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quarta-feira, 19 de maio de 2010

No domingo, eu estava presente


Carta enviada ao Jornal Avvenire*

Eu também estava na Praça São Pedro, com a minha família e os amigos de CL de Rímini. Há muitas leituras possíveis do gesto de domingo, 16 de maio de 2010: desde a política – “prova de força dos católicos italianos” – até a psicológico-sentimental – “sermos em tantos dá coragem”.
Penso que o modo justo de compreender o que aconteceu é partir do que seja a Igreja: um povo que busca o seu destino de salvação guiado por um pastor, colocado no posto incômodo do Fundador. Então, quando os tempos se fazem difíceis, nos aproximamos do pastor, ou do pai – se soa melhor – mas, de qualquer maneira, nos aproximamos de uma pessoa; não para buscar consolação, mas porque, objetivamente, é aquela pessoa que garante que não estamos perdendo tempo, que não arriscamos nossa vida atrás de fantasmas.
E as duzentas mil pessoas que estavam na Praça São Pedro fizeram isso: para além das sensibilidades pessoais diversas, dos estilos diferentes, reconfirmaram a confiança, o abandono – eu diria – à promessa de vida eterna e feliz garantida por Aquele de quem aquele velho vestido de branco é o vigário e a testemunha. Foi perceptível especialmente nos dez minutos de espera entre a abertura da janela e o aparecimento daquela minúscula forma branca, quando, ansiosamente, se esperava poder tocar, pelo menos com o olhar, aquele a quem podemos seguir, quando todo o resto vacila. E junto com isso havia também o encorajamento – talvez teologicamente incorreto, mas muito humano – me parece: força, não hesite, estamos com você, rezamos por você, guie-nos sem desistir.
E o Papa acolheu esse encorajamento. A sua comoção era muito evidente – mesmo para nós que escutávamos apenas a sua voz – em certos estremecimentos, em certas ênfases: ouviu-se muito bem que ele estava emocionado e contente. E agora, então? Continuamos, nós e ele, reforçados na certeza de que fazemos parte – cada um no modo em que foi chamado – de uma história imensa, bela e difícil de viver.

* Escrito por Keass, sócio de SamizdatOnLine, publicado no dia 19 de maio de 2010. Traduzido por Paulo R. A. Pacheco.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Realismo razoável e revolucionário


A audiência geral de quarta-feira, 05 de agosto de 2009, foi uma audiência à la Ratzinger: sóbria, concisa, mas sobretudo cheia de significado. Renato Farina, no jornal Libero, definiu esta audiência de forma sublime: Bento XVI, com o seu sorriso encantador e a sua voz de serafim, morde. Repetiu o nome do diabo, declarando-lhe guerra. Chama-se “Ditadura do Relativismo” (SamizdatOnLine).

O Papa, a Igreja e a República
150 anos depois da morte de São Cura d’Ars, Bento XVI quis recordá-lo, colhendo a força profética que marcou a sua personalidade humana e sacerdotal, evidenciando o aspecto de altíssima atualidade desta figura. Considerando-se que, na França pós-revolucionária, existia a “ditadura do racionalismo”, na época atual – explicou o Santo Padre – registra-se, em muitos ambientes, um tipo de “ditadura do relativismo”. Ambos são respostas inadequadas à justa urgência do homem no uso pleno da própria razão como elemento distintivo e constitutivo da própria identidade. O racionalismo foi inadequado porque não levou em consideração os limites humanos e pretendeu elevar a razão à única medida de todas as coisas, transformando-a em uma deusa; o relativismo contemporâneo mortifica a razão, porque, de fato, chega a afirmar que o ser humano não pode conhecer nada com certeza para além do campo científico positivo. Hoje, porém, como então, o homem “mendicante de significado e de realização” busca respostas exaustivas para as perguntas de fundo que não cessa de se colocar.
E as perguntas sobre si, que o homem de todos os tempos, se coloca são exatamente aquelas que o poder, em todas as suas variantes, tenta suprimir com todos os meios; são perguntas que fazem com que a Igreja se torne um inimigo a ser combatido e abatido porque somente nela conseguem encontrar uma resposta adequada e realização. Para entender como as palavras de Ratzinger não são falatório vazio de um velhinho senil basta ler o jornal La Repubblica que, cada vez mais, se está configurando no dispensador da moral, mais do que em jornal cotidiano. Num artigo de Stefano Rodotà, a Igreja não só é acusada de querer colocar “as mãos na vida” (sic!), como também de mostrar uma pretensão autoritária e ilegal de fazer da Itália um lugar onde às mulheres é impedida a possibilidade de fazer as mesmas escolhas que é possível fazer em quase todos os outros países europeus, portanto, é acusada de limitar a liberdade de escolha das mulheres. Enfim, para o La Repubblica, a Igreja estaria agindo somente em função de pretensões fundamentalistas, de falsificações de dados científicos e de irados protestos.
Certamente nem o La Repubblica, nem o exímio Rodotà – para quem a única coisa que conta é, no caso, dar às mulheres a possibilidade de escolher entre uma intervenção cirúrgica, definida como dolorosa, e uma “milagrosa” pílula – usarão a RU486. Se o La Repubblica e Rodotà fossem honestos até o fim não se subtrairiam, porém, da necessidade de esclarecer um importante aspecto: quem recorre ao aborto cirúrgico o faz em um hospital, pagando o preço de uma diária hospitalar; no aborto farmacológico, porém, a mulher não apenas se encontra sozinha em casa, mas também, para que o aborto seja completo, deverá esperar 15 dias que serão tudo menos indolores.
Portanto, a Igreja pode até ter “pretensões fundamentalistas”, mas La Repubblica e Rodotà propagam deformações ideológicas a mancheias.

LEIA MAIS:
- Por que acusam o Papa de ignorância e dogmatismo, quando ele nos convida à pesquisa do infinito?
Constantino Esposito, no IlSussidiario.net

* Editorial de SamizdatOnLine, do dia 12 de agosto de 2009 (escrito por Censurarossa). Traduzido por Paulo R. A. Pacheco.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Perseguição contra os cristão no mundo


No Paquistão, as autoridades se apressaram em dizer que a carneficina contra os cristão, concluída com a morte de sete pessoas, entre as quais uma criança, era obra de islâmicos fora da lei. É a expressão “fora da lei” que preocupa e que, no fundo, esconde uma realidade muito dura para todos os cristãos que vivem em países muçulmanos onde mesmo a lei impede, pouco ou muito, a sua liberdade (como é o caso do Paquistão), países nos quais arriscam a vida e arriscam até mesmo de serem extintos. E, enquanto isso, a ONU e a União Européia titubeiam (SamizdatOnLine).

A sobrevivência das comunidades cristãs em países muçulmanos é frequentemente obstaculizada por atos de violência que se concluem, muitas vezes, com o homicídio de inocentes. As recentes perseguições no Paquistão reacendem o debate sobre os desencontros religiosos e, particularmente, para os cristãos que constituem uma minoria nesses lugares.
Julho de 2009 encerrou-se com uma série de eventos trágicos para o Paquistão. No dia 30 de julho, centenas de militantes islâmicos invadiram a vila cristã de Koriyan, perto de Gojra. O seu slogan preferido é dizer que os cristãos têm a mesma religião que os soldados americanos e, portanto, são inimigos e merecem a morte. Primeiro, atiraram pedras, depois usaram gasolina e bombas, queimando, além das casas de crentes, duas igrejas protestantes. Na invasão, pelo menos oito pessoas – entre as quais quatro mulheres e uma criança de 7 anos – foram queimadas vivas e outras vinte ficaram feridas.
O pretexto que desencadeou a onde de ódio foi, desta vez, a falsa acusação de blasfêmia contra Talib Masih, que teria queimado algumas páginas do Corão durante uma cerimônia de matrimônio no dia 29 de julho, em Koriyan. A verdade é que, como é comum se fazer, no fim da cerimônia na igreja, os convidados jogaram no casal flores, arroz, algumas moedas (para desejar prosperidade ) e bilhetes com frases de saudação ou salmos. Os cristãos, que no Paquistão representam uma minoria de pouco mais de 2% da população, em resposta às acusações, organizaram uma procissão nas áreas muçulmanas, desencadeando a ira dos membros do “Sipah-e-Sahaba”, um grupo islâmico tido como “fora da lei” pelo governo paquistanês.
O drama da perseguição dos cristãos no mundo passa muito frequentemente desapercebido em nosso país, onde parece ter mais importância os casos pessoais dos homens públicos. É nosso dever, porém, sublinhar que o ódio anticristão não tem limites, e que nos países menos ocidentalizados este ódio desemboca em atos de violência. É preciso sensibilizar a opinião pública sobre o problema das perseguições contra os cristãos e sobre as origens do ódio do qual nem mesmo o nosso país está livre. De fato, se de um lado as notícias provenientes do Paquistão evidenciam uma situação descontrolada da qual os cristãos são as vítimas, de outro não falta quem afirme que certos eventos não aconteceriam se as religiões não existissem.
O debate sobre as perseguições está, portanto, aberto. Mas, para além das conjecturas dos nossos compatriotas, é preciso solicitar à comunidade internacional uma intervenção que proteja os mais fracos, que são, quase sempre, as primeiras vítimas destas violências.

LEIA MAIS:
- O relato do frade franciscano: “Vi meus parentes serem queimados”

Maria Vittoria, no Blog Anna Vercors
- Paquistão: oito cristãos queimados vivos
Redação do Corriere della Sera
- Oito cristãos queimados vivos no Punjab
Redação do Asia News

* Editorial de
SamizdatOnLine, do dia 05 de agosto de 2009 (escrito por Seraphim). Traduzido por Paulo R. A. Pacheco.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Aborto: algo bem diferente de moratória


Não obstante as sérias e documentadas dúvidas sobre os perigos do remédio RU486, a AIFA (Agência Italiana de Fármacos; ndt) se prondunciou a favor de sua comercialização na Itália. Mas, a AIFA não tornou público tudo: por exemplo, o dossier sobre as vinte e nove mortes depois da ingestão de mifepristone (esteróide sintético que compõe o RU486; ndt), a troca de correspondências entre o Ministério e os técnicos da AIFA, e sobretudo as motivações dos técnicos da AIFA, que deveriam explicar para a opinião pública porque sustentam que este medicamento abortivo tenha todos os requisitos de segurança para ser comercializado. A AIFA deveria, além do mais, esclarecer como a ingestão da pílula abortiva poderia ser compatível com a lei 194 (a lei 194 foi assinada em 22/05/1978 pelo senado italiano e normatiza a tutela social da maternidade e a interrupção voluntária da gravidez; ndt) e com os pareceres do Conselho Superior de Saúde.
Enquanto isso, a ex-ministra Livia Turco está satisfeita (cf. texto publicado no Il Sussidiario clicando aqui)...

LEIA MAIS:
- O “sim” da AIFA não elimina as dúvidas...

Assuntina Morresi, no Il Sussidiario
- Roccella afirmou: “Muitas mortes, é perigosa”
Redação do Il Giornale
- Dossier RU486
Redação do Salute Femminile
- Aborto, biotestamento e lei 40...
Eugenia Roccela, no Il Sussidiario
- Apelo feito à AIFA pela Scienza & Vita
Scienza e Vita
- É incompatível com a lei 194
Francesco Cossiga, no Il Sussidiario
- A RU486 chega à Itália. Vaticano condena duramente
Redação do Corriere della Sera

* Editorial de SamizdatOnLine, do dia 31 de julho de 2009 (editorial). Traduzido por Paulo R. A. Pacheco.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Caros africanos, “se virem...”!


“Vocês devem renunciar à tirania e à corrupção... os conflitos locais são uma pedra amarrada ao pescoço da África”. “O futuro da África depende dos africanos, mesmo que seja mais fácil colocar a culpa dos próprios problemas em outras pessoas... se é verdade que o Ocidente teve muitas vezes uma postura de senhorio, ele porém não é responsável pela destruição da economia do Zimbabwe, pelas guerras com as crianças-soldados, pela corrupção ou pelo tribalismo”.
Viva! Temos que agradecer com o coração na mão o presidente Obama (Leia o artigo no jornal La Stampa, clicando aqui), por ter dito aquilo que muitos missionários católicos dizem há anos; às vezes na indiferença geral e, muitas vezes, atraindo para si críticas ferozes. Pois é. Nem sempre é concedido a todos o direito de fazer afirmações “politicamente incorretas”.
Tentem imaginar o que teria acontecido se as mesmas palavras tivessem sido pronunciadas pelo predecessor de Obama - o presidente Bush -, ou pelo atual Presidente do Conselho Italiano - Silvio Berlusconi. Já dá para ver! Choveriam, de todos os lados, acusações de “cinismo”, “crueldade”, “racismo”, “violação dos direitos humanos” etc.
Também Bento XVI, na sua recente viagem, expressou conceitos muito semelhantes, chamando a atenção dos regimes corruptos para a responsabilidade pessoal, mas naquele caso tudo foi coberto por polêmicas (criadas com arte) sobre uma frase relativa ao uso de preservativos. Mas, se Obama tivesse dito a mesma coisa, não teria acontecido nada.
Melhor assim. Obrigado, Barack!... Querendo, poderia também lembrar que muitos dos africanos feitos escravos e transportados para a América foram capturados e vendidos aos europeus por outros africanos. Por exemplo, “o reino Ashanti (1570-1900), localizado na África, em uma região do Gana, prosperou graças ao ouro presente na região e, em seguida, graças ao comércio de escravos: capturavam pessoas nos regiões próximas para revendê-los como escravos aos europeus”.
Mas, tudo bem! Talvez, agora, se poderá falar serenamente sobre como calibrar as ajudas aos países em vias de desenvolvimento, de modo que sejam de fato eficazes, e não sirvam apenas para engordar o bolso de algum governo africano corrupto, ou os aparatos das agências da ONU, ou pior ainda sustentando grupos de guerrilheiros sedentos de sangue.
Talvez se começará, finalmente, a entender que – para usar as palavras da economista do Zâmbia, Dambisa Moyo – “o sustento público internacional destrói cada tentativa de reforma, de desenvolvimento, de capacidade de criar riqueza nacional e exportá-la. Alimenta a corrupção e os conflitos internos, e favorece a manutenção de longos regimes de governo”. Também um outro economista africano, o queniano James Shikwati, pensa assim: as ajudas financiam enormes burocracias, contribuem a tornar ainda maior a corrupção, sufocam a livre iniciativa, permitem aos líderes políticos ignorarem as necessidades de seus conterrâneos. Criaram uma mentalidade preguiçosa em todos os canos e habituaram os africanos a serem dependentes e mendicantes. Entre os exemplos mais clamorosos, Shikwati cita a Nigéria e a República Democrática do Congo que, apesar de suas imensas riquezas, não fizeram nada para reduzir a pobreza e fazem de tudo para serem classificadas entre as nações mais necessitadas para receberem ajudas.
Este é exatamente o paradoxo africano: quanto mais aumentam os recursos, mais a pobreza cresce. Na Nigéria, por décadas considerada a primeira produtora de petróleo da África subsaariana, 70% da população vive com menos de um dólar por dia e 92,8% com menos de 2 dólares (cf. Tempi, do dia 21/07/2009, clicando aqui).
Tudo isso não alivia os países industrializados da obrigação de olhar de frente para a realidade e assumirem a responsabilidade de ajudar os africanos, compartilhando um pleno desenvolvimento: único caminho em direção a uma autonomia real.

* Editorial de SamizdatOnLine, do dia 28 de julho de 2009, escrito por Gino. Traduzido por Paulo R. A. Pacheco.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O tédio não é para os santos


Por Berlicche

Oscar Milosz, no seu “Miguel Mañara”, coloca na boca do grande sedutor cansado de conquistar esta frase: “Servi a Vênus com raiva, depois com malícia e desgosto. Hoje, torceria o seu pescoço, bocejando”. Esta frase não deve ser conhecida por aquela que, num artigo publicado no Messaggero, afirma suavemente que “nada é mais tedioso do que a santidade”.
Na realidade, como bem sabemos todos nós que vivemos, é o pecado que é insuportavelmente tedioso. Comer, beber, substâncias estranhas, mulheres, homens, a um certo momento o cérebro para de responder aos estímulos, e é preciso ir sempre mais além... algo que desperte por um instante os sentidos já acostumados. Condena-se a prazeres forçados, e não é uma bela pena.
Não existe nada de menos tedioso do que ser santos: porque a santidade não quer dizer respeitar regras, quer dizer amar a fonte de cada regra, confiar-se totalmente a ela, como a criança nos braços da mãe. Mas, é melhor buscar ser santos e não conseguir do que desprezar o conceito mesmo de santidade e nem mesmo ter tentado. Se não se quer ser santos, então se busca, na melhor das hipótese, ser bons; não conseguindo, contenta-se com o ser moralistas.
Se olharem a vida dos santos, vocês se darão conta que não existe nenhuma que não tenha sido plena. Pelo contrário, não ser santos, isto é ligados Àquele que é a satisfação de todo desejo, é a fonte da tristeza na vida. Se não se reconhece esta satisfação, foge-se dela; se a santidade é desprezada, então não se é mais triste: fica-se desesperado, porque além do instante não há mais esperança, mas apenas o nada eterno.

* Extraído de Berlicche: il cielo visto dal basso, do dia 23 de julho de 2009. Traduzido por Paulo R. A. Pacheco.

Educar: fazer crescer homens capazes de construir o futuro

“Quem não vê que existe um nexo persuasivo entre as hipóteses educativas circulantes e o edifício social que, de fato, se está construindo?”, perguntou-se, nos últimos dias, o cardeal Angelo Bagnasco, presidente dos bispos italianos. Que grande verdade e que formidável juizo sobre as próximas eleições nos ofereceu o cardeal (SamizdatOnLine)

Não por acaso este aspecto do seu discurso não foi muito valorizado, enquanto que se deu muita ênfase ao seu chamado de atenção sobre a questão dos salários mais adequados às necessidades das famílias.
A pergunta retórica de Dom Bagnasco poderia ser traduzida assim: diz-me como educas e te direi que sociedade estás construindo. Dirigida aos políticos, a pergunta apresenta esta primeira declinação: diz-me se para ti a questão da educação é central e te direi se teu programa se apoia sobre fundamentos sólidos.
Educar significa fazer crescer homens capazes de construir o futuro. A quem, pensando no estado da nossa escola, vem à cabeça que, entre aquelas salas de aula, se está construindo um futuro positivo para a nossa sociedade?
A política louva os jovens, os coloca na lista como cabos eleitorais, mas é incapaz de pronunciar palavras sérias e não instrumentais sobre sua necessidade primária que é a educativa.
Um sacerdote toscano do século XIX, Giovanni Battista Quilici, viveum no meio de grandes emergências sociais que soube enfrentar com o método da caridade cristã. Na sua Livorno houve até uma epidemia de cólera que provocou muitas mortes. Ele escreveu às autoridades dizendo que a emergência educativa, a carência de educação para os garotos e garotas de seu tempo, era um problema social devastante, mais do que a peste mortal. Era precisa alguém que se empenhasse em “ajustar a mente e reformar o coração” dos jovens. Uma extraordinária definição de educação.
O objetivo da política é permitir, a quem é capaz de educar, que possa fazê-lo. Quem é capaz de falar aos jovens, de provocar a sua razão, de alimentar a sua inteligência, di solicitar a comparação com as exigências insuprimíveis de seu coração, deve ser livre para fazê-lo. Em nosso país está aberta uma grande questão política: a liberdade de educação. Eis a segunda declinação da pergunta dirigida aos políticos: o teu programa prevê a liberdade de educação?
É um sinal dramático da crise cultural dos nossos tempos que um jornalista famoso permita-se, sem suscitar reações indignadas, reduzir a uma caricatura o tema da liberdade de educação. Por sorte um outro jornalista, também famoso, anunciou que este será o principal ponto da sua campanha eleitoral.
Liberdade de educação quer dizer deixar as famílias livres para escolher a escola que julgam mais adequada para a necessidade de verdade e de beleza de seus filhos. A liberdade deve ser completa, mesmo no plano econômico. Há mil razões – que, aqui, é impossível resumir – para sustentar que a liberdade de educação faz bem a toda a escola, mesmo a pública. É preciso liberar energias, romper um monopólio que se mostrou falho. O objetivo do Estado é – uma vez garantida a liberdade – vigiar para que se evitem abusos.
Restituamos a plena liberdade de educar a quem é seu legítimo titular – famílias, comunidades locais, confissões religiosas – e teremos, amanhã, mais homens capazes de construir o futuro. A sociedade renasce apenas a partir da educação e a educação vive apenas na liberdade.

* Texto extraído de SamizdatOnLine, do dia 07 de maio de 2009, escrito por Valerio Lessi. Traduzido por Paulo R. A. Pacheco.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Do que vivem os homens?


“Do que vivem os homens?”, se pergunta uma novela russa. “É o mundo que abandonou a Igreja ou a Igreja que abandonou o mundo?”, se pergunta Eliot. O ponto é exatamente o abandono. Justamente o contrário da postura de Deus: Ele está presente, com todo Si mesmo. Assim como fez dom Giussani, junto com tantos outros santos: se tornou presente, por aquilo que era, com o seu “sim” (SamizdatOnLine)

Vocês já os viram algumas vezes. Chegam quando a obscuridade começa a descolorir as coisas, e as luzes se acedem. São jovens, rapazolas. Colocam-se no murinho, no banquinho, sentando-se onde dá. Não se é muito exigente nesta idade. Muitos têm nas mãos as garrafas. Frequentemente de cerveja, raramente de vinho. E, depois, vodka, rum... de manhã, os vazios serão como as tristes sentinelas de uma outra noite passada.
Não! Não me digam que também no nosso tempo se fazia assim. Eu me lembro. Sim, algumas vezes se ia a uma festa e se bebia muito. Mas eram as exceções; ou porque não se tinha dinheiro ou porque não se tinha oportunidade. E, provavelmente, porque se tinha outras coisas para fazer. Uma vida para viver, cheia de promessas, pelo menos para muitos de nós.
Muitas pessoas me dizem que muitos desses jovens não caminham mais. Não caminham porque não sabem para onde ir. Não parece existir nada pelo que valha a pena se sacrificar, ou até mesmo fazer algum esforço. Não digo correr, mas nem mesmo caminhar. E mesmo aqueles que caminham parecem ir quase todos para lugares próximos.
Temos uma grande culpa. Demos a eles tudo aquilo que podiam desejar para ir vivendo, e sustentamos a afirmação de que não existia nada além daquilo. Nenhuma experiência do passado, nenhuma promessa, somente um contínuo presente. Mas, qual é o sentido deste presente? E se não tem sentido, o que é esta dor, este vazio que nem mesmo o cigarro ou a vodka conseguem preencher?
Pode-se vetar, justamente, o veneno. Mas, o que é que consegue preencher o vazio? Quem pode preencher o vazio que tem a forma de um homem?

* Editorial de SamizdatOnLine, do dia 21 de julho de 2009, escrito por Berliche. Traduzido por Paulo R. A. Pacheco.