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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Comentário ao Evangelho do dia - Advento


2ª Semana do Advento - Sexta-feira

1ª Leitura - Is 48, 17-19
Isto diz o Senhor, o teu libertador, o Santo de Israel: "Eu, o Senhor teu Deus, te ensino coisas úteis, te conduzo pelo caminho em que andas. Ah, se tivesses observado os Meus mandamentos! Tua paz teria sido como um rio e tua justiça como as ondas do mar; tua descendência seria como a areia do mar e os filhos do teu ventre como os grãos de areia; este nome não teria desaparecido nem teria sido cancelado de Minha presença"

Salmo - Sl 1
R. Senhor, quem vos seguir, terá a luz da vida. (Jo 8, 12)
Feliz é todo aquele que não anda*
conforme os conselhos dos perversos;
que não entra no caminho dos malvados,*
nem junto aos zombadores vai sentar-se;
mas encontra seu prazer na lei de Deus*
a medita, dia e noite, sem cessar. R. 

Eis que ele é semelhante a uma árvore,*
que à beira da torrente está plantada;
ela sempre dá seus frutos a seu tempo,
e jamais as suas folhas vão murchar.*
Eis que tudo o que ele faz vai prosperar. R. 

Mas bem outra é a sorte dos perversos.
Ao contrário, são iguais à palha seca*
espalhada e dispersada pelo vento.
Pois Deus vigia o caminho dos eleitos,*
mas a estrada dos malvados leva à morte. R.

Evangelho - Mt 11, 16-19
Naquele tempo, disse Jesus às multidões: "Com quem vou comparar esta geração? São como crianças sentadas nas praças, que gritam para os colegas, dizendo: 'Tocamos flauta e vós não dançastes. Entoamos lamentações e vós não batestes no peito!'. Veio João, que não come nem bebe, e dizem: 'Ele está com um demônio'. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: 'É um comilão e beberrão, amigo de cobradores de impostos e de pecadores'. Mas a sabedoria foi reconhecida com base em suas obras".

Comentário feito por Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787)
bispo e doutor da Igreja 

"Fogo sempre ardente, diremos com Santo Agostinho, inflama as nossas almas." Jesus Cristo, fizeste-Te homem para acender nos nossos corações o fogo do amor divino: como pudeste encontrar em nós tamanha ingratidão? Tudo fizeste para que Te amassem; chegaste a sacrificar o Teu sangue e a Tua vida. Porque razão ficam os homens insensíveis a tantas graças? Será que as ignoram? Não, eles sabem, eles creem que, por amor deles, vieste do céu revestir a carne humana e carregar com as suas misérias; eles sabem que, por amor deles, quiseste levar uma vida de sofrimento permanente e sofrer uma morte ignominiosa. Depois disto, como explicar que vivam no completo esquecimento da Tua bondade extrema? Eles amam os pais, eles amam os amigos, eles chegam mesmo a amar os animais [...]; é somente por Ti que não sentem amor nem gratidão! Mas que digo eu? Ao acusar os outros de ingratidão, estou a condenar-me a mim mesmo, pois o meu comportamento para conTigo foi pior do que o deles. Porém, a Tua misericórdia dá-me coragem; sei que ela me sustentou durante tanto tempo, para me perdoar e incendiar-me com o Teu amor, com a única condição de eu querer arrepender-me e amar-Te. Sim, meu Deus, quero arrepender-me [...]; quero amar-Te com todo o meu coração. Reconheço que o meu coração [...] Te negligenciou para amar as coisas deste mundo; mas também vejo que, apesar desta traição, Tu continuas a chamá-lo. É por isso que, com toda a força da minha vontade, eu o dedico a Ti e o dou a Ti. Digna-Te incendiá-lo com o Teu santo amor; faz com que doravante ele só ame a Ti. [...] Amo-Te, meu Jesus; amo-Te, meu soberano Bem! Amo-Te, único amor da minha alma. Maria, minha mãe, tu que és "a Mãe do amor formoso" (Ecle 24, 24), obtém-me a graça de amar o meu Deus; é de ti que o espero.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Santo Afonso Maria de Ligório

1 de agosto


Santo Afonso,
rogai por nós!

Ó Bondade infinita! Ó caridade infinita! Deus Se deu totalmente a mim, fez-Se todo meu! Ó minh'alma, convoca todos os teus afetos, e une-te intimamente ao teu Senhor, que amorosamente veio a ti, para unir-Se a ti e ser por ti amado em retribuição.
Ó Redentor amável, abraço-Vos, meu amor e minha vida; uno-me a Vós, não me deixeis. Ai de mim! houve um tempo na minha vida em que Vos expulsei da minha alma, e separei-me de Vós; mas, de agora em diante, prefiro mil vezes perder a minha vida a perder-Vos, meu sumo Bem. Esquecei-Vos, Senhor, de todas as injúrias com que Vos agravei, e perdoa-me a mim humilhado; arrependo-me delas de todo meu coração, e quisera morrer de dor. Porém, por tanto que contra Vós pequei, tanto me mandais que Vos ame: Ama o Senhor teu Deus, de todo o teu coração. Ó! Senhor meu, quem sou eu para que queiras ser amado por mim? Porque assim desejas, quero seguir-Vos no amor. Vós quisestes morrer por mim, e me destes a carne como comida; eu tudo deixo, de tudo me despeço, e abraço-Vos a Vós só, ó amantíssimo Salvador. Quem me separará do amor de Cristo? Ó amável Redentor, que outro quero eu amar senão a Vós, que sois a bondade infinita, e digno de infinito amor? Que quero eu no céu, e, fora de Vós, que quero sobre a terra? Deus do meu coração, e Deus é eternamente a minha parte. Assim é, meu Deus; e onde, no céu e na terra, posso encontrar um bem maior que Vós, ou quem me amaria mais que Vós? Venha o Vosso reino. Ó bom Jesus! Assume, peço-Vos, nesta manhã, o domínio de todo o meu coração: ofereço-Vo-lo inteiro. Possuí-o sempre e totalmente, e expulsai dele todos os afetos que não vêm de Vós. Escolho a Vós só para minha herança e minhas riquezas: Deus do meu coração e a minha herança é Deus para sempre. Dá-me que sempre tenha na boca e peça, como Santo Inácio de Loyola: "Dai-me somente o Vosso amor e a Vossa graça, e de riquezas estou satisfeito". Dai-me o Vosso amor e a Vossa graça; fazei, pois, com que Vos ame e seja por Vós amado, e estarei saciado de riquezas: nada além disso desejo, nem outra coisa quero.
Todavia conheceis a minha fraqueza, e quão frequentemente Vos fui infiel; ajude-me, pois, a Vossa graça, e nunca me permita separar-me do Vosso santo amor. "Não me permitais separar-me de Vós." Digo-Vo-lo agora e sempre o quero dizer-Vos, e dai-me, ainda, que sempre possa repetir-Vos: "Não me permitais separar-me de Vós".
Ó Virgem santíssima, esperança minha, Maria, consegui-me de Deus esta dúplice graça: a santa perseverança e o santo amor. Nada mais Vos peço.

quinta-feira, 31 de março de 2011

A santidade é acessível a todo cristão

Bento XVI

Audiência Geral

Praça São Pedro
Quarta-feira, 30 de março de 2011

Santo Afonso Maria de Ligório

Caros irmãos e irmãs,
Hoje, gostaria de vos apresentar a figura de um Santo Doutor da Igreja a quem devemos muito, porque foi um insigne teólogo moralista e um mestre de vida espiritual para todos, sobretudo para as pessoas simples. É o autor das palavras e da música de um dos cantos de Natal mais populares na Itália e no mundo: Tu scendi dalle stelle.
Pertencendo a uma família napolitana nobre e rica, Afonso Maria de Ligório nasceu em 1696. Dotado de grandes qualidades intelectuais, aos 16 anos obteve a graduação em direito civil e canônico. Era o advogado mais brilhante de Nápoles: por oito anos venceu todas as causas que defendeu. Todavia, na sua alma sedenta de Deus e desejosa de perfeição, o Senhor o conduzia a compreender que outra era a vocação para a qual o chamava. De fato, em 1723, indignado com a corrupção e a injustiça que viciavam o ambiente forense, abandonou a sua profissão – e, junto com ela, a riqueza e o sucesso – e decidiu se tornar sacerdote, não obstante a oposição de seu pai. Teve ótimos mestres, que o introduziram no estudo da Sagrada Escritura, da História da Igreja e da mística. Adquiriu uma vasta cultura teológica, que foi empregada quando, anos depois, deu início à sua obra de escritor. Foi ordenado sacerdote em 1726 e se ligou, para o exercício do ministério, à Congregação Diocesana das Missões Apostólicas. Afonso começou uma ação de evangelização e de catequese entre os meios mais humildes da sociedade napolitana, para quem gostava de pregar, e que instruía sobre verdades basilares da fé. Muitas dessas pessoas, pobres e modestas, a quem ele se dirigia, frequentemente eram viciadas e criminosas. Com paciência, as ensinava a rezar, encorajando-as a melhorar o seu modo de vida. Afonso obteve ótimos resultados: nos bairros mais miseráveis da cidade multiplicavam-se grupos de pessoas que, à noite, se reuniam nas casas e nas lojas, para rezar e para meditar a Palavra de Deus, guiados por alguns catequistas formados por Afonso e por outros sacerdotes, que visitavam regularmente estes grupos de fiéis. Quando, por desejo do arcebispo de Nápoles, estas reuniões começaram a acontecer nas capelas da cidade, assumiram o nome de “capelas noturnas”. Elas foram uma verdadeira fonte de educação moral, de reabilitação social, de ajuda recíproca entre os pobres: furtos, duelos, prostituição acabaram quase por desaparecer.
Mesmo se o contexto social e religioso da época de Santo Afonso era bem diverso do nosso, as “capelas noturnas” são ainda um modelo de ação missionária em que devemos nos inspirar hoje, para uma “nova evangelização”, particularmente dos mais pobres, e para construir uma convivência humana mais justa, fraterna e solidária. Aos sacerdotes é confiada uma tarefa de ministério espiritual, enquanto que os leigos bem formados podem ser eficazes animadores cristãos, autêntico fermento evangélico no meio da sociedade.
Depois de ter pensado em partir para evangelizar os povos pagãos, Afonso, aos 35 anos, entrou em contato com os agricultores e pastores do interior do Reino de Nápoles e, tocado com sua ignorância religiosa e com o estado de abandono em que viviam, decidiu deixar a capital e se dedicar a estas pessoas, que eram pobres espiritual e materialmente. Em 1732 fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, que colocou sob a tutela do bispo Tommaso Falcoia, tornando-se, pouco depois, ele mesmo superior da ordem. Estes religiosos, guiados por Afonso, foram autênticos missionários itinerantes, que iam aos vilarejos mais remotos, exortando à conversão e à perseverança na vida cristã, sobretudo por meio da oração. Ainda hoje os Redentoristas, espalhados por tantos países do mundo, com novas formas de apostolado, continuam esta missão de evangelização. Penso neles com reconhecimento, exortando-os a serem sempre fiéis ao exemplo de seu santo Fundador.
Estimado por sua bondade e por seu zelo pastoral, em 1762, Afonso foi nomeado Bispo de Santa Águeda dos Godos, ministério que, devido à doença que o afetou, deixou em 1775, por concessão do Papa Pio VI. O mesmo Pontífice, em 1787, sabendo da notícia de sua morte, advinda depois de muito sofrimento, exclamou: “Era um santo!”. E não se enganava: Afonso foi canonizado em 1839, e em 1871 foi declarado Doutor da Igreja. Este título lhe foi concedido por muitas razões. Antes de mais, porque ele propôs um ensinamento de teologia moral muito rico, que expressa de forma adequada a doutrina católica, a ponto de ter sido proclamado pelo Papa Pio XII “Patrono de todos os confessores e moralistas”. No seu tempo, era difusa uma interpretação muito rigorista da vida moral, graças à mentalidade jansenista que, mais do que alimentar a confiança e a esperança na misericórdia de Deus, fomentava o medo e apresentava um Deus de rosto ranzinza e severo, muito distante daquele revelado por Jesus. Santo Afonso, sobretudo em sua obra mais importante, intitulada Teologia Moral, propôs uma síntese equilibrada e convincente entre as exigências da lei de Deus, esculpida em nossos corações, revelada plenamente por Cristo e interpretada com autoridade pela Igreja, e os dinamismos da consciência e da liberdade do homem, que exatamente na adesão à verdade e ao bem permitem o amadurecimento e a realização da pessoa. Aos pastores das almas e aos confessores, Afonso recomendava que fossem fiéis à doutrina moral católica, assumindo, ao mesmo tempo, uma postura caridosa, compreensiva, doce, a fim de que os penitentes pudessem se sentir acompanhados, sustentados, encorajados em seu caminho de fé e de vida cristã. Santo Afonso não se cansava de repetir que os sacerdotes são um sinal visível da infinita misericórdia de Deus, que perdoa e ilumina a mente e o coração do pecador para que ele se converta e mude de vida. Na nossa época, em que existem claros sinais de perda da consciência moral e – é preciso reconhecer isso – de uma certa falta de estima pelo Sacramento da Confissão, o ensinamento de Santo Afonso é ainda de grande atualidade.
Junto com suas obras de teologia, Santo Afonso compôs muitos outros escritos, destinados à formação religiosa do povo. O estilo é simples e agradável. Lidas e traduzidas para numerosas línguas, as obras de Santo Afonso contribuíram para plasmar a espiritualidade popular dos últimos dois séculos. Algumas delas são textos que podem ser lidos com grande proveito ainda hoje, com As Máximas Eternas, As Glórias de Maria, A Prática do Amor a Jesus Cristo, obra – esta última – que representa a síntese do seu pensamento e se trata de sua obra-prima. Ele insiste muito na necessidade da oração, que permite que nos abramos à Graça Divina, para realizar cotidianamente a vontade de Deus e conseguir a própria santificação. Quanto à oração, ele escreve: “Deus não nega a ninguém a graça da oração, com a qual se obtém a ajuda para vencer toda concupiscência e toda tentação. E digo, e repito e repetirei sempre, enquanto tiver vida, que toda a nossa salvação está na oração”. Daqui advém o seu famoso axioma: “Quem reza se salva” (Del gran mezzo della preghiera e opuscoli affini. Opere ascetiche II, Roma 1962, p. 171). Volta-me à mente, a propósito disto, a exortação do meu predecessor, o Venerável Servo de Deus João Paulo II: “As nossas comunidades cristãs devem se tornar ‘escolas de oração’... É preciso, então, a educação à oração se torne um ponto de qualificação de toda programação pastoral” (Lett. ap. Novo Millennio ineunte, 33,34).
Entre as formas de oração fervorosamente aconselhadas por Santo Afonso sobressai a visita ao Santíssimo Sacramento ou, como diríamos hoje, a adoração, breve ou prolongada, pessoal ou comunitária, diante da Eucaristia. “Certamente – escreve Afonso –, entre todas as devoções, a de adorar Jesus sacramentado é a primeira depois dos sacramentos, a mais cara a Deus e a mais útil para nós... Oh, que bela delícia estar diante de um altar com fé... e apresentar-lhe as próprias necessidades, como um amigo faz a outro amigo com quem tenha toda a confiança!” (Visite al SS. Sacramento ed a Maria SS. per ciascun giorno del mese. Introduzione). A espiritualidade afonsiana é, de fato, eminentemente cristológica, centrada em Cristo e em Seu Evangelho. A meditação do mistério da Encarnação e da Paixão do Senhor são frequentemente objeto da sua pregação. Nestes eventos, de fato, a Redenção é oferecida a todos os outros “copiosamente”. E exatamente porque é cristológica, a piedade afonsiana é também mariana. Devotíssimo de Maria, ele ilustra seu papel na história da salvação: sócia da Redenção e Mediadora da graça, Mãe, Advogada e Rainha. Além do mais, Santo Afonso afirma que a devoção a Maria nos será de grande conforto na hora de nossa morte. Ele era convencido de que a meditação sobre o nosso destino eterno, sobre o nosso chamado a participar, para sempre, da bem-aventurança de Deus, como também sobre a trágica possibilidade da danação, contribui para viver com serenidade e empenho, e para enfrentar a realidade da morte, conservando sempre plena confiança na bondade de Deus.
Santo Afonso Maria de Ligório é um exemplo de pastor zeloso, que conquistou as almas pregando o Evangelho e administrando os Sacramentos, unido a um modo de agir baseado numa humilde e suave bondade, que nascia do intenso relacionamento com Deus, que é a Bondade Infinita. Teve uma visão realisticamente otimista dos recursos de bem que o Senhor dá a cada homem e deu importância aos afetos e aos sentimentos do coração, além dos da mente, para poder amar a Deus e ao próximo.
Concluindo, gostaria de recordar que o nosso Santo, semelhante a São Francisco de Sales – de quem falei algumas semanas atrás –, insistiu em dizer que a santidade é acessível a todo cristão: “O religioso como religioso, o secular como secular, o sacerdote como sacerdote, o casado como casado, o mercador como mercador, o soldado como soldado, e assim falando de todos os outros estados de vida” (Pratica di amare Gesù Cristo. Opere ascetiche I, Roma 1933, p. 79). Agradeçamos ao Senhor que, com a Sua Providência, suscita santos e doutores em lugares e em tempos diversos, que falam a mesma linguagem para nos convidar a crescer na fé e a viver com amor e com alegria o nosso ser cristãos nas ações simples de todo dia, para caminhar na estrada da santidade, na estrada que leva a Deus e à verdadeira alegria. Obrigado.

Apelo
Há muito tempo meu pensamento, frequentemente, se volta às populações da Costa do Marfim, traumatizadas pelas dolorosas lutas internas e pelas graves tensções sociais e políticas.
Agora que exprimo minha proximidade a todos aqueles que perderam um ente querido e sofrem com a violência, lanço um apelo para que tenha início, o mais brevemente possível, um processo de diálogo construtivo para o bem comum. A oposição dramática torna ainda mais urgente o restabelecimento do respeito e da coabitação pacífica. Nenhum esforço deve ser poupado nesse sentido.
Com estes sentimentos, decidi enviar a este nobre país, o Cardeal Peter Kodwo Turkson, Presidente do Conselho Pontifício “Justiça e Paz”, para que ele manifeste minha solidariedade e a da Igreja universal para com as vítimas do conflito, e encoraje à reconciliação e à paz.

* Extraído do site do Vaticano, do dia 30 de março de 2011. Traduzido por Paulo R. A. Pacheco.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Comentário ao evangelho do dia

Evangelho - Mc 3,7-12
Naquele tempo, Jesus se retirou para a beira do mar, junto com seus discípulos. Muita gente da Galiléia o seguia. E também muita gente da Judéia, de Jerusalém, da Iduméia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e Sidônia, foi até Jesus, porque tinham ouvido falar de tudo o que ele fazia. Então Jesus pediu aos discípulos que lhe providenciassem uma barca, por causa da multidão, para que não o comprimisse. Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal jogavam-se sobre ele para tocá-lo. Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés, gritando: "Tu és o Filho de Deus!". Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era.

Comentário feito por Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787)
bispo e Doutor da Igreja 

"Dizei a todos os que têm o coração despedaçado: Tomai coragem e não tenhais medo. [...] O próprio Deus virá salvar-vos" (Is 35, 4). Esta profecia realizou-se. Seja-me pois permitido gritar de júbilo: Alegrai-vos, filhos de Adão, alegrai-vos; deixai para trás todo o desalento! Perante a vossa fraqueza e a vossa incapacidade de resistir a tantos inimigos, "abandonai todo o receio, o próprio Deus virá salvar-vos". Como é que Ele veio salvar-vos? Dando-vos a força necessária para enfrentar e ultrapassar todos os obstáculos que se opõem à vossa salvação. E como é que o Redentor vos deu essa força? Fazendo-Se fraco, de forte e todo-poderoso que era; Ele tomou sobre Si toda a nossa fraqueza, e comunicou-nos a Sua força. [...] Deus é todo-poderoso: "Senhor, clamava Isaías, quem resistirá à força do Teu braço?" (40, 10). [...] Mas as feridas feitas no homem pelo pecado tinham-no enfraquecido tanto que ele era incapaz de resistir aos seus inimigos. O que fez o Verbo eterno, o que fez a palavra de Deus? De forte e todo-poderoso que era, tornou-Se fraco; revestiu-se da fraqueza corporal do homem para dar ao homem, pelos Seus méritos, a força de alma necessária [...]; tornou-Se criança [...]; e no fim da Sua vida, no Jardim das Oliveiras, encheu-Se de laços, dos quais não Se pode libertar. No Sinédrio, foi preso à coluna para ser flagelado. Depois, com a cruz aos ombros, caiu várias vezes no caminho com falta de forças. Pregado na cruz, não conseguiu libertar-Se. [...] E nós somos fracos? Ponhamos a nossa confiança em Jesus Cristo e seremos todo-poderosos: "Tudo posso nAquele que me dá força" dizia o Apóstolo Paulo (Fil 4,13). Eu sou todo-poderoso, não pelas minhas forças, mas pelas forças que me foram dadas pelos méritos do meu Redentor. 

domingo, 26 de dezembro de 2010

Comentário ao evangelho do dia

Sagrada Família de Jesus, Maria e José

1ª Leitura - Eclo 3,3-7.14-17a (gr.2-6.12-14)
Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe. Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração cotidiana. Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. Quem honra o seu pai, terá alegria com seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. Quem respeita o seu pai, terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe. Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida, a caridade feita a teu pai não será esquecida, mas servirá para reparar os teus pecados e, na justiça, será para tua edificação.

2ª Leitura - Cl 3,12-21
Irmãos, vós sois amados por Deus, sois os seus santos eleitos. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também. Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição. Que a paz de Cristo reine em vossos corações, à qual fostes chamados como membros de um só corpo. E sede agradecidos. Que a palavra de Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria. Do fundo dos vossos corações, cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças. Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Por meio dele dai graças a Deus, o Pai. Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor. Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem.

Evangelho - Mt 2,13-15.19-23
Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: "Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo". José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito. Ali ficou até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: "Do Egito chamei o meu Filho". Quando Herodes morreu, o anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e lhe disse: "Levanta-te, pega o menino e sua mãe, e volta para a terra de Israel; pois aqueles que procuravam matar o menino já estão mortos". José levantou-se, pegou o menino e sua mãe, entrou na terra de Israel. Mas, quando soube que Arquelau reinava na Judéia, no lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Por isso, depois de receber um aviso em sonho, José retirou-se para a região da Galiléia, e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos profetas: "Ele será chamado Nazareno".

Comentário feito por Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787)
bispo e Doutor da Igreja

Um anjo apareceu em sonhos a São José, e avisou-o de que Herodes andava à procura do Menino Jesus para Lhe tirar a vida: "Levanta-te, toma o Menino e Sua Mãe e foge para o Egito". Assim pois, ainda mal nasceu, já Jesus é perseguido de morte. [...] José obedece sem demora à voz do anjo, acordando sua santa esposa. Pega em algumas ferramentas que pudesse levar consigo, a fim de exercer a sua profissão no Egito e de ter com que sustentar a família. Maria, por seu turno, reúne as roupas necessárias a seu divino Filho; e depois, aproximando-se do berço onde Ele repousava, ajoelha-se, beija os pés de seu querido Filho e, por entre lágrimas de ternura, diz-Lhe: "Meu Filho e meu Deus, que vieste ao mundo para salvar os homens; ainda mal nasceste e já os homens vêm à Tua procura para Te dar a morte!". Pega Nele e, continuando a chorar, os dois santos esposos fecham a porta e põem-se a caminho durante a noite. [...] Meu bem-amado Jesus, Tu és o Rei do Céu e vejo-Te errar como fugitivo sob a aparência de uma criança. Que procuras? Diz-me. A Tua pobreza e o Teu abaixamento emocionam-me de compaixão; mas aquilo que me aflige mais é a negra ingratidão com que Te vejo tratado por aqueles que vieste salvar. Tu choras, e também eu choro, por ter sido um daqueles que Te desprezaram e Te perseguiram; a partir de agora, porém, preferirei a Tua graça a todos os reinos do mundo. Perdoa-me todos os ultrajes que Te fiz; permite-me que, na viagem desta vida para a eternidade, Te leve no meu coração, a exemplo de Maria, que Te levou nos seus braços durante a fuga para o Egito. Meu Redentor bem-amado, foram muitas as vezes em que Te expulsei da minha alma, mas tenho confiança, agora que voltaste a tomar conta dela. E suplico-Te que a prendas a ti pelas doces correntes do Teu amor.

domingo, 1 de agosto de 2010

Comentário ao evangelho do dia

Santo Afonso Maria de Ligório

1ª Leitura - Eclo 1,2; 2,21-23
"Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade." Por exemplo: um homem que trabalhou com inteligência, competência e sucesso, vê-se obrigado a deixar tudo em herança a outro que em nada colaborou. Também isso é vaidade e grande desgraça. De fato, que resta ao homem de todos os trabalhos e preocupaçðes que o desgastam debaixo do sol? Toda a sua vida é sofrimento, sua ocupação, um tormento. Nem mesmo de noite repousa o seu coração. Também isso é vaidade.

2ª Leitura - Cl 3,1-5.9-11
Irmãos: Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória. Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria. Não mintais uns aos outros. Já vos despojastes do homem velho e da sua maneira de agir e vos revestistes do homem novo, que se renova segundo a imagem do seu Criador, em ordem ao conhecimento. Aí não se faz distinção entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, inculto, selvagem, escravo e livre, mas Cristo é tudo em todos.

Evangelho - Lc 12,13-21
Naquele tempo: Alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: "Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo". Jesus respondeu: "Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?". E disse-lhes: "Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens". E contou-lhes uma parábola: "A terra de um homem rico deu uma grande colheita. Ele pensava consigo mesmo: 'O que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita'. Então resolveu: 'Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: - Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!'. Mas Deus lhe disse: 'Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?' Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus."

Comentário feito por São Basílio (c. 330-379)
monge e Bispo de Cesareia da Capadócia, Doutor da Igreja 

"O que hei-de fazer? Onde encontrarei que comer? Que vestir?" Eis o que diz este rico. O seu coração sofre, a inquietação devora-o, porque aquilo que regozija os outros acabrunha o avarento. O fato de todos os seus celeiros estarem cheios não é para ele motivo de felicidade. O que atormenta dolorosamente a sua alma é esse excesso de riquezas, transbordando dos seus celeiros. [...] Considera, homem, quem te cumulou com a sua generosidade. Reflete um pouco sobre ti mesmo: Quem és tu? O que é que te foi confiado? De quem recebeste este cargo? Porque foste tu escolhido, de preferência a muitos outros? O Deus de bondade fez de ti Seu administrador; tu és responsável pelos teus companheiros de trabalho: não penses que tudo foi preparado apenas para ti! Dispõe dos bens que possuis como se eles pertencessem aos outros. O prazer que eles te proporcionam dura pouco, em breve eles te vão escapar e desaparecer, mas ser-te-ão pedidas contas rigorosas. Ora, tu guardas tudo, tens portas e fechaduras aferrolhadas; e embora tenhas tudo muito bem fechado, a ansiedade impede-te de dormir. [...] "O que hei-de fazer?" Havia uma resposta pronta: "Encherei as almas dos famintos; abrirei os meus celeiros e convidarei todos os que têm necessidade. [...] Farei ouvir uma palavra generosa: Vós todos que tendes fome, vinde a mim, tomai a vossa parte dos dons concedidos por Deus, cada qual segundo as suas necessidades".

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Comentário ao evangelho do dia

Evangelho - Mc 10,32-45
Naquele tempo: Os discípulos estavam a caminho subindo para Jerusalém. Jesus ia na frente. Os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo. Jesus chamou de novo os Doze à parte e começou a dizer-lhes o que estava para acontecer com ele: "Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. Vão zombar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará." Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: "Mestre, queremos que faças por nós o que vamos pedir." Ele perguntou: "O que quereis que eu vos faça?" Eles responderam: "Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!" Jesus então lhes disse: "Vós não sabeis o que pedis. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?" Eles responderam: "Podemos." E ele lhes disse: "Vós bebereis o cálice que eu devo beber, e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado. Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. É para aqueles a quem foi reservado". Quando os outros dez discípulos ouviram isso, indignaram-se com Tiago e João. Jesus os chamou e disse: "Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos."

Comentário feito por Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787)
bispo e Doutor da Igreja

Um Deus que serve, que varre a casa, que se entrega a trabalhos penosos – deveria bastar um destes pensamentos para nos encher de amor! Quando o Salvador começou a pregar o Seu Evangelho tornou-Se "o servo de todos", afirmando de Si mesmo que "não veio para ser servido, mas para servir". Foi como se tivesse dito que queria ser servo de todos os homens. E, no final da Sua vida, conforme dizia São Bernardo, "não contente com o fato de ter tomado a condição de servo para Se colocar ao serviço dos homens, quis ainda tomar a aparência de servo indigno para ser maltratado e suportar o castigo que devia cair sobre nós, em consequência dos nossos pecados". Eis que o Senhor, servo obediente de todos, Se submete à sentença de Pilatos, injusta como é, e Se entrega aos Seus algozes. [...] Assim, tanto nos amou Deus que, por amor de nós, quis obedecer como escravo até morrer e morrer de uma morte dolorosa e infame, o suplício da cruz (Fl 2, 8). Ora, em tudo isso Ele obedecia, não como Deus, mas como homem, como escravo de que assumira a condição. Tal santo entregou-se como escravo para resgatar um pobre e atraiu a admiração do mundo devido a esse ato heróico de caridade. Mas que caridade é essa, comparada com a do Redentor? Sendo Deus e querendo resgatar-nos da escravidão do Diabo e da morte que nos era devida, tornou-Se Ele mesmo escravo e deixou-Se amarrar e pregar na cruz. "Para que o servo se torne senhor, dizia Santo Agostinho, Deus quis fazer-Se servo".