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domingo, 3 de julho de 2011

Comentário ao evangelho do dia

São Pedro e São Paulo

1ª Leitura - At 12,1-11
Naqueles dias, o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João. E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender a Pedro. Eram os dias dos Pães ázimos. Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentá-lo ao povo, depois da festa da Páscoa. Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele. Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam a porta da prisão. Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: "Levanta-te depressa!". As corrrentes caíram-lhe das mãos. O anjo continuou: "Coloca o cinto e calça tuas sandálias!". Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: "Põe tua capa e vem comigo!". Pedro acompanhou-o, e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão. Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou. Então Pedro caiu em si e disse: "Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!".

2ª Leitura - 2Tm 4,6-8.17-18
Caríssimo, quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças; ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém.

Evangelho - Mt 16,13-19
Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?". Eles responderam: "Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; Outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas". Então Jesus lhes perguntou: "E vós, quem dizeis que eu sou?". Simão Pedro respondeu: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo". Respondendo, Jesus lhe disse: "Feliz es tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus".

Comentário feito por São Bernardo (1091-1153)
monge cisterciense e doutor da Igreja

É com razão, irmãos, que a Igreja aplica aos santos apóstolos Pedro e Paulo estas palavras do Sábio: "Aqueles foram homens de misericórdia, cujas obras de piedade não foram esquecidas. Na sua descendência permanecem os seus bens, e a sua herança passa à sua posteridade" (Eclo 44, 10-11). Sim, podemos, com propriedade, chamar-lhes homens de misericórdia; porque eles obtiveram misericórdia para eles próprios, porque estão cheios de misericórdia, e porque foi na Sua misericórdia que Deus no-los deu. Vede, com efeito, que misericórdia eles obtiveram. Se interrogardes o apóstolo São Paulo sobre este assunto [...], ele vos dirá estas palavras acerca de si mesmo: "Antes fora blasfemo, perseguidor e violento. Mas alcancei misericórdia, porque agi por ignorância, sem ter fé ainda" (1 Tm 1,13). De fato, não sabemos nós o mal que ele fez aos cristãos de Jerusalém [...] e até aos de toda a Judeia? [...] Quanto ao bem-aventurado Pedro, tenho outra coisa a dizer-vos, e coisa sublime quanto única. Com efeito, se Paulo pecou, fê-lo sem o saber, porque não tinha fé; Pedro, pelo contrário, tinha os olhos bem abertos no momento da queda (Mt 26,69ss). Mas "onde abundou o pecado, superabundou a graça" (Rm 5,20). [...] Se São Pedro pôde elevar-se a um tal grau de santidade depois de uma queda tão pesada, quem poderá desesperar a partir de então, por pouco que persevere em sair de seus pecados? Atentai no que diz o Evangelho: "E Pedro [...], saindo para fora, chorou amargamente" (v. 75) [...]. Ouvistes que misericórdia obtiveram os apóstolos, e daí em diante ninguém dentre vós será esmagado pelas faltas passadas mais do que for preciso [...]. Se pecaste, não pecou Paulo ainda mais? Se caíste, não caiu Pedro de maneira bem mais grave do que tu? Ora, um e outro, pela penitência, não só obtiveram a salvação como se tornaram grandes santos, e tornaram-se mesmo ministros da salvação, mestres da santidade. Faz portanto o mesmo, irmão, pois é por ti que a Escritura lhes chama "homens de misericórdia".

domingo, 4 de julho de 2010

Comentário ao evangelho do dia

Solenidade de São Pedro e São Paulo

Evangelho - Mt 16, 13-19
Naquele tempo: Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?" Eles responderam: "Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; Outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas". Então Jesus lhes perguntou: "E vós, quem dizeis que eu sou?" Simão Pedro respondeu: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo". Respondendo, Jesus lhe disse: "Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus".

Comentário feito por Aelred de Rielvaux (1110-1167)
monge cisterciense 

Todos os apóstolos são "pilares da terra" (Sl 74, 4), mas o são em primeiro lugar os dois cuja festa celebramos. Eles são os dois pilares que conduzem a Igreja, através dos seus ensinamentos, da sua oração e do exemplo da sua perseverança. Estes pilares foram alicerçados pelo próprio Senhor. Inicialmente, eram fracos e não eram capazes de guiar, nem a si próprios, nem aos outros. E aqui aparece o grande desígnio do Senhor: se tivessem sido sempre fortes, poder-se-ia pensar que a sua força vinha deles. O Senhor, antes de os fortalecer, também quis mostrar aquilo de que eram capazes, para que todos soubessem que a sua força vem de Deus. O Senhor é que fundou estes pilares da terra, ou seja, da Santa Igreja. É por isso que devemos louvar com todo o coração os nossos santos pais, que suportaram tantos tormentos pelo Senhor e que perseveraram com tanta força. Perseverar na alegria, na prosperidade e na paciência não vale grande coisa. Grande é aquele que é apedrejado, chicoteado, agredido por amor a Cristo, e em tudo isso persevera com Cristo (2Cor 11, 25). É grande ser amaldiçoado e abençoar com Paulo [...], ser como a escória do mundo e disso tirar glória (1Cor 4, 12-13). [...] E que dizer de Pedro? Mesmo que nada tivesse suportado por Cristo, bastava ter sido crucificado por Ele para o festejarmos até hoje. A cruz foi a sua estrada. 

terça-feira, 29 de junho de 2010

Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo

Bento XVI

Angelus

Praça São Pedro
Terça-feira, 29 de junho de 2010

Caros irmãos e irmãs,
hoje, a Igreja de Roma festeja as suas santas raízes, celebrando os Apóstolos Pedro e Paulo, cujas relíquias são custodiadas nas duas Basílicas a eles dedicadas e que ornam toda a Cidade cara aos cristãos residentes e peregrinos. A solenidade começou ontem à noite com a oração das Primeiras Vésperas na Basílica Ostiense. A liturgia do dia propõe a profissão de fé de Pedro diante de Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16, 16). Não é uma declaração que nasceu de um raciocínio, mas de uma revelação do Pai ao humilde pescador da Galileia, como Jesus confirma dizendo: “nem carne nem sangue te revelaram isto” (Mt 16, 17). Simão Pedro é de tal forma próximo do Senhor que se tornou uma rocha de fé e de amor sobre a qual Jesus edificou a sua Igreja e “a tornou – como observa São João Crisóstomo – mais forte do que o céu mesmo” (Hom. in Matthaeum 54, 2: PG 58, 535). De fato, o Senhor conclui dizendo: “tudo aquilo que ligares na terra será ligado no céu, e tudo aquilo que desligares na terra será desligado no céu” (Mt 16, 19).
São Paulo – de quem, recentemente, celebramos os dois mil anos de nascimento –, com a Graça divina, difundiu o Evangelho, semeando a Palavra da verdade e da salvação em meio aos povos pagãos. Os dois Santos Padroeiros de Roma, mesmo tendo recebido de Deus carismas diferentes e missões diversas para cumprir, são fundamentos da Igreja una, santa, católica e apostólica, “permanentemente aberta à dinâmica missionária e ecumênica, porque enviada ao mundo para anunciar e testemunhar, atualizar e expandir o mistério de comunhão que a constitui” (Congregação para a Doutrina da Fé, Communionis notio, 28 de maio de 1992, n. 4: AAS 85 [1993], 840). Por isso, durante a Santa Missa desta manhã na Basílica Vaticana, entreguei o Pálio a trinta e oito Arcebispos Metropolitanos, que simboliza tanto a comunhão com o Bispo de Roma, quanto a missão de apascentar com amor o rebanho único de Cristo. Nesta solenidade, desejo também agradecer de coração à Delegação do Patriarcado Ecumênico, o testemunho de vínculo espiritual entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla.
Que o exemplo dos Apóstolos Pedro e Paulo ilumine as mentes e acenda nos corações dos fiéis o santo desejo de cumprir a vontade de Deus, para que a Igreja peregrina sobre a terra seja sempre fiel ao seu Senhor. Voltemos, confiantes, para a Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos, que do Céu guia e sustenta o caminho do Povo de Deus.

Depois do Angelus
Saúdo cordialmente os peregrinos francófonos e, particularmente, aqueles que acompanham os Arcebispos para quem acabo de consignar o Pálio! A Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, Colunas da Igreja, não lembra que Deus constrói sobre a rocha da nossa fé que é irrigada pelo ensinamento de Cristo transmitido pelos Apóstolos. Que nós possamos acolher a graça desta festa, para sermos como os primeiros cristãos: assíduos na fração do pão e atentos ao ensinamento dos Apóstolos, para sermos um só coração, uma só alma, solidamente enraizados no amor de Deus. Boa festa a todos!
Ofereço uma recepção calorosa a todos os visitantes de língua inglesa, que se reuniram para a oração do Angelus. A Solenidade de hoje, dos Santos Pedro e Paulo, Padroeiros da Igreja de Roma, convida-nos a agradecer pela fé que recebemos dos Apóstolos na comunhão da Igreja. Como sinal dessa unidade, nesta manhã, conferi o Pálio a um grupo de Arcebispos Metropolitanos de todo o mundo. Peço-vos que rezai para que, pela intercessão dos Apóstolos, eles possam ser verdadeiros arautos do Evangelho e modelos de caridade pastoral para o rebanho que lhes foi confiado. Sobre todos vós, invoco ricas bênçãos dos Senhor!
Uma cordial saudação para os Arcebispos Metropolitanos da Angola e do Brasil que acabaram de receber o Pálio, e também para os familiares e amigos que os acompanham: a Santíssima Virgem guie e proteja maternalmente a cada um deles e ao Rebanho que lhes foi confiado.

* Extraído do site oficial do Vaticano, no dia 29 de junho de 2010. Traduzido por Paulo R. A. Pacheco. Houve também saudações dirigidas aos peregrinos de língua espanhola, alemã, aos poloneses, aos tchecos, aos eslovacos e eslovenos.