas de plano global. Todavia, neste momento, gostaria de sublinhar a importância que, no cuidado com o ambiente, têm também as escolhas dos indivíduos, das famílias e das administrações locais. “Torna-se, agora, indispensável uma efetiva mudança de mentalidade que induza a todos a adotar novos estilos de vida” (cf. Messaggio, n. 11). Todos, de fato, somos responsáveis pela proteção e pelo cuidado com a criação. Por isso, mesmo neste campo, é fundamental a educação: para aprender a respeitar a natureza; orientar-se sempre mais para a “construção da paz a partir das escolhas mais amplas em nível pessoal, familiar, comunitário e político” (ibid.).
Se devemos ter cuidado com as criaturas que nos rodeiam, quanta consideração não devemos ter pelas pessoas, nossos irmãos e irmãs! Quanto respeito pela vida humana! No primeiro dia do ano, gostaria de dirigir um apelo às consciências daqueles que fazem parte dos grupos armados de todo tipo. A todos e a cada um, eu digo: parai, refleti e abandonai a via da violência! Neste momento, este passo poderá parecer-vos impossível, mas, se tiverdes a coragem de dá-lo, Deus vos ajudará, e sentireis voltar para os vossos corações a alegria da paz, que talvez há muito já esquecestes. Confio este apelo à intercessão da Santíssima Mãe de Deus, Maria. Hoje, a liturgia nos lembra que, oito dias depois do nascimento do Menino, ela, junto com seu esposo José, o fizeram circuncidar, segundo as leis de Moisés, e lhe deram o nome de Jesus, como tinha sido chamado pelo anjo (cf. Lc 2,21). Este nome, que significa “Deus salva”, é a realização da revelação de Deus. Jesus é o rosto de Deus, é a benção para cada homem e para todos os povos, é a paz para o mundo. Obrigado, Mãe Santa, porque deste à luz o Salvador, o Príncipe da paz!
Depois do Angelus
Nestes dias, recebi numerosos votos: agradeço a todos com afeto, sobretudo pelo dom da oração. Gostaria de dirigir um voto especial ao Senhor Presidente da República Italiana. A ele, às outras Autoridades de Estado e a todo o povo italiano desejo os melhores votos neste ano apenas começado.
Neste Dia Mundial da Paz, dirijo uma cordial saudação aos participantes da marcha intitulada “Paz em todas as terras”, promovida pela Comunidade de Santo Egídio, em Roma e em muitos outros Países do mundo. Estendo a expressão da minha proximidade espiritual às múltiplas iniciativas pela paz organizadas pelas Igrejas particulares, pelas associações e pelos movimentos eclesiais; penso, de modo especial, naquelas de caráter nacional que aconteceram ontem em Terni e em Áquila.
Mensagem em português: A todos os povos e nações de língua portuguesa - nominalmente aos peregrinos vindos de Angola - aos seus lares e comunidades, aos seus governantes e instituições, desejo a paz do Céu, que hoje vemos reclinada nos braços da Virgem Mãe. Feliz Ano Novo!


* Extraído da Radio Vaticana, traduzido por Paulo R. A. Pacheco.