Mostrando postagens com marcador aborto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aborto. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de março de 2012

CPI da verdade sobre o aborto, já!

CPI  da VERDADE  sobre o  ABORTO, JÁ!
PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO PÚBLICA

DATA: 21/03/2012
HORÁRIO DO INÍCIO: 12h30
CONCENTRAÇÃO:  a partir das 11h00, nas escadarias da CATEDRAL DA SÉ (São Paulo/SP)
MANIFESTAÇÃO: em frente ao FÓRUM JOÃO MENDES, na Praça João Mendes (São Paulo/SP)
CAMISETAS: haverá distribuição de camisetas para os primeiros 500 participantes
LEVAR: APITOS, FAIXAS E CARTAZES (ABORTO NUNCA MAIS - CPI DO ABORTO, JÁ - ABORTO NÃO). Os grupos podem imprimir suas próprias camisetas
Quem não puder comparecer, pode se manifestar no dia por outras formas:
- TWITTER:  dia 21/03/2012  - a partir das 13h  - #abortonuncamais, para @SenadoresBrasil, @CamaraDeputados e @AssembleiaSP
- FACEBOOK
- EMAILS: dia 21/03/2012, a partir das 10h00 - enviar emails para a Câmara Federal e Senado (os nomes e emails dos parlamentares podem ser retirados nos portais da Câmara e do Senado)
- TELEFONE:  telefonar a partir das 13h00 - Câmara - 0800.619.619 / Senado - (61) 3303-1211

Não tenhais medo!
Dom Luiz Gonzaga Bergonzini
Bispo Emérito de Guarulhos
Jornalista MTB 123
www.domluizbergonzini.com.br

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Uma autoridade da ONU declara que o aborto é um direito humano, e o Secretário Geral apoia o relatório


Por Douglas Sylva, PhD

Nova York, 23 de setembro (C-FAM) – No momento em que a atenção do mundo poderia estar dirigida à Assembleia Geral da ONU, que está debatendo a questão do Estado da Palestina, o método usado por algumas das autoridades das Nações Unidas que militam em favor da legalização do aborto passa despercebido.

Durante os meses do verão, quando a atenção da imprensa sobre as Nações Unidas é, comumente, mais fraca, a Secretaria Geral das Nações Unidas publicou um relatório do Comitê dos Direitos Humanos que afirma que todas as nações deveriam aceitar que as mulheres e as meninas tenham direito de acesso ao aborto para que possam gozar de seus direitos humanos.
O relatório, redigido pelo relator especial da ONU Anand Grover, faz uma ligação entre o aborto e o direito fundamental ao padrão mais elevado de saúde física e mental. Segundo ele, “as leis que penalizam e reduzem o aborto são excelentes exemplos de entraves inaceitáveis à realização dos direitos das mulheres à saúde, e devem ser eliminadas”. Grover, em seu relatório, prossegue dizendo que só a legalização do aborto já é certamente necessária, mas não é suficiente para que se considere que os Estados não são mais culpados de violação dos direitos das mulheres à saúde. Os Estados devem, além do mais, promover ativamente este procedimento. “Os Estados devem tomar as medidas [necessárias] para permitir que os serviços legais e [medicamente] seguros estejam disponíveis e acessíveis, e que sejam de boa qualidade. Os abortos sem risco, no entanto, não estarão verdadeiramente disponíveis enquanto não houver uma descriminação da prática, e a não ser que os Estados criem as condições nas quais possam ser realizados. Tais condições incluem o estabelecimento de clínicas disponíveis e acessíveis a todas as mulheres, o oferecimento de formação de qualidade para médicos e pessoal médico em geral, a facilitação das condições para a obtenção de licenças de funcionamento, e a garantia da acessibilidade a equipamentos e técnicas as mais recentes e as mais seguras do ponto de vista médico”.
Grover acredita igualmente que as mulheres devem ter o acesso ao aborto garantido a fim de poderem proteger sua saúde mental. Segundo ele, “agora que o impacto psicológico do acesso ao aborto clandestino ou da continuidade de uma gravidez não desejada foi muito bem documentado pelas pesquisas, não parece mais existir nexo causal que prove a existência de algum nível de atentados à saúde mental resultante da escolha consciente pelo aborto”.
Grover se mostra preocupado com as mulheres que, tendo abusado de drogas durante a gravidez, podem ser processadas por maus-tratos aos filhos: “Em certos casos, a legislação civil em matéria de bem-estar infantil foi de tal forma estendida que chega a incluir sanções punitivas em casos de exposição pré-natal da criança às drogas consumidas pela mãe, e este risco tem sido utilizado como argumento para privar os pais de seus direitos parentais, privando-os da guarda de seus filhos. Ao se aplicarem estas leis, um simples relatório que mostre a relação entre a tóxico-dependência de uma mulher grávida e os sinais da exposição do recém-nascido às drogas pode ser considerado como prova de maus-tratos ou de negligência para com a criança”. É por isso que Grover tem pedido aos Estados que “suspendam/anulem a aplicação das legislações penais existentes que concernem aos diferentes tipos de comportamento durante a gravidez, tais como os comportamentos ligados ao tratamento do feto, em particular os abortos naturais, o consumo de álcool e de drogas, e a transmissão do HIV”.
O relatório começa com uma nota do Secretário Geral da ONU, Ban Ki-Moon, que afirma ter “a honra” de apresentar o relatório à Assembleia Geral. Ainda que tal nota seja conforme ao protocolo da ONU, ao lermos o conteúdo deste relatório, podemos nos perguntar como o sistema da ONU pode ainda querer sustentar uma imagem de neutralidade oficial naquilo que diz respeito ao aborto.
Os Estados que reconhecem o direito à vida do feto poderiam também tentar o argumento segundo o qual tais legislações não significam um atentado aos direitos à saúde de seus cidadãos.

* Extraído do Friday Fax (C-FAM), do dia 23 de setembro de 2011. Traduzido por Paulo R. A. Pacheco.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Aborto nunca


Assistam a este vídeo e o divulguem o quanto antes. Ele faz parte da campanha nacional de mobilização contra o aborto: www.abortonunca.com.br.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Cartas do P.e Aldo 198


Asunción, 21 de junho de 2011.

Caríssimos,
Eis a foto de recordação das 11 crianças da Casinha de Belém batizadas neste domingo. A maioria delas não tem ninguém, mas agora podem dizer “Pai” para o Mistério. Que responsabilidade, para mim e os amigos, nos foi presenteada com o batismo delas! Uma responsabilidade possível de viver apenas se o meu eu é definido, momento após momento, pela certeza “eu sou Tu que me fazes”. Desta certeza depende todo o caminho educativo e a sua maturidade.
Olho-os e vejo a grandeza e a beleza do Mistério que permitiu que nascessem em condições desumanas e violentas para, depois, retomá-los e levá-los para onde Sua Presença é evidente.
Olho-os e, comovido, penso naquilo que o profeta disse: “antes de te formares no ventre de tua mãe, pronunciei o teu nome”.
Que bonito: eu, como os meus pequenos, fomos pensados, desde sempre, por Deus! Que bonito: eu, como as minhas crianças, fomos chamados pelo nome, ou seja, somos Seus, pertencemos-Lhe desde sempre. Então, o modo com o qual fomos concebidos é secundário (não porque não seja importante... pelo contrário), porque a nossa identidade vem antes, vem da eternidade. Então, mesmo se concebido na violência, isto não define mais a minha personalidade. 
O aborto é terrível porque elimina um nome que Deus pronunciou desde sempre. Então, entendem porque as meninas grávidas são, para mim, tesouros, mesmo que tenham 12 anos de idade. Elas moram conosco, salvas daquelas diabólicas ONGs que fazem de tudo para que abortem.
Uma garotinha da favela, vítima do crack desde os 9 anos de idade, não queria a criança de que estava grávida e chegou aqui em condições indescritíveis. Deu à luz uma menina lindíssima (hoje, a mãe tem 15 anos) e, no início não a queria. Três meses se passaram e ela, a mãe, é outra pessoa, é uma verdadeira mulher, uma verdadeira mãe. Mesmo o seu aspecto físico mudou: está bonita, bem vestida, limpa, orgulhosa da sua feminilidade. Vê-la amamentando a sua menina é de uma ternura enorme.
Não mais o passado como “piranha” (é como são chamadas essas crianças), mas um início de consciência de ser fruto do SER, daquele “Tu que me fazes”. Mas, dentro de uma companhia de 24 horas por dia. Porém, é assim que o Mistério nos faz companhia. Lucilla, a filha do meu amigo Luigi Amiconi, dizia: “Tudo o que eu faço é dizer ‘sim’ a Liz (uma menina com gravíssimos problemas psíquicos, físicos e de mobilidade), e este ‘SIM’ mudou Liz e me mudou. E dizer ‘SIM’ quer dizer responder às suas necessidades, quer dizer estar sempre com ela. E este ‘SIM’ que digo a ela, eu o digo a todas as crianças. Mas, posso dizê-lo porque um outro o diz para mim”.
E é mesmo bonito ver esta garota de 12 anos, que parece ter a metade, e que não fala, é mesmo bonito vê-la feliz e fazendo de tudo para responder às provocações de Lucilla. E Lucilla que a olha, a olha para perceber o que quer, o que a realidade lhe pede para poder responder “SIM”. Educar é apenas dizer “SIM” à realidade.
Padre Aldo

quinta-feira, 24 de março de 2011

Cartas do P.e Aldo 182





Asunción, 21 de março de 2011.

Caríssimos amigos,
ei-la, olhem para ela, é Mariana, nascida no dia 15 de março daquela minha filha, que ainda é uma criança de 15 anos. Um mês se passou desde que a Providência abriu e inaugurou aquela nova obra de misericórdia, para acolher as meninas, as adolescentes violentadas e grávidas. Mariana é o primeiro fruto desta misericórdia que atua continuamente. Ela, como eu, não é o fruto dos seus antecedentes, mas daquele “Tu que me fazes”. Estou, estamos comovidos por ver como Deus tem piedade da órfã, da viúva, do estrangeiro, como diz a Sagrada Escritura. Olhando para elas, não posso não ficar comovido por ver como tantas mães tão jovens foram salvas pela ternura de Deus que venceu a brutalidade, o cinismo de quem queria que elas abortassem.
Cristo vence sempre e, por isto, vence a vida. O primeiro problema não é a batalha pela vida, mas o anúncio de Cristo, para que você se apaixone por Cristo. Mesmo para vocês, que estavam preocupados justamente com a lei que se discute no parlamento, obedientes às indicações dos bispos, é assim: nunca se esqueçam de que o verdadeiro problema está apenas na nossa paixão por Cristo. Somos chamados, como São Paulo, a anunciar “apertis verbis” Cristo, porque o mundo tem necessidade apenas disso. Eu experimentei isso falando, em Bolonha, para a Confindustria. Também eles voltaram para casa tocados por terem escutado um asno que conhece tão pouco de teologia, mas que foi tomado por Cristo.
Mariana nasceu porque sua mãe encontrou alguém que a olha como Jesus olhou para Zaqueu e para a mulher adúltera ou para a samaritana.
Ver a alegria de Padre Paolino porque Mariana nasceu, quando eu estava na Itália, é mesmo comovente, porque vejo que tenho um amigo capaz de amor, capaz de olhar como Giussani me olhou, como Carrón nos olha, como Marcos, Cleuza e tantos outros nos olham.
Rezem para que Mariana seja feliz.
Com afeto,
Padre Aldo

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Empenhem-se para fazer crescer a cultura da vida...


Bento XVI
Angelus

Praça São Pedro
Domingo, 6 de fevereiro de 2011

Caros irmãos e irmãs!
No Evangelho deste domingo, o Senhor Jesus diz aos seus discípulos: “Vós sois o sal da terra... Vós sóis a luz do mundo” (Mt 5, 13s). Com estas imagens ricas de significado, Ele quer transmitir a eles o sentido de sua missão e de seu testemunho. O sal, na cultura do Oriente Médio, evoca diversos valores como a aliança, a solidariedade, a vida e a sabedoria. A luz é a primeira obra  de Deus Criador e é fonte da vida; a mesma Palavra de Deus é comparada à luz, como proclama o salmista: “Lâmpada para os meus passos é a tua palavra, luz sobre o meu caminho” (Sl 119, 105). E sempre na Liturgia de hoje o profeta Isaías diz: “Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne. Então, brilhará tua luz como a aurora” (58, 10). A sabedoria resume em si os efeitos benéficos do sal e da luz: de fato, os discípulos do Senhor são chamados a dar novo “sabor” ao mundo, e a preservá-lo da corrupção, com a sabedoria de Deus, que resplandece plenamente no rosto do Filho, porque Ele é a “luz verdadeira que ilumina todo homem” (Jo 1, 9). Unidos a Ele, os cristãos podem difundir, em meio às trevas da indiferença e do egoísmo, a luz do amor de Deus, verdadeira sabedoria que dá significado à existência e ao agir dos homens.
No próximo dia 11 de fevereiro, memória da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, celebraremos a Jornada Mundial do Doente. Ela é ocasião propícia para refletir, para rezar e para aumentar a sensibilidade das comunidades eclesiais e da sociedade civil para com os irmãos e irmãs doentes. Na Mensagem para essa Jornada, inspirado por uma expressão da Primeira Carta de Pedro: “Através dos seus ferimentos é que fostes curados” (2, 24), convido a todos para contemplarem Jesus, o Filho de Deus, que sofreu, morreu, mas ressuscitou. Deus se opõe radicalmente à prepotência do mal. O Senhor cuida do homem em todas as situações, compartilha o sofrimento e abre o coração para a esperança. Exorto, por isso, todos os agentes sanitários a reconhecerem no doente não apenas um corpo marcado pela fragilidade, mas antes de tudo uma pessoa, para quem se deve doar toda a solidariedade e oferecer respostas adequadas e competentes. Neste contexto, recordo, além do mais, que hoje acontece na Itália a “Jornada pela Vida”. Desejo que todos se empenhem para fazer crescer a cultura da vida, para colocar no centor, em todas as circunstâncias, o valor do ser humano. Segundo a fé e a razão, a dignidade da pessoa é irredutível às suas faculdades ou às capacidades que pode manifestar, e por isso não pode diminuir quando a pessoa está fragilizada, inválida e necessitada de ajuda.
Caros irmãos e irmãs, invoquemos a materna intercessão da Virgem Maria, para que os pais, os avós, os professores, os sacerdotes e todos os que se empenham com a educação, possam formar as jovens gerações para a sabedoria do coração, para que alcancem a plenitude da vida.

(Depois do Angelus, o Papa disse: Caros irmãos e irmãs, nestes dias, sigo com atenção a delicada situação da querida Nação Egípcia. Peço a Deus que aquela terra, abençoada pela presença da Santa Família, reencontre a tranquilidade e a pacífica convivência, no compromisso compartilhado pelo bem comum).

* Texto extraído do site do Vaticano, do dia 6 de fevereiro de 2011. Traduzido por Paulo R. A. Pacheco.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Acreditar em Jesus exige novo olhar sobre o homem


Homilia do Papa Bento XVI

Basílica Vaticana, sábado, 27 de novembro de 2010.

Prezados irmãos e irmãs!
Com esta celebração vespertina, o Senhor concede-nos a graça e a alegria de inaugurar o novo Ano litúrgico, a começar pela sua primeira etapa: o Advento, o período que faz memória da vinda de Deus no meio de nós. Cada início traz consigo uma graça particular, porque é abençoado pelo Senhor. Neste Advento, mais uma vez, poderemos fazer a experiência da proximidade daquele que criou o mundo, que orienta a história e que cuidou de nós, chegando até ao ápice da sua condescendência, fazendo-se homem. É precisamente o mistério grandioso e fascinante do Deus-conosco, aliás do Deus que se faz um de nós, que celebraremos nas próximas semanas, caminhando rumo ao Santo Natal. Durante o tempo de Advento, sentiremos a Igreja que nos toma pela mão e, à imagem de Maria Santíssima, exprime a sua maternidade levando-nos a experimentar a expectativa jubilosa da vinda do Senhor, que a todos nos abraça no seu amor que salva e consola.
Enquanto os nossos corações se preparam para a celebração anual do nascimento de Cristo, a liturgia da Igreja orienta o nosso olhar para a meta definitiva: o encontro com o Senhor que há de vir no esplendor da glória. Por isso nós que, em cada Eucaristia, "anunciamos a sua morte, proclamamos a sua ressurreição e aguardamos a sua vinda" vigiamos em oração. A liturgia não se cansa de nos encorajar e animar, pondo nos nossos lábios, nos dias de Advento, o clamor com o qual se encerra toda a Sagrada Escritura, na última página do Apocalipse de São João: "Vinde, Senhor Jesus!" (22, 20).
Estimados irmãos e irmãs, a nossa reunião desta tarde, para dar início ao caminho de Advento, enriquece-se com outro motivo importante: juntamente com toda a Igreja, queremos celebrar solenemente uma vigília de oração pela vida nascente. Desejo manifestar o meu agradecimento a todos aqueles que aderiram a este convite, bem como a quantos se dedicam de modo específico ao acolhimento e à conservação da vida humana nas diversificadas situações de fragilidade, de modo particular no seu início e nos seus primeiros passos. É precisamente o começo do Ano litúrgico que nos faz viver novamente a expectativa de Deus que se faz carne no seio da Virgem Maria, de Deus que se faz pequenino, que se torna menino; fala-nos da vinda de um Deus próximo, que quis voltar a percorrer a vida do homem desde os primórdios, e isto para a salvar totalmente, em plenitude. E assim, o mistério da Encarnação do Senhor e o início da vida humana estão íntima e harmoniosamente ligados entre si, no único desígnio salvífico de Deus, Senhor da vida de todos e de cada um. A Encarnação revela-nos com uma luz intensa, e de modo surpreendente, que cada vida humana tem uma dignidade altíssima, incomparável.
O homem apresenta uma originalidade inconfundível em relação a todos os outros seres vivos que povoam a terra. Apresenta-se como sujeito único e singular, dotado de inteligência e de vontade livre, mas também composto de uma realidade material. Vive, simultânea e inseparavelmente, na dimensão espiritual e na dimensão corporal. Sugere-o também o texto da primeira Carta aos Tessalonicenses, que foi proclamado: "O Deus da paz — escreve São Paulo — vos conceda a santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!" (5, 23). Portanto somos espírito, alma e corpo. Fazemos parte deste mundo, estamos ligados às possibilidades e aos limites da condição material; ao mesmo tempo, estamos abertos a um horizonte infinito, capazes de dialogar com Deus e de O receber em nós. Trabalhamos nas realidades terrenas e, através delas, podemos sentir a presença de Deus e tender para Ele, que é verdade, bondade e beleza absoluta. Saboreamos fragmentos de vida e de felicidade, enquanto aspiramos à plenitude total.
Deus nos ama de modo profundo, total, sem distinções; chama-nos à amizade com Ele; torna-nos partícipes de uma realidade que está acima de toda a imaginação e de qualquer pensamento e palavra: a sua própria vida divina. Com emoção e gratidão, tomamos consciência do valor, da dignidade incomparável de cada pessoa humana e da grande responsabilidade que temos para com todos. "Cristo, novo Adão — afirma o Concílio Vaticano II — na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime... pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem" (Constituição Gaudium et spes, 22).
Acreditar em Jesus Cristo exige também um novo olhar sobre o homem, um olhar de confiança, de esperança. De resto, a própria experiência e a reta razão dão testemunho de que o ser humano é um sujeito capaz de entender e querer, autoconsciente e livre, irrepetível e insubstituível, ápice de todas as realidades terrenas, que deve ser reconhecido como valor em si mesmo e merece o acolhimento com respeito e amor. Ele tem o direito de não ser tratado como um objeto a possuir, ou como algo que se pode manipular a bel-prazer, o direito de não ser reduzido a puro instrumento, em vantagem de outrem e dos seus interesses. A pessoa é um bem em si mesma, e é necessário buscar sempre o seu desenvolvimento integral.
Além disso, se for sincero, o amor por todos tende espontaneamente a tornar-se preferencial pelos mais fracos e pobres. É nesta linha que se insere a solicitude da Igreja pela vida nascente, a mais frágil, a mais ameaçada pelo egoísmo dos adultos e pelo obscurecimento das consciências. A Igreja reitera continuamente aquilo que já o Concílio Vaticano II declarava contra o aborto e contra toda a violação da vida nascente: "A vida deve, pois, ser salvaguardada com extrema solicitude desde o primeiro momento da sua concepção" (Ibid., n. 51).
Existem tendências culturais que procuram entorpecer as consciências com motivações oportunistas. No que se refere ao embrião no ventre materno, é a própria ciência que põe em evidência a autonomia do mesmo, capaz de interagir com a mãe, a coordenação dos seus processos biológicos, a continuidade do seu desenvolvimento e a crescente complexidade do seu organismo. Não se trata de um acervo de material biológico, mas sim de um novo ser vivo, dinâmico e maravilhosamente ordenado, um novo indivíduo da espécie humana. Assim foi Jesus no seio de Maria; assim é para cada um de nós, no ventre da própria mãe. Com o antigo autor cristão Tertuliano, podemos afirmar: "Já é um homem, aquele que o será" (Apologético, IX, 8); não há qualquer razão para não o considerar pessoa, desde a sua concepção.
Infelizmente, mesmo depois do nascimento, a vida das crianças continua a estar exposta ao abandono, à fome, à miséria, à enfermidade, aos abusos, à violência e à exploração. As múltiplas violações dos seus direitos, que se verificam no mundo, ferem dolorosamente a consciência de cada homem de boa vontade. Diante do triste panorama das injustiças cometidas contra a vida do homem, antes e depois do seu nascimento, faço meu o apaixonado apelo do Papa João Paulo II à responsabilidade de todos e de cada um: "Respeita, defende, ama e serve a vida, cada vida humana! Unicamente por esta estrada encontrarás justiça, progresso, verdadeira liberdade, paz e felicidade!" (Encíclica Evangelium vitae, 5). Exorto os protagonistas da política, da economia e das comunicações sociais, a fazer tudo quanto estiver ao alcance das suas possibilidades para promover uma cultura sempre respeitosa da vida humana, para alcançar condições favoráveis e redes de apoio ao seu acolhimento e desenvolvimento.
À Virgem Maria, que recebeu o Filho de Deus feito homem com a sua fé, o seu cuidado cheio de desvelo, o seu acompanhamento solidário e vibrante de amor, confiemos a oração e o compromisso a favor da vida nascente. Façamo-lo na liturgia — que é o lugar onde vivemos a verdade e onde a verdade vive em nós — adorando a Eucaristia divina, na qual contemplamos o Corpo de Cristo, aquele Corpo que recebeu a carne de Maria por obra do Espírito Santo, e dela nasceu em Belém, para a nossa salvação. Ave, verum Corpus, natum de Maria Virgine!

* Texto extraído do site do Vaticano, do dia 27 de novembro de 2010.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A beleza é a grande necessidade do homem...



Viagem Apostólica a Santiago de Compostela e a Barcelona
(6 e 7 de novembro de 2010)

Santa Missa com Dedicação
Da Igreja da Sagrada Família e do Altar

Homilia do Santo Padre Bento XVI

Barcelona, 7 de novembro de 2010

Amados irmãos e irmãs no Senhor
“Este dia é consagrado ao Senhor vosso Deus, então não vos lamenteis, nem choreis... a alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8, 9-10). Com estas palavras da primeira leitura que proclamamos desejo saudar todos vós que estais aqui presentes para participara desta celebração. Saúdo afetuosamente às Suas Majestades o Rei e a Rainha da Espanha, que quiseram, muito cordialmente, unir-se a nós. A minha grata saudação ao Senhor Cardeal Lluís Martínez Sistach, Arcebispo de Barcelona, pelas palavras de boas-vindas e pelo convite que dirigiu a mim para a dedicação desta igreja da Sagrada Família, maravilhosa síntese de técnica, arte e fé. Saúdo também o Cardeal Ricardo María Carles Gordó, Arcebispo emérito de Barcelona, os outros Senhores Cardeais e Irmãos no Episcopado, especialmente o Bispo auxiliar desta Igreja particular, bem como os numerosos sacerdotes, diáconos, seminaristas, religiosos e fiéis que participam desta solene celebração. Ao mesmo tempo, saúdo deferentemente as Autoridades Nacionais, Regionais e Locais, assim como os membros de outras comunidades cristãos, que se unem à nossa alegria e louvor grato a Deus.
Este dia é um ponto significativa de uma longa história de aspirações, de trabalho e de generosidade, que dura há mais de um século. Nestes momentos, gostaria de recordar algumas das pessoas que tornaram possível a alegria que hoje nós invade a todos: dos promotores até aos executores desta obra; dos arquitetos e pedreiros a todos aqueles que ofereceram, de um modo ou de outro, a sua insubstituível contribuição para tornar possível a progressiva construção deste edifício. E lembremo-nos, sobretudo, daquele que foi a alma e o artífice deste projeto: Antoni Gaudì, arquiteto genial e cristão coerente, cuja chama da fé ardeu até o fim de sua vida, vivida com dignidade e austeridade absoluta. Este evento é também, de algum modo, o ponto culminante e a desembocadura de uma história desta terra catalã que, sobretudo a partir do final do século XIX, ofereceu ao mundo uma multidão de santos e de fundadores, de mártires e de poetas cristãos. História de santidade, de criações artísticas e poéticas, nascidas da fé, que hoje acolhemos e apresentamos como oferta a Deus nesta Eucaristia.
A alegria que experimento no poder presidir esta celebração cresceu quando soube que este edifício sagrado, desde suas origens, é extremamente ligado à figura de São José. Comoveu-me, especialmente, a segurança com a qual Gaudì, diante das inúmeras dificuldades que teve que enfrentar, exclamava cheio de confiança na divinia Providência: “São José completará o templo”. Por isso, agora, não é sem significado o fato de que seja um Papa cujo nome de batismo é José a dedicá-lo.
O que significa dedicar esta igreja? No coração do mundo, diante do olhar de Deus e dos homens, num humilde e alegre ato de fé, erguemos uma imensa quantidade de matéria, fruto da natureza e de um incalculável esforço da inteligência humana, construtora desta obra de arte. Ela é um sinal visível do Deus invisível, cuja glória é celebrada pela elevação das torres, e pelas flechas que indicam o absoluto da luz e dAquele que é a Luz, a Altura e a Beleza mesmas.
Neste ambiente, Gaudì quis unir a inspiração que lhe vinha dos três grandes livros dos quais se nutria como homem, como crente e como arquiteto: o livro da natureza, o livro da Sagrada Escritura e o livro da Liturgia. Assim, uniu a realidade do mundo e a história da salvação, como nos é narrada na Bíblia e torna presente na Liturgia. Introduziu dentro do edifício sagrado pedras, árvores e vida humana, para que toda a criação convergisse no louvor divino, mas, ao mesmo tempo, levou para fora os “retábulos”, para colocar diante dos homens o mistério de Deus revelado no nascimento, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Deste modo, colaborou de maneira genial para a edificação de uma consciência humana ancorada no mundo, aberta a Deus, iluminada e santificada por Cristo. E realizou aquilo que, hoje, é uma das tarefas mais importantes: superar a cisão entre consciência humana e consciência cristã, entre existência neste mundo temporal e abertura à vida eterna, entre a beleza das coisas e Deus como Beleza. Antoni Gaudì não realizou tudo isto com palavras, mas com pedras, linhas, superfícies e vértices. Na realidade, a beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual surgem o tronco da nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convida à liberdade e arranca do egoísmo.
Dedicamos este espaço sagrado a Deus, que se revelou e se deu a nós em Cristo, para ser definitivamente Deus como os homens. A Palavra revelada, a humanidade de Cristo e a sua Igreja são as três expressões máximas da sua manifestação e do seu dom aos homens. “Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (ICor 3, 10-11), diz São Paulo na segunda leitura. O Senhor Jesus é a pedra que sustenta o peso do mundo, que mantém a coesão da Igreja e que mantém numa unidade última todas as conquistas da humanidade. NEle temos a Palavra e a Presença de Deus, e dEle a Igreja recebe a própria vida, a própria doutrina e a própria missão. A Igreja não tem consistência por si mesma; é chamada a ser sinal e instrumento de Cristo, em pura docilidade à sua autoridade e em total serviço ao seu mandato. O único Cristo funda a única Igreja; Ele é a rocha sobre a qual se funda a nossa fé. Fundados nesta fé, buscamos juntos mostrar ao mundo o rosto de Deus, que é amor e é o único que pode responder ao desejo de plenitude do homem. Esta é a grande tarefa, mostrar a todos que Deus é Deus de paz e não de violência, de liberdade e não de opressão, de concórdia  e não de discórdia. Neste sentido, creio que a dedicação desta igreja da Sagrada Família, numa época na qual o homem pretende edificar a sua vida por trás de Deus, como senão tivesse mais nada a dizer-lhe, é um acontecimento de grande significado. Gaudì, com a sua obra, nos mostra que Deus é a verdadeira medida do homem, que o segredo da verdadeira originalidade consiste, como ele dizia, no voltar à origem que é Deus. Ele mesmo, abrindo deste modo o seu espírito a Deus, foi capaz de criar nesta cidade um espaço de beleza, de fé e de esperança, que conduz o homem ao encontro com Aquele que é a verdade e a beleza mesma. Assim, o arquiteto expressava  os seus sentimentos: “Uma igreja [é] a única coisa digna de representar o sentir de um povo, visto que a religião é a coisa mais elevada no homem”.
Esta afirmação de Deus traz consigo a suprema afirmação e tutela da dignidade de cada homem e de todos os homens: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus (...)? O templo de Deus, que sois vós, é santo” (ICor 3, 16-17). Eis aqui unidas a verdade e a dignidade de Deus com a verdade e a dignidade do homem. Ao consagrar o altar desta igreja, tendo presente que Cristo é o seu fundamento, apresentamos ao mundo Deus que é amigo dos homens, e convidamos os homens a ser amigos de Deus. Como ensina o episódio de Zaqueu, de que fala o Evangelho de hoje (Lc 19, 1-10), se o homem deixa Deus entrar na sua vida e no seu mundo, se deixa que Cristo viva no seu coração, no se arrependerá, mas, pelo contrário, experimentará a alegria de compartilhar a sua mesma vida, sendo destinatário do seu amor infinito.
A iniciativa da construção desta igreja se deve à Associação dos Amigos e São José, que quis dedicá-la à Sagrada Família de Nazaré. Desde sempre, o núcleo familiar formado por Jesus, Maria e José é considerado uma escola de amor, oração e trabalho. Os patrocinadores desta igreja queriam mostrar ao mundo o amor, o trabalho e o serviço vividos diante de Deus, assim como foram vividos pela Sagrada Família de Narazé. As condições de vida mudaram profundamente e, com elas, progrediu-se enormemente nos âmbitos técnicos, sociais e culturais. Não podemos nos contentar com estes progressos. Com eles, devem estar sempre presentes os progressos morais, como a atenção, a proteção e a ajuda à família, já que o amor generoso e indissolúvel entre um homem e uma mulher é o quadro eficaz e o fundamento da vida humana na sua gestação, no seu nascimento, no seu crescimento e no seu término natural. Somente onde existem o amor e a fidelidade nasce e perdura a verdadeira liberdade. Por isso, a Igreja invoca medidas econômicas  e sociais adequadas para que a mulher possa encontrar a sua plena realização em casa e no trabalho, para que o homem e a mulher que se unem em matrimônio e formam uma família sejam sustentados definitivamente pelo Estado, para que se defenda como sagrada e inviolável a vida dos filhos desde o momento de sua concepção, para que a natalidade seja estimada, valorizada e sustentada no plano jurídico, social e legislativo. Por isso, a Igreja se opõe a qualquer forma de negação da vida humana e sustenta aquilo que promove a ordem natural no âmbito da instituição familiar.
Contemplando, admirado, este ambiente santo de beleza encantadora, com tanta história de fé, peço a Deus que, nesta terra catalã, se multipliquem e se consolidem novos testemunhos de santidade, que ofereçam ao mundo o grande serviço que a Igreja pode e deve prestar à humanidade: ser ícone da beleza divina, chama ardente de caridade, canal para  que o mundo creia nAquele que Deus enviou (Jo 6, 29).
Caros irmãos, ao dedicar esta esplêndida igreja, suplico, ao mesmo tempo, ao Senhor de nossas vidas que, deste altar – que será, agora, ungido com óleo santo e sobre o qual se consumará o sacrifício de amor de Cristo –, faça correr um rio contínuo de graça e de caridade sobre esta cidade de Barcelona e sobre seus habitantes, e sobre o mundo inteiro. Que essas águas fecundas encham de fé e de vitalidade apostólica esta Igreja arquidiocesana, os seus Pastores e fiéis.
Desejo, finalmente, confiar à amorosa proteção da Mãe de Deus, Maria Santíssima, “Rosa de Abril”, “Mãe da Mercê”, todos vós aqui presentes e todos aqueles que, com palavras e obras, com o silêncio ou a oração, tornaram possível este milagre arquitetônico. Que Ela apresente ao seu divino Filho também as alegrias e os sofrimentos daqueles que virão, no futuro, a este lugar sagrado, para que, como reza a Liturgia da dedicação das igrejas, os pobres possam encontrar misericórdia, os oprimidos conseguir a verdadeira liberdade e todos os homens sejam revestidos da dignidade de filhos de Deus. Amém.

* Texto publicado no site do Vaticano, no dia 7 de novembro de 2010. Traduzido por Paulo R. A. Pacheco.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Política e fé se tocam...

Discurso do Papa Bento XVI
aos Prelados da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Regional Nordeste V)
em visita "Ad limina Apostolorum"

Quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Amados Irmãos no Episcopado,
"Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo" (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5 [cinco]. Nos nossos encontros, pude ouvir, de viva voz, alguns dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.
Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à. união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.
Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. Gaudium et spes, 76).
Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, consequência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso, no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático - que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana - é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitae, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambiguidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo" (ibidem, 82).
Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sociopolítico de um modo unitário e coerente, é "necessária - como vos disse em Aparecida - uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o 'Compêndio da Doutrina Social da Igreja'" (Discurso inaugurai da V conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. Gaudium et spes, 75).
Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. "Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambiguidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana" (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).
Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve "encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política" (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.
Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baia da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade
Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Bênção Apostólica.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Apelo a todos os brasileiros

No último dia 17 de outubro, a Polícia Federal, movida por uma ação do PT, recolheu os panfletos elaborados pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul I da CNBB, alegando, com essa ação, crime eleitoral. Pois bem, esse blog tem, em média, 40 visitas diárias... Vou deixar esse apelo, até o dia 31 de outubro, no topo da página e peço a todos os leitores que ajudem a divulgar esse Manifesto o máximo que puderem - usem todos os recursos que têm (email, facebook, twitter, blogs etc.). 

A Presidência e a Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, em sua Reunião ordinária, tendo já dado orientações e critérios claros para “VOTAR BEM”, acolhem e recomendam a ampla difusão do “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 que pode ser encontrado no seguinte endereço eletrônico www.cnbbsul1.org.br.

São Paulo, 26 de Agosto de 2010.

APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS
Nós, participantes do 2º Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida (CDDVs), organizado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB e realizado em S. André no dia 03 de julho de 2010,
- considerando que, em abril de 2005, no IIº Relatório do Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (nº 45) o atual governo comprometeu-se a legalizar o aborto,
- considerando que, em agosto de 2005, o atual governo entregou ao Comitê da ONU para a Eliminação de todas as Formas de Descriminalização contra a Mulher (CEDAW) documento no qual reconhece o aborto como Direito Humano da Mulher,
- considerando que, em setembro de 2005, através da Secretaria Especial de Política das Mulheres, o atual governo apresentou ao Congresso um substitutivo do PL 1135/91, como resultado do trabalho da Comissão Tripartite, no qual é proposta a descriminalização do aborto até o nono mês de gravidez e por qualquer motivo, pois com a eliminação de todos os artigos do Código Penal, que o criminalizam, o aborto, em todos os casos, deixaria de ser crime,
- considerando que, em setembro de 2006, no plano de governo do 2º mandato do atual Presidente, ele reafirma, embora com linguagem velada, o compromisso de legalizar o aborto,
- considerando que, em setembro de 2007, no seu IIIº Congreso, o PT assumiu a descriminalização do aborto e o atendimento de todos os casos no serviço público como programa de partido, sendo o primeiro partido no Brasil a assumir este programa,
- considerando que, em setembro de 2009, o PT puniu os dois deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por serem contrários à legalização do aborto,
- considerando como, com todas estas decisões a favor do aborto, o PT e o atual governo tornaram-se ativos colaboradores do Imperialismo Demográfico que está sendo imposto em nível mundial por Fundações Internacionais, as quais, sob o falacioso pretexto da defesa dos direitos reprodutivos e sexuais da mulher, e usando o falso rótulo de “aborto - problema de saúde pública”, estão implantando o controle demográfico mundial como moderna estratégia do capitalismo internacional,
- considerando que, em fevereiro de 2010, o IVº Congresso Nacional do PT manifestou apoio incondicional ao 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), decreto nª 7.037/09 de 21 de dezembro de 2009, assinado pelo atual Presidente e pela ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto, dando assim continuidade e levando às últimas consequências esta política antinatalista de controle populacional, desumana, antisocial e contrária ao verdadeiro progresso do nosso País,
- considerando que este mesmo Congresso aclamou a própria ministra da Casa Civil como candidata oficial do Partido dos Trabalhadores para a Presidência da República,
- considerando enfim que, em junho de 2010, para impedir a investigação das origens do financiamento por parte de organizações internacionais para a legalização e a promoção do aborto no Brasil, o PT e as lideranças partidárias da base aliada boicotaram a criação da CPI do aborto que investigaria o assunto,
RECOMENDAMOS encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras, em consonância com o art. 5º da Constituição Federal, que defende a inviolabilidade da vida humana e, conforme o Pacto de S. José da Costa Rica, desde a concepção, independentemente de sua convicções ideológicas ou religiosas, que, nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalizacão do aborto.
Convidamos, outrossim, a todos para lerem o documento “Votar Bem” aprovado pela 73ª Assembléia dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, reunidos em Aparecida no dia 29 de junho de 2010 e verificarem as provas do que acima foi exposto no texto “A Contextualização da Defesa da Vida no Brasil”, elaborado pelas Comissões em Defesa da Vida das Dioceses de Guarulhos e Taubaté, ligadas à Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, ambos disponíveis no site desse mesmo Regional.

COMISSÃO EM DEFESA DA VIDA DO REGIONAL SUL 1 DA CNBB

Dom Nelson Westrupp, scj
Presidente do CONSER-SUL 1

Dom Benedito Beni dos Santos
Vice-presidente do CONSER-SUL 1

Dom Airton José dos Santos
Secretário Geral do CONSER SUL 1

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Declaração sobre o Apelo aos Brasileiros

Declaração feita no dia 18 de outubro de 2010 por Dom Benedito Beni dos Santos sobre os recentes acontecimentos envolvendo a publicação do Apelo aos brasileiros.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Apelo a todos os brasileiros

Ontem, a Polícia Federal, movida por uma ação do PT, recolheu os panfletos elaborados pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul I da CNBB, alegando, com essa ação, crime eleitoral. Pois bem, esse blog tem, em média, 40 visitas diárias... até o dia da eleição faltam 14 dias, o que significa um pouco menos de 600 visitas... é pouco, eu sei, mas é bastante se se pensar no que cada leitor pode fazer com os recursos que tem. Vou deixar esse apelo, até o dia 31 de outubro, no topo da página e peço a todos os leitores que ajudem a divulgar esse Manifesto o máximo que puderem - usem todos os recursos que têm (email, facebook, twitter, blogs etc.). 

A Presidência e a Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, em sua Reunião ordinária, tendo já dado orientações e critérios claros para “VOTAR BEM”, acolhem e recomendam a ampla difusão do “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 que pode ser encontrado no seguinte endereço eletrônico www.cnbbsul1.org.br.

São Paulo, 26 de Agosto de 2010.

APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS
Nós, participantes do 2º Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida (CDDVs), organizado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB e realizado em S. André no dia 03 de julho de 2010,
- considerando que, em abril de 2005, no IIº Relatório do Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (nº 45) o atual governo comprometeu-se a legalizar o aborto,
- considerando que, em agosto de 2005, o atual governo entregou ao Comitê da ONU para a Eliminação de todas as Formas de Descriminalização contra a Mulher (CEDAW) documento no qual reconhece o aborto como Direito Humano da Mulher,
- considerando que, em setembro de 2005, através da Secretaria Especial de Política das Mulheres, o atual governo apresentou ao Congresso um substitutivo do PL 1135/91, como resultado do trabalho da Comissão Tripartite, no qual é proposta a descriminalização do aborto até o nono mês de gravidez e por qualquer motivo, pois com a eliminação de todos os artigos do Código Penal, que o criminalizam, o aborto, em todos os casos, deixaria de ser crime,
- considerando que, em setembro de 2006, no plano de governo do 2º mandato do atual Presidente, ele reafirma, embora com linguagem velada, o compromisso de legalizar o aborto,
- considerando que, em setembro de 2007, no seu IIIº Congreso, o PT assumiu a descriminalização do aborto e o atendimento de todos os casos no serviço público como programa de partido, sendo o primeiro partido no Brasil a assumir este programa,
- considerando que, em setembro de 2009, o PT puniu os dois deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por serem contrários à legalização do aborto,
- considerando como, com todas estas decisões a favor do aborto, o PT e o atual governo tornaram-se ativos colaboradores do Imperialismo Demográfico que está sendo imposto em nível mundial por Fundações Internacionais, as quais, sob o falacioso pretexto da defesa dos direitos reprodutivos e sexuais da mulher, e usando o falso rótulo de “aborto - problema de saúde pública”, estão implantando o controle demográfico mundial como moderna estratégia do capitalismo internacional,
- considerando que, em fevereiro de 2010, o IVº Congresso Nacional do PT manifestou apoio incondicional ao 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), decreto nª 7.037/09 de 21 de dezembro de 2009, assinado pelo atual Presidente e pela ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto, dando assim continuidade e levando às últimas consequências esta política antinatalista de controle populacional, desumana, antisocial e contrária ao verdadeiro progresso do nosso País,
- considerando que este mesmo Congresso aclamou a própria ministra da Casa Civil como candidata oficial do Partido dos Trabalhadores para a Presidência da República,
- considerando enfim que, em junho de 2010, para impedir a investigação das origens do financiamento por parte de organizações internacionais para a legalização e a promoção do aborto no Brasil, o PT e as lideranças partidárias da base aliada boicotaram a criação da CPI do aborto que investigaria o assunto,
RECOMENDAMOS encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras, em consonância com o art. 5º da Constituição Federal, que defende a inviolabilidade da vida humana e, conforme o Pacto de S. José da Costa Rica, desde a concepção, independentemente de sua convicções ideológicas ou religiosas, que, nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalizacão do aborto.
Convidamos, outrossim, a todos para lerem o documento “Votar Bem” aprovado pela 73ª Assembléia dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, reunidos em Aparecida no dia 29 de junho de 2010 e verificarem as provas do que acima foi exposto no texto “A Contextualização da Defesa da Vida no Brasil”, elaborado pelas Comissões em Defesa da Vida das Dioceses de Guarulhos e Taubaté, ligadas à Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, ambos disponíveis no site desse mesmo Regional.

COMISSÃO EM DEFESA DA VIDA DO REGIONAL SUL 1 DA CNBB

Dom Nelson Westrupp, scj
Presidente do CONSER-SUL 1

Dom Benedito Beni dos Santos
Vice-presidente do CONSER-SUL 1

Dom Airton José dos Santos
Secretário Geral do CONSER SUL 1

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Dois artigos censurados de D. Bergonzini

Após ter seus textos censurados no site da CNBB por se opor às políticas pró-aborto do PT e de outros partidos, o MSM publica dois artigos de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini.

Nota de William Murat, editor do blog Contra o Aborto: Como parece que a CNBB agora está com o péssimo hábito de retirar de seu site artigos que não se encaixam no ideário que por lá dá as cartas, achei por bem reproduzir abaixo um outro artigo de D. Luiz Gonzaga Bergonzini sobre o aborto e o PT, o partido do aborto, e que foi publicado originalmente na Folha Diocesana, jornal da Diocese de Guarulhos e que consta no site da CNBB Regional Sul I.
Dom Bergonzini, ao contrário de alguns de seus irmãos no episcopado nacional, não tem papas na língua para denunciar o abortismo do PT ou de outros candidatos. E nem adianta a CNBB retirar ou censurar artigos dos bispos, pois o que não vai faltar é blog para publicar artigos como o abaixo.

Nota do editor do Mídia Sem Máscara: O MSM também recebeu a denúncia de censura aos artigos de Dom Bergonzini, e publica, logo abaixo de 'O PT e o aborto', o artigo 'Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus'.


O PT e o aborto
Dom Luiz Gonzaga Bergonzini

No site do PT (http://www.pt.org.br/site/secretarias) pode-se ler a moção apresentada pela Secretaria Nacional de Mulheres e aprovada pela maioria dos delegados e delegadas do 13° Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores (08-05-06).
Se é justo que todos tenhamos um "posicionamento firme contra todas as injustiças e discriminações a que estão submetidas às mulheres na sociedade", o que corresponde também às exigências de justiça do Evangelho, fazer disso um pretexto para levantar a bandeira da descriminalização do aborto é absurdo, incoerente e não corresponde à realidade.
Absurdo, porque, em nome da defesa da vida das mulheres que morrem por causa do aborto clandestino, se esquece completamente que o feto e o embrião, sacrificados no aborto, são também indivíduos humanos merecedores de todo o nosso respeito a começar pelo respeito à vida. Todas as vidas têm igual valor. Não existem vidas mais dignas e menos dignas. Aceitar esta distinção seria aceitar uma tremenda discriminação, contra a qual justamente o movimento feminista se insurge.
Incoerente, por dois motivos. O primeiro: pelo fato que fetos e embriões são também homens e mulheres já sexualmente definidos e a metade dos fetos e embriões abortados são de mulheres. Daí a incoerência desta moção que em nome do feminismo vai contra as próprias mulheres, a não ser que segundo as feministas, mulher é só quem seja adulta e sexualmente ativa, introduzindo assim uma discriminação a mais, que elas dizem combater. Segundo motivo: em nome da liberdade de decisão da mulher prejudica-se as próprias mulheres que praticam o aborto. O aborto, mesmo em caso de violência sexual e praticado nas melhores condições de assistência médica, é sempre prejudicial para a saúde psíquica da mulher, constituindo-se numa derrota de sua auto-estima, e ela carregará este trauma pelo resto da vida. Estatísticas de atestados de óbito mostram como, dentro do prazo de um ano do parto ou do aborto provocado, o número de suicídios das mulheres que provocaram o aborto é sete vezes maior do que o número de suicídios de mulheres que deram à luz. Que ajuda é esta que as feministas querem dar às mulheres, quando a própria psiquiatria moderna, alemã e italiana, aconselha para o bem estar psíquico da mulher a não interromper a gravidez, mesmo em caso de violência sexual?
Não corresponde à verdade. De fato se fala de milhares de mulheres que morrem em conseqüência do aborto mal feito, quando o Ministério da Saúde registrou nos últimos anos uma diminuição constante destas mortes, de 198 em 1995 descendo para 115 em 2002 [Nota do Blog: Na verdade, este número é ainda menor, o que pode ser visto aqui]. Não é verdade que a descriminalização do aborto é causa direta da diminuição das mortes maternas. Causa direta desta diminuição é a assistência à gravidez ao parto e ao puerpério. De fato, Chile, Costa Rica e Uruguai, onde o aborto é proibido, tem uma mortalidade materna inferior à de Cuba, onde morrem 33 mulheres a cada 100.000 nascidos vivos e onde o aborto é legalizado há mais de trinta anos. Assim também Portugal, Irlanda e Polônia, onde o aborto é proibido, tem mortalidade materna inferior à dos EUA e da Inglaterra, onde o aborto é legalizado há muitos anos.
Mas a parte pior da moção em questão é que se exige que os parlamentares do PT (ao todo 14), que integram a Frente Parlamentar em Defesa da Vida - Contra o Aborto, retirem seu nome desse movimento. Aí aparece o rosto autoritário do PT, que respeita a liberdade de consciência quando esta não vai contra os planos do partido (pode-se votar contra o aborto quando o voto não muda os projetos do partido mas nunca quando este voto poderia prejudicar os planos partidários). De fato, nenhum membro do PT ousou apresentar, até hoje, um projeto de lei que proíba o aborto ou que fortaleça a família. Concluindo, fazemos nossas as considerações que apareceram num estudo publicado em 2002 no site do Providafamília de Brasília: abortistas encontramos em todos os partidos da direita e da esquerda... A diferença é que os demais partidos têm abortistas, enquanto o PT é abortista. Sendo esta a posição do PT, é bom lembrar a recomendação do Apocalipse aos cristãos que moravam em Babilônia (ou seja em Roma): "Saí dela (no nosso caso dele), ó meu povo, para que não sejais cúmplices dos seus pecados (no nosso caso do desrespeito à vida e aos direitos humanos fundamentais, entre os quais o respeito à liberdade de consciência)" (Ap 18,4).
Fazemos votos que, em se tratando de uma moção, a direção do partido corrija os absurdos nela contidos e, de qualquer forma, parabenizamos os 14 deputados petistas, que integram a Frente Parlamentar em Defesa da Vida e Contra o Aborto, pela sua coerência e coragem.

Daí a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus
Dom Luiz Gonzaga Bergonzini
(Publicado na segunda-feira 19 de julho, no site da CNBB, mas retirado do ar).

Com esta frase Jesus definiu bem a autonomia e o respeito, que deve haver entre a política (César) e a religião (Deus). Por isto a Igreja não se posiciona nem faz campanha a favor de nenhum partido ou candidato, mas faz parte da sua missão zelar para que o que é de "Deus" não seja manipulado ou usurpado por "César" e vice-versa.
Quando acontece essa usurpação ou manipulação é dever da Igreja intervir convidando a não votar em partido ou candidato que torne perigosa a liberdade religiosa e de consciência ou desrespeito à vida humana e aos valores da família, pois tudo isso é de Deus e não de César. Vice-versa extrapola da missão da Igreja querer dominar ou substituir-se ao estado, pois neste caso ela estaria usurpando o que é de César e não de Deus.
Já na campanha eleitoral de 1996, denunciei um candidato que ofendeu pública e comprovadamente a Igreja, pois esta atitude foi uma usurpação por parte de César daquilo que é de Deus, ou seja o respeito à liberdade religiosa.
Na atual conjuntura política o Partido dos Trabalhadores (PT) através de seu IIIº e IVº Congressos Nacionais (2007 e 2010 respectivamente), ratificando o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) através da punição dos deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso, por serem defensores da vida, se posicionou pública e abertamente a favor da legalização do aborto, contra os valores da família e contra a liberdade de consciência.
Na condição de Bispo Diocesano, como responsável pela defesa da fé, da moral e dos princípios fundamentais da lei natural que - por serem naturais procedem do próprio Deus e por isso atingem a todos os homens -, denunciamos e condenamos como contrárias às leis de Deus todas as formas de atentado contra a vida, dom de Deus,como o suicídio, o homicídio assim como o aborto pelo qual, criminosa e covardemente, tira-se a vida de um ser humano, completamente incapaz de se defender. A liberação do aborto que vem sendo discutida e aprovada por alguns políticos não pode ser aceita por quem se diz cristão ou católico. Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto. (confira-se Ex. 20,13; MT 5,21).
Isto posto, recomendamos a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais "liberações", independentemente do partido a que pertençam.
Evangelizar é nossa responsabilidade, o que implica anunciar a verdade e denunciar o erro, procurando, dentro desses princípios, o melhor para o Brasil e nossos irmãos brasileiros e não é contrariando o Evangelho que podemos contar com as bênçãos de Deus e proteção de nossa Mãe e Padroeira, a Imaculada Conceição.

* Extraído do Mídia Sem Máscara, do dia 24 de julho de 2010.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Cartas do P.e Aldo 127





Asunción, 26 de dezembro de 2009.

Caros amigos,
Hoje, dia do Natal, meu filho Aldo Trento completa 13 anos. Estou feliz porque é muito bonito, e é bonito porque é o esplendor da verdade, da evidência de que é relação com o Mistério. A minha consciência de ser “eu sou Tu que me fazes” é a sua consciência e, por isso, ele ri, chora e faz seus caprichos. Mas, se eu não estivesse certo de ser unicamente relação com o Mistério, não poderia, absolutamente, definir-me como pai, e esta criança toda deformada (é a imagem de Hermano, o Coxo) não se conceberia como meu filho e, portanto, não poderia se sentir feliz. Uma das maiores dores que eu vivo é encontrar pais, mesmo do movimento, que me dizem: “padre, o ginecologista me disse que muito provavelmente nosso filho nascerá com um defeito etc.”. Deixam-me louco... e respondo: “mas que pais são vocês para quem basta um defeito possível do filho ainda não nascido para ficarem em crise? O filho de vocês vale pelo defeito que tem ou pode ter, ou porque é filho de vocês e, mais verdadeiramente, relação direta com o Mistério?”. E, depois, vêm falar de fé, esperança e caridade! Vocês entendem que qualquer filho, deformado ou violentado como as minhas crianças, são de qualquer maneira “eu sou Tu que me fazes”? Por que olhar para o limite? E, depois, temos a audácia de nos escandalizar com o que fez Hitler. Não somos diferentes quando escolhemos o aborto para uma má-formação ou quando voltamos do ginecologista em crise porque ele nos disse que nosso filho não será, provavelmente, como o concebemos na nossa mente tão Euclidiana. Eu dizia a um pai que se lamentava da possibilidade de que seu filho nascesse com problemas: “amigo, você se dá conta de que esta pequena hóstia branca é relação com o Mistério, foi designada assim por Deus?... Então, fixe os olhos nesta beleza e louve Àquele que fez grandes coisas na sua vida, dando para você um filho que é uma obra prima, que vai lembrar a você sempre, enquanto você viver, que também você é ‘eu sou Tu que me fazes’”.
O que queremos: pequenas barbies ou deixar que Deus nos dê aquilo que Ele sabe que será de maior ajuda para entender que somos relação com o Mistério?
Eu, sem este filho, estes filhos (tenho também Lúcia, de 6 meses, que nasceu sem olhos e sem nariz... mas que é bela, é um tesouro... move-se como uma topeira, coloca a língua para fora todo o tempo porque se incomoda com a sonda que a alimenta), não teria a alegria e a graça de viver vibrando na certeza de poder dizer, em cada momento: “Tu, ó meu Cristo!”.
Comovam-se com a foto dos meus dois filhos mais provados fisicamente nesse momento.
Aldo Trento faz 13 anos porque, quando eu o adotei, o juiz me disse: “quanto anos quer que ele tenha e quando deseja que ele tenha nascido?”. Faz dois anos, e eu lhe respondi: “nascido no dia 25 de dezembro, como o menino Jesus... e no ano de 1996, um ano muito significativo para mim”.
Rezem por mim e por ele.
Obrigado
Aldo