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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Comentário ao Evangelho do dia - Advento


3ª Semana do Advento - Sexta-feira
     
1ª Leitura - Is 56, 1-3a.6-8
Isto diz o Senhor: "Cumpri o dever e praticai a justiça, minha salvação está prestes a chegar e minha justiça não tardará a manifestar-se". Feliz do homem que assim proceder e que nisso perseverar, observando o sábado, sem o profanar, preservando suas mãos de fazer o mal. Não diga o estrangeiro que aderiu ao Senhor: "Por certo o Senhor me excluirá de seu povo". Aos estrangeiros que aderem ao Senhor, prestando-Lhe culto, honrando o nome do Senhor, servindo-O como servos Seus, a todos os que observam o sábado e não o profanam, "e aos que mantêm aliança comigo, a esses conduzirei ao meu santo monte e os alegrarei em minha casa de oração; aceitarei com agrado em meu altar seus holocaustos e vítimas, pois minha casa será chamada casa de oração para todos os povos". Diz o Senhor Deus, que reúne os dispersos de Israel: "Ainda reunirei com eles outros, além dos que já estão reunidos".

Salmo - Sl 66 (67)
R. Que as nações Vos glorifiquem, ó Senhor,
que todas as nações Vos glorifiquem.
Que Deus nos dê a Sua graça e Sua bênção, *
e Sua face resplandeça sobre nós!
Que na terra se conheça o Seu caminho *
e a Sua salvação por entre os povos. R. 

Exulte de alegria a terra inteira, *
pois julgais o universo com justiça;
os povos governais com retidão, *
e guiais, em toda a terra, as nações. R. 

A terra produziu sua colheita: *
o Senhor e nosso Deus nos abençoa.
Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe, *
e O respeitem os confins de toda a terra! R.

Evangelho - Jo 5, 33-36
Naquele tempo, Jesus disse aos judeus: "Vós mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. Eu, porém, não dependo do testemunho de um ser humano. Mas falo assim para a vossa salvação. João era uma lâmpada que estava acesa e a brilhar, e vós com prazer vos alegrastes por um tempo com a sua luz. Mas eu tenho um testemunho maior que o de João; as obras que o Pai me concedeu realizar. As obras que eu faço dão testemunho de mim, mostrando que o Pai me enviou".

Comentário feito por São Máximo de Turim (? – c. 420)
bispo

Na altura em que todo o universo se encontrava subjugado pelas trevas do diabo e o negrume do pecado reinava sobre o mundo, um novo sol, Cristo, Nosso Senhor, quis, nos últimos tempos e na escuridão da noite, espalhar a claridade de um novo dia. Antes de surgir esta luz, isto é, antes de que se manifestasse "o sol de justiça" (Ml 3, 20), Deus anunciara já, pelos profetas: "Eu vos enviei todos os Meus profetas antes da luz" (Jr 7, 25 [Vulgata]). Mais tarde, o próprio Cristo enviou os Seus raios, ou seja, os Apóstolos, a fazer brilhar a Sua luz e encher de Verdade a terra inteira, a fim de que ninguém se perdesse nas trevas. [...] Nós, os homens, servimo-nos de lâmpadas para levar a cabo as nossas tarefas antes de o sol deste mundo nascer; ora, também o sol de Cristo teve uma lâmpada a preceder a Sua vinda, como diz o salmista: "Preparei uma lâmpada para o Meu Cristo" (Sl 132, 17 [Vulgata]). O Senhor indica-nos quem é esta lâmpada, ao dizer, a respeito de João Batista: "era uma lâmpada ardente e luminosa" (Jo 5, 35). E o mesmo João diz de si mesmo, como se fora o fraco clarão de uma lanterna que se leva à nossa frente: "Mas vai chegar alguém mais forte do que eu, a quem não dou digno de desatar a correia das sandálias. Ele há de vos batizar no Espírito Santo e no fogo" (Lc 3, 16); ao mesmo tempo, percebendo que a sua luz devia desvanecer-se perante os raios desse sol, diz: "Ele é que deve crescer, e eu diminuir" (Jo 3, 30). Com efeito, assim como o clarão de uma lanterna desaparece com a luz do sol, do mesmo modo o batismo de arrependimento de João perde o valor com a chegada da graça de Cristo.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Comentário ao Evangelho do dia - Advento


3ª Semana do Advento - Quinta-feira

1ª Leitura - Is 54, 1-10
Alegra-te, ó estéril, que nunca foste mãe, exulta e regozija-te, tu que nunca deste à luz; os filhos da mulher abandonada são mais numerosos do que os filhos da bem-casada, diz o Senhor. Alarga o espaço de tua tenda e distende bastante as peles das tuas barracas; usa cordas bem longas e finca as estacas com segurança. Farás expansão para um lado e para outro e tua posteridade receberá em herança as nações que povoarão cidades abandonadas. Não tenhas medo, pois não sofrerás afronta alguma; nem te perturbes, pois não tens de que te envergonhar; esquecerás a vergonha sofrida na juventude e não te recordarás mais da humilhação da viuvez. Teu esposo é aquele que te criou, seu nome é Senhor dos exércitos; teu redentor, o Santo de Israel, chama-se Deus de toda a terra. O Senhor te chamou, como a mulher abandonada e de alma aflita; como a esposa repudiada na mocidade, falou o teu Deus. Por um breve instante eu te abandonei, mas com imensa compaixão volto a acolher-te. Num momento de indignação, por um pouco ocultei de ti minha face, mas com misericórdia eterna compadeci-me de ti, diz teu salvador, o Senhor. Como fiz nos dias de Noé, a quem jurei nunca mais inundar a terra, assim juro que não me irritarei contra ti nem te farei ameaças. Podem os montes recuar e as colinas abalar-se, mas minha misericórdia não se apartará de ti, nada fará mudar a aliança de minha paz, diz o teu misericordioso Senhor.

Salmo - Sl 29 (30)
R. Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes!
Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes,*
e não deixastes rir de mim meus inimigos!
Vós tirastes minha alma dos abismos*
e me salvastes, quando estava já morrendo! R. 

Cantai salmos ao Senhor, povo fiel,*
dai-Lhe graças e invocai Seu santo nome!
Pois Sua ira dura apenas um momento,*
mas Sua bondade permanece a vida inteira;
se à tarde vem o pranto visitar-nos,*
de manhã vem saudar-nos a alegria. R. 

Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade!*
Sede, Senhor, o meu abrigo protetor!
Transformastes o meu pranto em uma festa,*
Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos! R.

Evangelho - Lc 7, 24-30
Depois que os mensageiros de João partiram, Jesus começou a falar sobre João às multidões: "O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Ora, os que se vestem com roupas preciosas e vivem no luxo estão nos palácios dos reis. Então, o que fostes ver? Um profeta? Eu vos afirmo que sim, e alguém que é mais do que um profeta. É de João que está escrito: 'Eis que eu envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o meu caminho diante de ti'. Eu vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João. No entanto, o menor no Reino de Deus é maior do que ele. Todo o povo ouviu e até mesmo os cobradores de impostos reconheceram a justiça de Deus, e receberam o batismo de João. Mas os fariseus e os mestres da Lei, rejeitando o batismo de João, tornaram inútil para si mesmos o projeto de Deus".

Comentário feito por Santo Efraim (c. 306-373)
diácono na Síria, doutor da Igreja

"De entre os homens, nenhum é maior do que João." Se todos os santos, esses homens justos, fortes e sábios, pudessem reunir-se e habitar num só homem, não chegariam a igualar João Batista [...], e por isso se diz que em muito ele ultrapassa os homens e que pertence à categoria dos anjos (Mc 1, 2). "Mas o mais pequeno do Reino de Deus é maior do que ele." Com o que disse acerca da grandeza de João, Nosso Senhor quis anunciar-nos a abundante misericórdia de Deus e a Sua generosidade para com os Seus eleitos. Por mais célebre e grandioso que seja João, sê-lo-á menos do que o mais pequeno do Reino, como diz o apóstolo Paulo: "Pois o nosso conhecimento é imperfeito [...] mas, quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá" (1Co 13, 9-10). João é grande, e disse por intuição: "Eis o Cordeiro de Deus" (Jo 1, 29); mas essa grandiosidade, comparada com a glória que será revelada àqueles que dela forem considerados dignos, é como um mero antegosto. Por outras palavras, todas as coisas grandes e admiráveis da terra, comparadas com as beatitudes do alto, surgem-nos na sua pequenez e na sua vacuidade [...]. João foi considerado digno dos grandes dons deste mundo: a profecia, o sacerdócio (cf. Lc 1, 5) e a justiça [...]. João é maior do que Moisés e os profetas, mas a antiga Lei precisa do Novo Testamento, pois aquele que é maior do que os profetas disse ao Senhor: "Eu é que tenho necessidade de ser batizado por Ti" (Mt 3, 14). João é igualmente grande porque a sua concepção foi anunciada por um anjo, porque o seu nascimento esteve envolto em milagres, porque anunciou Aquele que dá a vida, porque batizou para a remissão dos pecados. [...] Moisés conduziu o povo até ao Jordão e a Lei conduziu o gênero humano até ao batismo de João. Mas "se de entre os homens, nenhum é maior do que João", o precursor do Senhor, quão maiores serão aqueles a quem nosso Senhor lavou os pés e em quem insuflou o Seu Espírito (Jo 13, 4; Jo 20, 22)!

domingo, 11 de dezembro de 2011

Comentário ao Evangelho do dia - Advento


3º Domingo do Advento

1ª Leitura - Is 61, 1-2a.10-11
O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo da graça do Senhor. Exulto de alegria no Senhor e minh'alma regozija-se em meu Deus; Ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa, ou uma noiva com suas jóias. Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações.

Salmo - Lc 1, 46-48.49-50.53-54
R. A minh'alma se alegra no meu Deus (Is 61, 10b).
A minha alma engrandece o Senhor,*
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
porque olhou para a humildade de Sua serva.* 
Doravante as gerações me chamarão bem-aventurada. R.

porque o Todo-poderoso fez grandes coisas 
em meu favor.* O Seu nome é santo,
e Sua misericórdia se estende, de geração em geração,*
a todos os que O respeitam. R.

Encheu de bens os famintos,*
e despediu os ricos de mãos vazias.
Socorreu Israel, Seu servo,*
lembrando-se de Sua misericórdia. R.

2ª Leitura - 1Ts 5, 16-24
Irmãos, estai sempre alegres! Rezai sem cessar. Dai graças em todas as circunstâncias, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. Não apagueis o espírito! Não desprezeis as profecias, mas examinai tudo e guardai o que for bom. Afastai-vos de toda espécie de maldade! Que o próprio Deus da paz vos santifique totalmente, e que tudo aquilo que sois - espírito, alma, corpo - seja conservado sem mancha alguma para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo! Aquele que vos chamou é fiel; Ele mesmo realizará isso.

Evangelho - Jo 1, 6-8.19-28
Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz: Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: "Quem és tu?". João confessou e não negou. Confessou: "Eu não sou o Messias". Eles perguntaram: "Quem és, então? És tu Elias?". João respondeu: "Não sou". Eles perguntaram: "És o Profeta?". Ele respondeu: "Não". Perguntaram então: "Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?". João declarou: "Eu sou a voz que grita no deserto: 'Aplainai o caminho do Senhor' - conforme disse o profeta Isaías". Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus e perguntaram: "Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?". João respondeu: "Eu batizo com água; mas no meio de vós está Aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de Suas sandálias". Isso aconteceu em Betânia além do Jordão, onde João estava batizando.

Comentário feito por São Gregório Magno (c. 540-604)
papa e doutor da Igreja

"Eu batizo com água, mas no meio de vós está Quem vós não conheceis." Não é no espírito, mas em água que João batiza. Incapaz de perdoar os pecados, ele lava pela água o corpo dos batizados, mas não lava o espírito pelo perdão. Então por que é que ele batiza, se não perdoa os pecados pelo seu batismo? Por que, a não ser para permanecer no seu papel de precursor? Tal como, nascendo, precedeu o Senhor que ia nascer, assim também, batizando, precede o Senhor que ia batizar. Precursor de Cristo pela sua pregação, ele o foi também dando um batismo que era uma imagem do sacramento que estava para vir. João anunciou um mistério quando declarou que Cristo estava no meio dos homens e que eles não O conheciam, pois o Senhor, quando Se revelou na carne, era ao mesmo tempo visível no Seu corpo e invisível na Sua majestade. E João acrescenta: "O que vem depois de mim passou à minha frente" (Jo 1, 15) [...]; e explica as causas da superioridade de Cristo quando precisa: "Porque existia antes de mim", como que para dizer claramente: "Se é superior a mim, tendo nascido depois de mim, é porque o tempo do Seu nascimento não o restringe dentro dos seus limites. Nascido de uma mãe no tempo, foi gerado pelo Pai fora do tempo". João manifesta o humilde respeito que Lhe deve, prosseguindo: "Não sou digno de desatar as correias das Suas sandálias". Era costume entre os antigos que, se alguém se recusasse a desposar uma jovem que lhe estava prometida, desatasse a sandália do que viesse a ser seu marido. Ora Cristo manifestou-Se como Esposo da santa Igreja. [...] Mas porque os homens pensavam que João era o Cristo – coisa que o próprio João negou –, ele declara-se indigno de desatar a correia da Sua sandália. É como se dissesse claramente [...]: "Eu não adoto incorretamente o nome de esposo" (cf Jo 3, 29).

sábado, 10 de dezembro de 2011

Comentário ao Evangelho do dia - Advento


2ª Semana do Advento - Sábado

1ª Leitura - Eclo 48, 1-4.9-11
Naqueles dias, o profeta Elias surgiu como um fogo, e sua palavra queimava como uma tocha. Fez vir a fome sobre eles e, no seu zelo, reduziu-os a pouca gente. Pela palavra do Senhor fechou o céu e de lá fez cair fogo por três vezes. Ó Elias, como te tornaste glorioso por teus prodígios! Quem poderia gloriar-se de ser semelhante a ti? Tu foste arrebatado num turbilhão de fogo, num carro de cavalos também de fogo, tu, nas ameaças para os tempos futuros, foste designado para acalmar a ira do Senhor antes do furor, para reconduzir o coração do pai ao filho, e restabelecer as tribos de Jacó. Felizes os que te viram, e os que adormeceram na tua amizade!

Salmo - Sl 79 (80)
R. Convertei-nos, ó Senhor,
resplandecei a vossa face e nós seremos salvos!
Ó Pastor de Israel, prestai ouvidos.*
Vós que sobre os querubins vos assentais.
Despertai vosso poder, ó nosso Deus*
e vinde logo nos trazer a salvação! R. 

Voltai-vos para nós, Deus do universo!+
Olhai dos altos céus e observai.*
Visitai a vossa vinha e protegei-a!
Foi a vossa mão direita que a plantou;*
protegei-a, e ao rebento que firmastes! R. 

Pousai a mão por sobre o vosso Protegido,*
o filho do homem que escolhestes para vós!
E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus!*
Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome! R.

Evangelho - Mt 17, 10-13
Ao descerem do monte, os discípulos perguntaram a Jesus: "Por que os mestres da Lei dizem que Elias deve vir primeiro?". Jesus respondeu: "Elias vem e colocará tudo em ordem. Ora, eu vos digo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles". Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista.

Comentário feito por Afraates (?-c. 345)
monge e bispo perto de Mossul, santo das Igrejas ortodoxas 

Nosso Senhor diz que João é o maior dos profetas, mas ele recebeu o espírito de maneira moderada, uma vez que obteve um espírito semelhante ao que Elias recebera. Tal como Elias permanecera na solidão, o Espírito de Deus enviou João para o deserto, para as montanhas e as grutas. Um corvo havia voado em auxílio de Elias para o alimentar; João comia gafanhotos. Elias usava um cinto de pele; João vestia uma faixa de pele em torno dos rins. Elias foi perseguido por Jezabel; Herodíades perseguiu João. Elias repreendera Acab; João censurou Herodes. Elias dividira as águas do Jordão; João inaugurou o batismo. O duplo do espírito de Elias pousou sobre Eliseu; João impôs as mãos ao nosso Salvador, que recebeu o Espírito sem medida (Jo 3,34). Elias abriu o céu e subiu, João viu os céus se abrirem e o Espírito de Deus descer a pousar sobre o nosso Salvador.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Comentário ao evangelho do dia

Martírio de São João Batista

1ª Leitura - Jr 1,17-19
Naqueles dias a Palavra do Senhor foi-me dirigida: "Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer: não tenhas medo, senão, eu te farei tremer na presença deles. Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te", diz o Senhor.

Evangelho - Mc 6,17-29
Naquele tempo, Herodes tinha mandado prender João, e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. João dizia a Herodes: "Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão". Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava. Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: "Pede-me o que quiseres e eu to darei". E lhe jurou dizendo: "Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino". Ela saiu e perguntou à mãe: "O que vou pedir?". A mãe respondeu: "A cabeça de João Batista". E, voltando depressa para junto do rei, pediu: "Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista". O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram.

Comentário feito por Lansperge, o Cartuxo (1489-1539)
religioso e teólogo

João não viveu para si próprio nem morreu para si próprio. A quantos homens carregados de pecados a sua vida dura e austera não terá levado à conversão? A quantos homens a sua morte não merecida não terá encorajado a suportar as provas? E a nós, de onde nos vem hoje a ocasião para darmos fielmente graças a Deus, senão da lembrança de São João Batista, assassinado pela justiça, ou seja por Cristo? [...] Sim, João Batista sacrificou de todo o coração a sua vida terrena por amor de Cristo; preferiu menosprezar as ordens do tirano que as de Deus. Este exemplo  ensina-nos que nada nos deve ser mais querido que a vontade de Deus. Agradar aos homens não serve de grande coisa; em geral, até prejudica grandemente. [...] Por esta razão, com todos os amigos de Deus, morramos para os nossos pecados e as nossas preocupações, pisemos o nosso amor próprio desviado e deixemos crescer em nós o amor fervoroso a Cristo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Comentário ao evangelho do dia

Santa Luzia

Evangelho - Mt 21,23-27
Naquele tempo, Jesus voltou ao Templo. Enquanto ensinava, os sumos sacerdotes e os anciãos do povo aproximaram-se dele e perguntaram: "Com que autoridade fazes estas coisas? Quem te deu tal autoridade?". Jesus respondeu-lhes: "Também eu vos farei uma pergunta. Se vós me responderdes, também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. Donde vinha o batismo de João? Do céu ou dos homens?". Eles refletiam entre si: "Se dissermos: 'Do céu', ele nos dirá: 'Por que não acreditastes nele?". Se dissermos: 'Dos homens', temos medo do povo, pois todos têm João Batista na conta de profeta". Eles então responderam a Jesus: "Não sabemos". Ao que Jesus também respondeu: "Eu também não vos direi com que autoridade faço estas coisas".

Comentário feito por Santo Agostinho (354-430)
Bispo de Hipona (norte de África) e Doutor da Igreja 

"Muitos profetas e justos desejaram ver o que estais a ver, e não viram" (Mt 13, 17). Estes santos personagens, com efeito, cheios do Espírito de Deus para anunciar a vinda de Cristo, desejavam com ardor gozar da Sua presença sobre a terra, se assim fosse possível. Foi por essa razão que Deus adiou a partida de Simeão deste mundo; queria que ele pudesse contemplar, na pessoa de uma criança recém-nascida, Aquele por Quem o mundo foi criado (Lc 2, 25 ss.). [...] Simeão viu-O com feições de menino; João, ao contrário, viu-O quando Ele já ensinava e escolhia os Seus discípulos. Onde? Nas margens do rio Jordão. [...] É aí, neste batismo de preparação que Lhe abria caminho, que encontramos um símbolo e uma aproximação do baptismo de Jesus Cristo: "preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas" (Mt 3, 3). O próprio Senhor quis ser batizado pelo Seu servo para fazer compreender a graça que recebem àqueles que recebem o batismo em nome do Senhor. Foi aí que começou o Seu reino, como que a cumprir a profecia: "dominará de um ao outro mar, do grande rio até aos confins da terra" (Sl 72 (71), 8). Nas margens do rio onde o domínio de Cristo começa viu João o Salvador: viu-O, reconheceu-O e prestou-Lhe testemunho. João humilhou-se perante a grandeza divina a fim de merecer que a sua humildade fosse ressalvada pela mesma grandeza. Declara-se o amigo do esposo (Jo 3, 29). Que amigo? Aquele que caminha em pé de igualdade? Longe disso! Qual é a distância que ele guarda? Diz ele: "não sou digno de me inclinar para Lhe desatar as correias das sandálias" (Mc 1, 7). 

sábado, 31 de julho de 2010

Comentário ao evangelho do dia

Santo Inácio de Loyola

Evangelho - Mt 14, 1-12
Naquele tempo, a fama de Jesus chegou aos ouvidos do governador Herodes. Ele disse a seus servidores: "É João Batista, que ressuscitou dos mortos; e, por isso, os poderes miraculosos atuam nele". De fato, Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na prisão, por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe. Pois João tinha dito a Herodes: "Não te é permitido tê-la como esposa". Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta. Por ocasião do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades dançou diante de todos, e agradou tanto a Herodes que ele prometeu, com juramento, dar a ela tudo o que pedisse. Instigada pela mãe, ela disse: "Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista". O rei ficou triste, mas, por causa do juramento diante dos convidados, ordenou que atendessem o pedido dela. E mandou cortar a cabeça de João, no cárcere. Depois a cabeça foi trazida num prato, entregue à moça e esta a levou para a sua mãe. Os discípulos de João foram buscar o corpo e o enterraram. Depois foram contar tudo a Jesus. 

Comentário feito por São Pedro Damião (1007-1072)
eremita e seguidamente bispo, Doutor da Igreja 

João foi Precursor de Cristo pelo nascimento, pela pregação, pelo batismo e pela morte. [...] Seremos capazes de descobrir uma única virtude, um só gênero de santidade que o Precursor não tenha possuído no mais alto grau? Entre os santos eremitas, nunca nenhum impôs a si mesmo esta regra de ter apenas por alimento mel silvestre, ao qual se junta essa coisa incomestível: gafanhotos! Alguns renunciam ao mundo e fogem dos homens para viver santamente, mas João era apenas uma criança [...] quando se adentrou no deserto e escolheu resolutamente viver em solidão. Renunciou a suceder a seu pai no cargo de sacerdote, a fim de poder anunciar com toda a liberdade o Pai verdadeiro e soberano. Os profetas predisseram antecipadamente a vinda do Salvador, os apóstolos e os outros mestres da Igreja atestam que essa vinda teve realmente lugar, mas João mostrou-O presente entre os homens. Muitos guardaram a virgindade e não sujaram a brancura das suas túnicas (cf. Ap 14, 4), mas João renunciou a toda a companhia humana, a fim de arrancar pela raiz os mais intensos desejos da carne e, cheio de fervor espiritual, viveu entre os animais selvagens. João preside ao próprio cerne do coração escarlate dos mártires, como mestre de todos eles: combateu valentemente pela verdade e morreu por ela. Tornou-se o chefe de todos aqueles que lutam por Cristo e, primeiro que todos eles, cravou no céu o estandarte triunfal do martírio.