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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sagrada Família


Sagrada Família de Jesus,
Maria e José,
rogai por nós!

* Medalhão da Sagrada Família, de Cláudio Pastro.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Fazei tudo o que ele vos disser



Encontro com os jovens casais

Discurso do Santo Padre Bento XVI

Praça do Plebiscito, Ancona
Domingo, 11 de setembro de 2011

Caros casais,
Fico feliz por concluir esta jornada intensa, ponto alto do Congresso Eucarístico Nacional, encontrando-vos, quase querendo confiar a herança deste evento de graça às vossas jovens vidas. De resto, a Eucaristia, dom de Cristo para a salvação do mundo, indica e contém o horizonte mais verdadeiro da experiência que estais vivendo: o amor de Cristo como plenitude do amor humano. Agradeço ao Arcebispo de Ancona-Osimo, Dom Edoardo Menichelli, por sua saudação cordial e profunda, e a todos vós por esta participação tão viva; obrigado também pelas perguntas que me dirigistes e que eu recebo confiando na presença em nosso meio do Senhor Jesus: Ele apenas tem palavras de vida eterna, palavras de vida para vós e para o vosso futuro!
As perguntas que fizestes, no atual contexto social, assumem um peso ainda maior. Gostaria de oferecer-vos apenas algumas orientações para uma resposta. Devido a certos aspectos, nosso tempo não é fácil, sobretudo para vós jovens. A mesa está cheia de muitas coisas deliciosas, mas, como no episódio evangélico das Bodas de Caná, parece que faltou o vinho da festa. Sobretudo a dificuldade para encontrar um trabalho estável estende um véu de incerteza sobre o futuro. Esta condição contribui para adiar a tomada de decisões definitivas, e incide de forma negativa sobre o crescimento da sociedade, que não consegue valorizar plenamente a riqueza de energias, de competências e de criatividade da vossa geração.
Falta o vinho da festa mesmo numa cultura que tende a prescindir de claros critérios morais: na desordem, cada um é impulsionado a se mover de maneira individual e autônoma, frequentemente apenas no perímetro do presente. A fragmentação do tecido comunitário se reflete num relativismo que ataca os valores essenciais; a consonância de sensações, de estados de ânimo e de emoções parece mais importante do que o compartilhamento de um projeto de vida. Mesmo as escolhas de fundo se tornam frágeis, expostas a uma perene revogação, que frequentemente é entendida como expressão de liberdade, enquanto que, na verdade,assinala justamente a carência de liberdade. Pertence a uma cultura privada do vinho da festa também a aparente exaltação do corpo, que, na realidade, banaliza a sexualidade e tende a fazer com que ela seja vivida fora de um contexto de comunhão de vida e de amor.
Caros jovens, não tenhais medo de enfrentar estes desafios! Nunca percais a esperança. Tende coragem, mesmo nas dificuldades, permanecendo firmes na fé. Estai certos de que, em toda circunstância, sois amados e guardados pelo amor de Deus, que é a nossa força. Deus é bom. Por isto é importante que o encontro com Deus, sobretudo na oração pessoal e comunitária, seja constante, fiel, exatamente como é o caminho do vosso amor: amar a Deus e sentir que Ele me ama. Nada nos pode separar do amor de Deus! Estai certos, pois, de que também a Igreja está próxima de vós, vos sustenta, não cessa de olhar para vós com grande confiança. Ela sabe que tendes sede de valores, os verdadeiros, sobre os quais valha a pena construir a vossa casa! O valor da fé, da pessoa, da família, das relações humanas, da justiça. Não vos desencorajeis diante das carências que parecem apagar a alegria do banquete da vida. Nas Bodas de Caná, quando o vinho faltou, Maria convidou os servos a se dirigirem a Jesus e lhes deu uma indicação precisa: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2, 5). Guardai como um tesouro estas palavras, as últimas de Maria relatadas pelos Evangelhos, quase como um testamento espiritual, e sempre tereis a alegria da festa: Jesus é o vinho da festa!
Como noivos, vós estais vivendo um tempo único, que abre para a maravilha do encontro e ajuda a descobrir a beleza de existir e de ser preciosos para alguém, de poder dizer reciprocamente: tu és importante para mim. Vivei com intensidade, de modo progressivo e com verdade este caminho. Não renunciai à tarefa de perseguir um ideal alto de amor, reflexo e testemunho do amor de Deus! Mas, como viver esta fase da vossa vida, testemunhar o amor na comunidade? Gostaria de vos dizer, antes de tudo, que evitai fechar-vos em relacionamentos intimistas, falsamente seguros; fazei, pelo contrário, que a vossa relação se torne fermento de uma presença ativa e responsável na comunidade. Não esquecei, pois, que, para ser autêntico, também o amor solicita um caminho de amadurecimento: a partir da atração inicial e do “sentir-se bem” com o outro, educai-vos a “querer bem” ao outro, a “querer o bem” do outro. O amor vive de gratuidade, de sacrifício de si, de perdão e de respeito pelo outro.
Caros amigos, todo amor humano é sinal do Amor eterno que nos criou, cuja graça santifica a escolha de um homem e de uma mulher de se entregarem reciprocamente na vida do matrimônio. Vivei este tempo do noivado na espera confiante de um dom como este, que será recebido na medida em que percorreis um caminho de conhecimento, de respeito, de atenção que não deveis nunca perder de vista: é somente assim que a linguagem do amor permanecerá significativa mesmo com o correr dos anos. Educai-vos, pois, desde agora, à liberdade da fidelidade, que vos leva a ser guardiões uns dos outros, até ao ponto de viverem um para o outro. Preparai-vos para escolher com convicção o “para sempre” que está por trás do amor: a indissolubilidade, antes de ser uma condição, é um dom desejado, solicitado e vivido, para além de toda mutável situação humana. E não pensai, segundo uma mentalidade difusa, que a convivência seja garantia para o futuro. Queimar as etapas acaba por fazer “queimar” o amor, que, pelo contrário, precisa do respeito pelo tempo e pela progressão nas expressões; precisa que dê espaço a Cristo, que é capaz de tornar um amor humano fiel, feliz e indissolúvel. A fidelidade e a continuidade do vosso querer bem vos tornará capazes também de serdes abertos para a vida, de serdes genitores: a estabilidade da vossa união no Sacramento do Matrimônio permitirá aos filhos que Deus quererá vos dar que cresçam confiantes na bondade da vida. Fidelidade, indissolubilidade e transmissão da vida são os pilares de toda família, verdadeiro bem comum, patrimônio precioso para toda a sociedade. Desde já, fundai sobre esses valores o vosso caminho rumo ao matrimônio e testemunhai-o também aos vossos coetâneos: é um serviço precioso! Sede gratos a todos os que, com empenho, competência e disponibilidade, vos acompanham na formação: são sinal da atenção e do cuidado que a comunidade cristão tem por vós. Não permanecei sós: buscai e acolhei a companhia da Igreja.
Gostaria de retornar ainda sobre um ponto essencial: a experiência do amor tem em si a tensão para Deus. O verdadeiro amor promete o infinito! Fazei, portanto, deste vosso tempo de preparação para o matrimônio um itinerário de fé: redescobri, para a vossa vida de casal, a centralidade de Jesus Cristo e do caminhar na Igreja. Maria nos ensina que o bem de cada um depende da escuta dócil da palavra do Filho. Em que se confia a Ele, a água da vida cotidiana se transforma em vinho de um amor que torna boa, bela e fecunda a vida. Caná, de fato, é anúncio e antecipação do dom do vinho novo da Eucaristia, sacrifício e banquete no qual o Senhor nos alcança, nos renova e transforma. Não perdei a importância vital deste encontro: a assembleia litúrgica dominical vos encontre plenamente participantes: da Eucaristia brota o senso cristão da existência e um novo modo de viver (cf. Esort. ap. postsin. Sacramentum caritatis, 72-73). E, então, não tereis medo de assumir a difícil responsabilidade da escolha conjugal, não temereis entrar neste “grande mistério” no qual duas pessoas se tornam uma só carne (cf. Ef 5, 31-32).
Caríssimos jovens, confio-vos à proteção de São José e de Maria Santíssima; seguindo o convite da Virgem Mãe – “Fazei tudo o que ele vos disser” – não vos faltará o gosto da verdadeira festa e sabereis levar a todos o “vinho” melhor, aquele que Cristo dá para a Igreja e para o mundo. Gostaria de dizer-vos que também eu estou próximo de vós e de todos aqueles que, como vós, vivem este maravilhoso caminho de amor. Abençoo-vos com todo o coração!

* Extraído do site do Vaticano, do dia 11 de setembro de 2011. Traduzido por Paulo R. A. Pacheco.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Empenhem-se para fazer crescer a cultura da vida...


Bento XVI
Angelus

Praça São Pedro
Domingo, 6 de fevereiro de 2011

Caros irmãos e irmãs!
No Evangelho deste domingo, o Senhor Jesus diz aos seus discípulos: “Vós sois o sal da terra... Vós sóis a luz do mundo” (Mt 5, 13s). Com estas imagens ricas de significado, Ele quer transmitir a eles o sentido de sua missão e de seu testemunho. O sal, na cultura do Oriente Médio, evoca diversos valores como a aliança, a solidariedade, a vida e a sabedoria. A luz é a primeira obra  de Deus Criador e é fonte da vida; a mesma Palavra de Deus é comparada à luz, como proclama o salmista: “Lâmpada para os meus passos é a tua palavra, luz sobre o meu caminho” (Sl 119, 105). E sempre na Liturgia de hoje o profeta Isaías diz: “Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne. Então, brilhará tua luz como a aurora” (58, 10). A sabedoria resume em si os efeitos benéficos do sal e da luz: de fato, os discípulos do Senhor são chamados a dar novo “sabor” ao mundo, e a preservá-lo da corrupção, com a sabedoria de Deus, que resplandece plenamente no rosto do Filho, porque Ele é a “luz verdadeira que ilumina todo homem” (Jo 1, 9). Unidos a Ele, os cristãos podem difundir, em meio às trevas da indiferença e do egoísmo, a luz do amor de Deus, verdadeira sabedoria que dá significado à existência e ao agir dos homens.
No próximo dia 11 de fevereiro, memória da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, celebraremos a Jornada Mundial do Doente. Ela é ocasião propícia para refletir, para rezar e para aumentar a sensibilidade das comunidades eclesiais e da sociedade civil para com os irmãos e irmãs doentes. Na Mensagem para essa Jornada, inspirado por uma expressão da Primeira Carta de Pedro: “Através dos seus ferimentos é que fostes curados” (2, 24), convido a todos para contemplarem Jesus, o Filho de Deus, que sofreu, morreu, mas ressuscitou. Deus se opõe radicalmente à prepotência do mal. O Senhor cuida do homem em todas as situações, compartilha o sofrimento e abre o coração para a esperança. Exorto, por isso, todos os agentes sanitários a reconhecerem no doente não apenas um corpo marcado pela fragilidade, mas antes de tudo uma pessoa, para quem se deve doar toda a solidariedade e oferecer respostas adequadas e competentes. Neste contexto, recordo, além do mais, que hoje acontece na Itália a “Jornada pela Vida”. Desejo que todos se empenhem para fazer crescer a cultura da vida, para colocar no centor, em todas as circunstâncias, o valor do ser humano. Segundo a fé e a razão, a dignidade da pessoa é irredutível às suas faculdades ou às capacidades que pode manifestar, e por isso não pode diminuir quando a pessoa está fragilizada, inválida e necessitada de ajuda.
Caros irmãos e irmãs, invoquemos a materna intercessão da Virgem Maria, para que os pais, os avós, os professores, os sacerdotes e todos os que se empenham com a educação, possam formar as jovens gerações para a sabedoria do coração, para que alcancem a plenitude da vida.

(Depois do Angelus, o Papa disse: Caros irmãos e irmãs, nestes dias, sigo com atenção a delicada situação da querida Nação Egípcia. Peço a Deus que aquela terra, abençoada pela presença da Santa Família, reencontre a tranquilidade e a pacífica convivência, no compromisso compartilhado pelo bem comum).

* Texto extraído do site do Vaticano, do dia 6 de fevereiro de 2011. Traduzido por Paulo R. A. Pacheco.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Cartas do P.e Aldo 176

Asunción, 06 de janeiro de 2011.

Há nove anos, na paróquia São Rafael, seguindo a liturgia natalícia, celebramos a família de modo solene, no dia da Sagrada Família. Uma tradição que quisemos colocar como alternativa àquelas iniciativas maçônicas e laicistas que festejam o dia das mães no mês de maio e o dia – quase não observado – dos pais em junho.
Não existe “maternidade” ou “paternidade” sem família, sem aquele lugar original, criado pelo mesmo Deus, como é contado no Gêneses, quando o Onipotente afirma “façamos o homem à nossa imagem e semelhança... homem e mulher. (...) O homem abandonará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne”. E foi assim. O matrimônio monogâmico e heterossexual foi uma iniciativa divina que nem mesmo o pecado original conseguiu destruir.
Todavia, as consequências do pecado original se tornaram evidentes imediatamente: nem o homem nem a mulher sozinhos conseguiram viver mais naquela comunhão original. Por esse motivo, foi necessária a Encarnação de Jesus que instituiu o Sacramento do Matrimônio, ou seja, a possibilidade tanto para o homem como para a mulher de voltar a viver aquela experiência única e original – a de ser uma só carne – que Deus mesmo havia dado de presente a eles, os criando.
O matrimônio está na origem da família como único lugar onde acontece o milagre da paternidade e da maternidade. Por esse motivo, na cultura niilista de hoje, como sua dupla visada de relativismo e de hedonismo, eliminou-se a festa da família, substituindo-a com o dia das mães e o dia dos pais. Pai não é quem fecunda uma mulher, nem mãe é aquela que expele uma criatura do seu ventre. Também os animais fazem essas coisas. Pai e mãe é um dom do Alto, fruto de uma vocação divina que chama o homem e a mulher a formarem um lar no qual se louve o nome do Senhor e se permite a Deus, através dos filhos, levar adiante o seu plano de salvação.
Num mundo que festeja até o dia do agente funerário, somente a Igreja festeja a família, recordando a Sagrada Família de Nazaré. No Paraguai não há categoria de pessoas que não tenham um dia dedicado à sua profissão... e pobre da pessoa que não cumprimenta o festejado!
Por isso, todos os anos, no primeiro domingo depois do Natal, na nossa paróquia, celebramos este dia benzendo e entregando às crianças a vassoura.
Por que a vassoura? Porque é o símbolo da limpeza, da ordem na casa, porque é o instrumento doméstico mais antigo e comum. Porque São Martinho de Porres chegou à santidade usando a vassoura com amor, oferecendo a Cristo o seu trabalho. Para as crianças, como lhes expliquei, lembrando de minha infância, é o primeiro contato com o trabalho físico da casa, é a modalidade para que compreendam a ordem, a limpeza, a beleza.
Por isso, foi bonito, no domingo dia 26 de dezembro, quando pedi às crianças para subirem ao altar para me mostrarem se sabiam usar uma vassoura. Muitos sim, outros não. Então, peguei a vassoura e, diante de todos, expliquei a eles como se pega e como se usa. Há 20 anos sou fiel a este gesto.
Aprenderam rápido o uso e o significado do gesto. Depois, rindo, expliquei a eles como os meus pais usavam a vassoura na minha bunda, quando eu fazia alguma má-criação, para que eu pudesse entender como viver.
Foi, de fato, bonito esse gesto, porque me agrada pensar ainda em Jesus que, desde pequeno, aprendeu a amar e a usar a vassoura ajudando os seus pais, antes de usar a serra e o martelo etc.
Creio que a vassoura seja um dos instrumentos mais antigos e familiares do mundo. Por isso, disse às crianças que merece muito respeito, explicando também como recolocá-la no seu lugar, com a ponta do cabo para baixo e “os cabelos” para cima.
O novo Paraguai, aquele que nasce do encontro com Cristo, não passa em primeiro lugar pela política nem pela economia, mas pela vassoura. Ou seja, pela família que educa os seus filhos.
Padre Aldo.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Comentário ao evangelho do dia

Sagrada Família de Jesus, Maria e José

1ª Leitura - Eclo 3,3-7.14-17a (gr.2-6.12-14)
Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe. Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração cotidiana. Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. Quem honra o seu pai, terá alegria com seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. Quem respeita o seu pai, terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe. Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida, a caridade feita a teu pai não será esquecida, mas servirá para reparar os teus pecados e, na justiça, será para tua edificação.

2ª Leitura - Cl 3,12-21
Irmãos, vós sois amados por Deus, sois os seus santos eleitos. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também. Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição. Que a paz de Cristo reine em vossos corações, à qual fostes chamados como membros de um só corpo. E sede agradecidos. Que a palavra de Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria. Do fundo dos vossos corações, cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças. Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Por meio dele dai graças a Deus, o Pai. Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor. Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem.

Evangelho - Mt 2,13-15.19-23
Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: "Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo". José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito. Ali ficou até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: "Do Egito chamei o meu Filho". Quando Herodes morreu, o anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e lhe disse: "Levanta-te, pega o menino e sua mãe, e volta para a terra de Israel; pois aqueles que procuravam matar o menino já estão mortos". José levantou-se, pegou o menino e sua mãe, entrou na terra de Israel. Mas, quando soube que Arquelau reinava na Judéia, no lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Por isso, depois de receber um aviso em sonho, José retirou-se para a região da Galiléia, e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos profetas: "Ele será chamado Nazareno".

Comentário feito por Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787)
bispo e Doutor da Igreja

Um anjo apareceu em sonhos a São José, e avisou-o de que Herodes andava à procura do Menino Jesus para Lhe tirar a vida: "Levanta-te, toma o Menino e Sua Mãe e foge para o Egito". Assim pois, ainda mal nasceu, já Jesus é perseguido de morte. [...] José obedece sem demora à voz do anjo, acordando sua santa esposa. Pega em algumas ferramentas que pudesse levar consigo, a fim de exercer a sua profissão no Egito e de ter com que sustentar a família. Maria, por seu turno, reúne as roupas necessárias a seu divino Filho; e depois, aproximando-se do berço onde Ele repousava, ajoelha-se, beija os pés de seu querido Filho e, por entre lágrimas de ternura, diz-Lhe: "Meu Filho e meu Deus, que vieste ao mundo para salvar os homens; ainda mal nasceste e já os homens vêm à Tua procura para Te dar a morte!". Pega Nele e, continuando a chorar, os dois santos esposos fecham a porta e põem-se a caminho durante a noite. [...] Meu bem-amado Jesus, Tu és o Rei do Céu e vejo-Te errar como fugitivo sob a aparência de uma criança. Que procuras? Diz-me. A Tua pobreza e o Teu abaixamento emocionam-me de compaixão; mas aquilo que me aflige mais é a negra ingratidão com que Te vejo tratado por aqueles que vieste salvar. Tu choras, e também eu choro, por ter sido um daqueles que Te desprezaram e Te perseguiram; a partir de agora, porém, preferirei a Tua graça a todos os reinos do mundo. Perdoa-me todos os ultrajes que Te fiz; permite-me que, na viagem desta vida para a eternidade, Te leve no meu coração, a exemplo de Maria, que Te levou nos seus braços durante a fuga para o Egito. Meu Redentor bem-amado, foram muitas as vezes em que Te expulsei da minha alma, mas tenho confiança, agora que voltaste a tomar conta dela. E suplico-Te que a prendas a ti pelas doces correntes do Teu amor.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A beleza é a grande necessidade do homem...



Viagem Apostólica a Santiago de Compostela e a Barcelona
(6 e 7 de novembro de 2010)

Santa Missa com Dedicação
Da Igreja da Sagrada Família e do Altar

Homilia do Santo Padre Bento XVI

Barcelona, 7 de novembro de 2010

Amados irmãos e irmãs no Senhor
“Este dia é consagrado ao Senhor vosso Deus, então não vos lamenteis, nem choreis... a alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8, 9-10). Com estas palavras da primeira leitura que proclamamos desejo saudar todos vós que estais aqui presentes para participara desta celebração. Saúdo afetuosamente às Suas Majestades o Rei e a Rainha da Espanha, que quiseram, muito cordialmente, unir-se a nós. A minha grata saudação ao Senhor Cardeal Lluís Martínez Sistach, Arcebispo de Barcelona, pelas palavras de boas-vindas e pelo convite que dirigiu a mim para a dedicação desta igreja da Sagrada Família, maravilhosa síntese de técnica, arte e fé. Saúdo também o Cardeal Ricardo María Carles Gordó, Arcebispo emérito de Barcelona, os outros Senhores Cardeais e Irmãos no Episcopado, especialmente o Bispo auxiliar desta Igreja particular, bem como os numerosos sacerdotes, diáconos, seminaristas, religiosos e fiéis que participam desta solene celebração. Ao mesmo tempo, saúdo deferentemente as Autoridades Nacionais, Regionais e Locais, assim como os membros de outras comunidades cristãos, que se unem à nossa alegria e louvor grato a Deus.
Este dia é um ponto significativa de uma longa história de aspirações, de trabalho e de generosidade, que dura há mais de um século. Nestes momentos, gostaria de recordar algumas das pessoas que tornaram possível a alegria que hoje nós invade a todos: dos promotores até aos executores desta obra; dos arquitetos e pedreiros a todos aqueles que ofereceram, de um modo ou de outro, a sua insubstituível contribuição para tornar possível a progressiva construção deste edifício. E lembremo-nos, sobretudo, daquele que foi a alma e o artífice deste projeto: Antoni Gaudì, arquiteto genial e cristão coerente, cuja chama da fé ardeu até o fim de sua vida, vivida com dignidade e austeridade absoluta. Este evento é também, de algum modo, o ponto culminante e a desembocadura de uma história desta terra catalã que, sobretudo a partir do final do século XIX, ofereceu ao mundo uma multidão de santos e de fundadores, de mártires e de poetas cristãos. História de santidade, de criações artísticas e poéticas, nascidas da fé, que hoje acolhemos e apresentamos como oferta a Deus nesta Eucaristia.
A alegria que experimento no poder presidir esta celebração cresceu quando soube que este edifício sagrado, desde suas origens, é extremamente ligado à figura de São José. Comoveu-me, especialmente, a segurança com a qual Gaudì, diante das inúmeras dificuldades que teve que enfrentar, exclamava cheio de confiança na divinia Providência: “São José completará o templo”. Por isso, agora, não é sem significado o fato de que seja um Papa cujo nome de batismo é José a dedicá-lo.
O que significa dedicar esta igreja? No coração do mundo, diante do olhar de Deus e dos homens, num humilde e alegre ato de fé, erguemos uma imensa quantidade de matéria, fruto da natureza e de um incalculável esforço da inteligência humana, construtora desta obra de arte. Ela é um sinal visível do Deus invisível, cuja glória é celebrada pela elevação das torres, e pelas flechas que indicam o absoluto da luz e dAquele que é a Luz, a Altura e a Beleza mesmas.
Neste ambiente, Gaudì quis unir a inspiração que lhe vinha dos três grandes livros dos quais se nutria como homem, como crente e como arquiteto: o livro da natureza, o livro da Sagrada Escritura e o livro da Liturgia. Assim, uniu a realidade do mundo e a história da salvação, como nos é narrada na Bíblia e torna presente na Liturgia. Introduziu dentro do edifício sagrado pedras, árvores e vida humana, para que toda a criação convergisse no louvor divino, mas, ao mesmo tempo, levou para fora os “retábulos”, para colocar diante dos homens o mistério de Deus revelado no nascimento, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Deste modo, colaborou de maneira genial para a edificação de uma consciência humana ancorada no mundo, aberta a Deus, iluminada e santificada por Cristo. E realizou aquilo que, hoje, é uma das tarefas mais importantes: superar a cisão entre consciência humana e consciência cristã, entre existência neste mundo temporal e abertura à vida eterna, entre a beleza das coisas e Deus como Beleza. Antoni Gaudì não realizou tudo isto com palavras, mas com pedras, linhas, superfícies e vértices. Na realidade, a beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual surgem o tronco da nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convida à liberdade e arranca do egoísmo.
Dedicamos este espaço sagrado a Deus, que se revelou e se deu a nós em Cristo, para ser definitivamente Deus como os homens. A Palavra revelada, a humanidade de Cristo e a sua Igreja são as três expressões máximas da sua manifestação e do seu dom aos homens. “Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (ICor 3, 10-11), diz São Paulo na segunda leitura. O Senhor Jesus é a pedra que sustenta o peso do mundo, que mantém a coesão da Igreja e que mantém numa unidade última todas as conquistas da humanidade. NEle temos a Palavra e a Presença de Deus, e dEle a Igreja recebe a própria vida, a própria doutrina e a própria missão. A Igreja não tem consistência por si mesma; é chamada a ser sinal e instrumento de Cristo, em pura docilidade à sua autoridade e em total serviço ao seu mandato. O único Cristo funda a única Igreja; Ele é a rocha sobre a qual se funda a nossa fé. Fundados nesta fé, buscamos juntos mostrar ao mundo o rosto de Deus, que é amor e é o único que pode responder ao desejo de plenitude do homem. Esta é a grande tarefa, mostrar a todos que Deus é Deus de paz e não de violência, de liberdade e não de opressão, de concórdia  e não de discórdia. Neste sentido, creio que a dedicação desta igreja da Sagrada Família, numa época na qual o homem pretende edificar a sua vida por trás de Deus, como senão tivesse mais nada a dizer-lhe, é um acontecimento de grande significado. Gaudì, com a sua obra, nos mostra que Deus é a verdadeira medida do homem, que o segredo da verdadeira originalidade consiste, como ele dizia, no voltar à origem que é Deus. Ele mesmo, abrindo deste modo o seu espírito a Deus, foi capaz de criar nesta cidade um espaço de beleza, de fé e de esperança, que conduz o homem ao encontro com Aquele que é a verdade e a beleza mesma. Assim, o arquiteto expressava  os seus sentimentos: “Uma igreja [é] a única coisa digna de representar o sentir de um povo, visto que a religião é a coisa mais elevada no homem”.
Esta afirmação de Deus traz consigo a suprema afirmação e tutela da dignidade de cada homem e de todos os homens: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus (...)? O templo de Deus, que sois vós, é santo” (ICor 3, 16-17). Eis aqui unidas a verdade e a dignidade de Deus com a verdade e a dignidade do homem. Ao consagrar o altar desta igreja, tendo presente que Cristo é o seu fundamento, apresentamos ao mundo Deus que é amigo dos homens, e convidamos os homens a ser amigos de Deus. Como ensina o episódio de Zaqueu, de que fala o Evangelho de hoje (Lc 19, 1-10), se o homem deixa Deus entrar na sua vida e no seu mundo, se deixa que Cristo viva no seu coração, no se arrependerá, mas, pelo contrário, experimentará a alegria de compartilhar a sua mesma vida, sendo destinatário do seu amor infinito.
A iniciativa da construção desta igreja se deve à Associação dos Amigos e São José, que quis dedicá-la à Sagrada Família de Nazaré. Desde sempre, o núcleo familiar formado por Jesus, Maria e José é considerado uma escola de amor, oração e trabalho. Os patrocinadores desta igreja queriam mostrar ao mundo o amor, o trabalho e o serviço vividos diante de Deus, assim como foram vividos pela Sagrada Família de Narazé. As condições de vida mudaram profundamente e, com elas, progrediu-se enormemente nos âmbitos técnicos, sociais e culturais. Não podemos nos contentar com estes progressos. Com eles, devem estar sempre presentes os progressos morais, como a atenção, a proteção e a ajuda à família, já que o amor generoso e indissolúvel entre um homem e uma mulher é o quadro eficaz e o fundamento da vida humana na sua gestação, no seu nascimento, no seu crescimento e no seu término natural. Somente onde existem o amor e a fidelidade nasce e perdura a verdadeira liberdade. Por isso, a Igreja invoca medidas econômicas  e sociais adequadas para que a mulher possa encontrar a sua plena realização em casa e no trabalho, para que o homem e a mulher que se unem em matrimônio e formam uma família sejam sustentados definitivamente pelo Estado, para que se defenda como sagrada e inviolável a vida dos filhos desde o momento de sua concepção, para que a natalidade seja estimada, valorizada e sustentada no plano jurídico, social e legislativo. Por isso, a Igreja se opõe a qualquer forma de negação da vida humana e sustenta aquilo que promove a ordem natural no âmbito da instituição familiar.
Contemplando, admirado, este ambiente santo de beleza encantadora, com tanta história de fé, peço a Deus que, nesta terra catalã, se multipliquem e se consolidem novos testemunhos de santidade, que ofereçam ao mundo o grande serviço que a Igreja pode e deve prestar à humanidade: ser ícone da beleza divina, chama ardente de caridade, canal para  que o mundo creia nAquele que Deus enviou (Jo 6, 29).
Caros irmãos, ao dedicar esta esplêndida igreja, suplico, ao mesmo tempo, ao Senhor de nossas vidas que, deste altar – que será, agora, ungido com óleo santo e sobre o qual se consumará o sacrifício de amor de Cristo –, faça correr um rio contínuo de graça e de caridade sobre esta cidade de Barcelona e sobre seus habitantes, e sobre o mundo inteiro. Que essas águas fecundas encham de fé e de vitalidade apostólica esta Igreja arquidiocesana, os seus Pastores e fiéis.
Desejo, finalmente, confiar à amorosa proteção da Mãe de Deus, Maria Santíssima, “Rosa de Abril”, “Mãe da Mercê”, todos vós aqui presentes e todos aqueles que, com palavras e obras, com o silêncio ou a oração, tornaram possível este milagre arquitetônico. Que Ela apresente ao seu divino Filho também as alegrias e os sofrimentos daqueles que virão, no futuro, a este lugar sagrado, para que, como reza a Liturgia da dedicação das igrejas, os pobres possam encontrar misericórdia, os oprimidos conseguir a verdadeira liberdade e todos os homens sejam revestidos da dignidade de filhos de Deus. Amém.

* Texto publicado no site do Vaticano, no dia 7 de novembro de 2010. Traduzido por Paulo R. A. Pacheco.